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Ruptura às vésperas da convenção: Rogério Lisboa deixa chapa de Douglas Ruas e enfraquece estratégia do PL no Rio
PP oficializa saída de ex-prefeito de Nova Iguaçu da candidatura a vice-governador; decisão abre crise na aliança e favorece Eduardo Paes na disputa pelo Palácio Guanabara
A menos de uma semana da convenção do Partido Liberal marcada para o dia 24 de julho no Maracanãzinho, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP) anunciou sua desistência da candidatura a vice-governador na chapa encabeçada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL). O anúncio oficial foi feito neste domingo, 19 de julho, pelo deputado federal Dr. Luizinho, presidente estadual do Progressistas, por meio de nota oficial.
A decisão representa um revés significativo para a estratégia do PL no Rio de Janeiro. Para Flávio Bolsonaro, o estado é seu principal reduto eleitoral e a construção de uma chapa forte ao governo é peça-chave para sustentar sua pré-candidatura à Presidência da República. Sem Lisboa na vice, Ruas perde o apoio formal do PP, partido que controla prefeituras estratégicas na Baixada Fluminense.

Os bastidores da saída
Rogério Lisboa já havia sido anunciado como vice de Douglas Ruas em fevereiro de 2026, após uma reunião entre o governador Cláudio Castro, o senador Flávio Bolsonaro e o presidente estadual do PP. Na ocasião, o martelo foi batido em Brasília. No entanto, nos meses seguintes, a relação entre Lisboa e o núcleo duro do bolsonarismo começou a mostrar fissuras.
Aliados do ex-prefeito admitem que sua relação com o chamado "bolsonarismo-raiz" nunca foi fluida. Lisboa, que construiu carreira política no PP com perfil pragmático e de diálogo com diferentes espectros políticos, enfrentava resistência de setores mais ideológicos do PL, que viam nele um nome pouco alinhado às pautas conservadoras que mobilizam a base bolsonarista.
O próprio deputado Dr. Luizinho já havia antecipado, em 8 de junho, que a composição enfrentava dificuldades. Na ocasião, ele declarou que a definição da chapa dependia de ajustes na relação entre os partidos — ajustes que, ao que tudo indica, não foram feitos a tempo.
O impacto na campanha de Douglas Ruas
A saída de Rogério Lisboa fragiliza a candidatura de Douglas Ruas em pelo menos duas frentes. A primeira é eleitoral: Lisboa foi prefeito de Nova Iguaçu por dois mandatos — eleito em 2016 com 51,62% dos votos e reeleito em 2020 com expressivos 62,69% — e carrega uma base sólida na Baixada Fluminense, região que concentra o maior colégio eleitoral do estado.
A segunda frente é política: sem o PP na chapa, o PL perde o apoio de uma legenda que integra a federação com a União Brasil, partido que controla prefeituras estratégicas e possui capilaridade no interior. A recomposição dessa aliança agora dependerá de negociações de última hora — algo que o adiamento da convenção do Progressistas para 5 de agosto pode permitir.
O PP, em federação com a União Brasil, informou que a convenção para definição de alianças e nominata foi adiada para 5 de agosto, sinalizando que a porta para uma recomposição ainda não está totalmente fechada.
O palanque de Flávio Bolsonaro em xeque
O estado do Rio de Janeiro é o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro. Foi lá que Jair Bolsonaro construiu sua carreira política e de onde Flávio, Carlos e Eduardo saíram para suas respectivas candidaturas. Para a pré-candidatura de Flávio à Presidência, ter um palanque forte no Rio é condição essencial para demonstrar viabilidade eleitoral.
A desistência de Lisboa enfraquece justamente esse palanque. Sem o vice indicado pelo PP, Ruas terá que buscar um nome que agrade simultaneamente ao PL, ao bolsonarismo-raiz e aos partidos aliados — uma equação de difícil solução às vésperas da convenção. Enquanto isso, o principal adversário de Ruas na disputa pelo Palácio Guanabara, o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), observa o movimento com atenção.
Paes, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, construiu sua campanha em torno de uma ampla coalizão que inclui partidos do centrão e setores do centro-esquerda. A crise na chapa do PL pode consolidar sua vantagem e tornar a disputa ainda mais assimétrica.
A trajetória de Rogério Lisboa
Lisboa não é um nome qualquer na política fluminense. Sua carreira começou na Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, onde exerceu dois mandatos antes de ser nomeado secretário de Obras do município entre 2005 e 2006. Em 2006, foi eleito deputado federal, cargo que ocupou até 2011. Depois, foi deputado estadual entre 2015 e 2017. Em 2016, venceu a eleição para prefeito de Nova Iguaçu com 51,62% dos votos, sendo reeleito quatro anos depois com 62,69%.
Sua gestão à frente da prefeitura foi marcada por investimentos em infraestrutura urbana e programas sociais. Lisboa também presidiu a Associação dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro (Anerj) entre 2021 e 2022, consolidando sua posição como liderança regional. Deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2024 com avaliação positiva de sua administração.
O que esperar dos próximos dias
A convenção do PL está marcada para 24 de julho no Maracanãzinho, e a pressão sobre Douglas Ruas para definir o novo nome da chapa aumentou consideravelmente. Nos bastidores, três cenários são especulados. O primeiro é que o próprio PL indique um nome de seus quadros para a vice — hipótese que agradaria o bolsonarismo-raiz, mas que poderia afastar partidos aliados. O segundo é que as negociações com o PP sejam retomadas e um novo nome da legenda seja apresentado. O terceiro, e mais improvável, é que Ruas busque um nome fora do eixo PL-PP, em uma tentativa de ampliar a base de sustentação.
Seja qual for o caminho escolhido, o fato é que a ruptura com Lisboa expõe as dificuldades do PL em construir uma aliança ampla no Rio de Janeiro sem abrir mão do controle ideológico que o bolsonarismo exige. E, em política, alianças frágeis às vésperas da eleição raramente produzem vitórias sólidas.
Fontes
Gazeta do Povo — "Desistência de vice de Douglas Ruas enfraquece estratégia do PL no Rio" (19/07/2026) | Metrópoles — "Vice deixa chapa de Douglas Ruas e desiste da disputa ao governo do RJ" (19/07/2026) | Elizeu Pires — "Rogério Lisboa está fora da chapa de Douglas Ruas" (19/07/2026) | Tempo Real RJ — "PP indica o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa para vice de Douglas Ruas" (24/02/2026) | Última Hora Online — "PL prepara lançamento de Douglas Ruas na convenção dia 26 no Maracanãzinho" (15/07/2026) | Wikipedia — Rogério Lisboa | Prefeitura de Nova Iguaçu
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