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O Museu Naval, no centro do Rio de Janeiro, foi palco de um debate que tocou em uma das questões mais urgentes do Brasil: a inclusão de jovens no mercado de trabalho.
Durante o fórum da Associação Nacional de Biologia (ANB), a Dra. Bárbara Damaceno, empresária da área de saúde com mais de 25 anos de experiência, compartilhou sua visão sobre como as empresas podem ser agentes de transformação social ao abrir portas para aprendizes e estagiários.
"A inclusão do jovem, principalmente o jovem aprendiz e o estagiário, visa tirar o jovem das áreas de risco e trazê-lo para dentro das empresas, profissionalizando-o", afirmou Bárbara ao Jornal da República e Última Hora.
Sua fala reflete uma prática que ela implementa há mais de duas décadas em suas organizações, com resultados que impressionam: mais de 50% dos funcionários registrados em suas empresas são ex-estagiários.
Uma trajetória de 25 anos transformando vidas.
Bárbara Damaceno não fala de teoria. Sua experiência é prática e mensurável.
Nas empresas que coordena, o programa de aprendizagem e estágio é estruturado desde a base, com um processo rigoroso de seleção e acompanhamento. "Hoje, 90% das minhas novas contratações sempre começam através de estagiários", revelou.
O processo é cuidadoso. Cada jovem passa por uma entrevista, na qual é avaliado não apenas por competências técnicas, mas por potencial de desenvolvimento.
Muitos chegam sem experiência profissional anterior, incapazes até de atender um telefone ou se expressar adequadamente. É nesse ponto que o trabalho de Bárbara começa.
"A gente trabalha cada setor da nossa empresa com um grupo de funcionários para acolher esse jovem iniciante.
Ele tem toda uma atenção voltada para desenvolver as habilidades que aquela atividade requer", explicou. O modelo é de mentoria integrada, onde funcionários experientes atuam como tutores dos aprendizes.
A sensibilidade que faz a diferença
Um dos momentos mais reveladores da entrevista foi quando Bárbara relatou uma situação que mudou a perspectiva de sua equipe. Durante uma rodada de entrevistas para vagas de estágio, alguns candidatos chegaram inadequadamente vestidos, de chinelo e short.
A equipe de seleção estava pronta para dispensá-los.
Eu rapidamente chamei a equipe e disse: essas pessoas que estão de chinelo, que estão de shortinho, elas não estão assim porque querem. Elas não têm condições ainda.
São esses jovens que mais precisam de oportunidade no mercado de trabalho, afirmou com convicção.
A partir daquele momento, a equipe passou a ter um olhar diferente. Quando chegava alguém mal arrumado ou inadequadamente vestido, o foco era ajudar, não rejeitar. Muitas vezes nós custeamos um sapato, uma calça jeans, uniforme.
É obrigatório o uso de uniforme na nossa empresa justamente para isso, porque as pessoas que estão começando no mercado de trabalho não têm condições de arcar com roupas diariamente, explicou.
Essa sensibilidade reflete uma compreensão profunda sobre a realidade socioeconômica dos jovens que buscam oportunidade.
No Brasil, segundo dados do IBGE, mais de 10 milhões de jovens entre 15 e 29 anos estão fora da escola e do mercado de trabalho, população conhecida como NEET (Not in Education, Employment or Training). Para muitos deles, a falta de recursos básicos é uma barreira tão importante quanto a falta de experiência.
Jovem aprendiz a partir dos 14 anos.
Quando questionada sobre a idade mínima para participar dos programas, Bárbara foi clara: "O jovem aprendiz pode começar a partir dos 14 anos de idade, e os estagiários, a partir dos 16 anos".
Essa informação é crucial para jovens e famílias que buscam oportunidades no mercado de trabalho carioca.
A legislação brasileira, por meio da Lei da Aprendizagem (Lei 10.097/2000), estabelece que empresas com mais de 7 funcionários devem contratar aprendizes em número equivalente a 5% a 15% de sua folha de pagamento.
Apesar da obrigatoriedade legal, muitas empresas ainda tratam o programa como uma formalidade. Bárbara, ao contrário, vê-o como um investimento genuíno no futuro.
Do estágio à universidade: histórias de sucesso
Um dos destaques da fala de Bárbara foi o programa universitário que oferece aos seus estagiários. "Alguns desses jovens aprendizes já participaram do programa universitário da empresa, já concluíram a faculdade e estão trabalhando conosco a nível superior. É uma conquista muito grande", afirmou com orgulho.
Esse modelo de desenvolvimento profissional integrado que combina experiência prática com formação acadêmica, é raro no mercado brasileiro.
Ele demonstra que a inclusão de jovens não é apenas uma responsabilidade social, mas um investimento que gera retorno em forma de funcionários qualificados, leais e motivados.
Impacto social e econômico
A abordagem de Bárbara Damaceno alinha-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, particularmente o ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e o ODS 10 (Redução das Desigualdades).
Ao profissionalizar jovens de comunidades vulneráveis, ela não apenas muda trajetórias individuais, mas contribui para a redução da criminalidade, do desemprego estrutural e da desigualdade social.
Dados do Ministério do Trabalho mostram que jovens que participam de programas de aprendizagem têm 70% mais chances de permanecer empregados após o término do programa.
Além disso, a experiência prática adquirida durante o estágio aumenta significativamente a empregabilidade futura.
Redes sociais e como participar
Para jovens interessados em participar dos programas de aprendizagem e estágio, Bárbara disponibilizou seus canais de contato.
"Podem procurar no meu Instagram: @barbara.damaceno ou Dra. Bárbara Damaceno", informou. Também mencionou o Projeto Visão Total de Mesquita e a Clínica Imagem Vida de Mesquita como pontos de contato para interessados.
O Jornal da República e Última Hora recomenda que jovens interessados entrem em contato através das redes sociais para conhecer melhor as oportunidades disponíveis.
A sensibilidade e o compromisso de Bárbara com a inclusão são evidentes em cada palavra que pronuncia.
Sobre a Dra. Bárbara Damaceno
Bárbara Damaceno é empresária da área de saúde com mais de 25 anos de experiência em gestão empresarial e desenvolvimento de recursos humanos.
Coordena empresas onde mais de 50% dos funcionários registrados são ex-estagiários, demonstrando seu compromisso com a inclusão de jovens no mercado de trabalho.
Implementa programas de aprendizagem e estágio que combinam experiência prática com formação acadêmica, tendo já profissionalizado centenas de jovens que hoje ocupam posições de destaque em suas organizações.
É defensora da sensibilidade na seleção de candidatos e acredita que a falta de recursos materiais não deve ser barreira para oportunidade.
Participa ativamente de fóruns e debates sobre inclusão social e desenvolvimento profissional. Seus contatos estão disponíveis no Instagram @barbara.damaceno e através do Projeto Visão Total de Mesquita e Clínica Imagem Vida de Mesquita.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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