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Por Oscar Müller
O Egito escreveu um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória no futebol mundial nesta sexta-feira (3). Em Dallas, nos Estados Unidos, a seleção africana derrotou a Austrália nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação, e garantiu, pela primeira vez, uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.
A classificação representa um feito histórico para os egípcios. Antes da edição de 2026, o país jamais havia conquistado uma vitória em partidas de Mundial. Agora, além de quebrar esse tabu, o Egito alcança sua melhor campanha na principal competição do futebol internacional.
Ashour abriu o placar ainda no primeiro tempo para os Faraós, enquanto Hany, contra, acabou igualando o marcador para a Austrália no início da etapa complementar. Sem alterações no placar durante a prorrogação, a decisão foi para as penalidades máximas.
Antes das cobranças, o técnico australiano Tony Popovic apostou em uma estratégia pouco convencional ao substituir o goleiro Beach por Maty Ryan. A mudança, entretanto, não surtiu efeito. Souttar desperdiçou a primeira cobrança australiana ao isolar a bola, Herrington acertou o travessão, e o Egito converteu todas as quatro penalidades que executou. A última delas foi marcada por Mohamed Salah, que cobrou com categoria, utilizando uma cavadinha para confirmar a classificação egípcia.
Agora, o Egito volta a campo na próxima terça-feira (7), às 13h (horário de Brasília), em Atlanta, onde enfrentará o vencedor do confronto entre Argentina e Cabo Verde.
Egito mostra eficiência após início equilibrado
A Austrália começou melhor e quase abriu o placar logo aos quatro minutos. Volpato avançou pelo meio e arriscou um potente chute de fora da área, que explodiu no travessão, assustando a defesa africana.
Apesar da pressão inicial dos australianos, foi o Egito quem demonstrou eficiência. Aos 12 minutos, após cobrança ensaiada de falta pela esquerda, Ashour apareceu bem na área para completar de cabeça um cruzamento preciso de Hafez e colocar os africanos em vantagem.
Depois do gol, a Austrália perdeu intensidade, passou a errar na construção das jogadas e abusou dos cruzamentos, sem conseguir superar a sólida defesa egípcia. Para complicar ainda mais a situação, Bos deixou o gramado lesionado nos acréscimos da primeira etapa.
Gol contra leva decisão para os pênaltis
Na volta do intervalo, o Egito quase ampliou logo nos primeiros instantes. Marmoush recebeu em velocidade, venceu a marcação e finalizou com perigo, mas a bola passou rente à trave.
Pouco depois, a Austrália encontrou o empate em uma bola parada. O'Neill levantou na área em cobrança de falta pela esquerda, a bola atravessou a defesa e Hany, ao tentar cortar, desviou contra o próprio patrimônio, deixando tudo igual.
O empate persistiu durante o restante do tempo regulamentar e também na prorrogação, levando a disputa para os pênaltis, onde brilhou a tranquilidade dos egípcios.
Salah celebra momento histórico
Após a classificação, Mohamed Salah destacou o significado da conquista para o futebol egípcio e para a torcida que acompanha a seleção em todo o mundo.
"É um momento muito especial para todos nós. Sabíamos da responsabilidade de representar milhões de egípcios e fizemos história juntos. Esta classificação é fruto do trabalho, da união do grupo e da confiança que construímos ao longo da competição. Ainda não terminamos nossa missão e queremos continuar fazendo o nosso país sonhar.", afirmou o camisa 10 do Egito.
Com confiança renovada e vivendo sua campanha mais vitoriosa em Copas do Mundo, o Egito chega às oitavas de final embalado pelo espírito coletivo e pela liderança de Salah, mantendo vivo o sonho de seguir surpreendendo no torneio.
Mohamed Salah, do Egito, é marcado pelo australiano Jackson Irvine em partida da Copa do Mundo
Imagem: Alex Slitz/Getty Images
Opinião | Oscar Müller
Egito transforma sonho em realidade e mostra que a Copa do Mundo sempre reserva espaço para novas histórias
A classificação do Egito para as oitavas de final da Copa do Mundo representa muito mais do que uma vitória nos pênaltis sobre a Austrália. É a confirmação de que tradição ajuda, mas não entra em campo. Em um torneio marcado por equilíbrio e surpresas, os egípcios provaram que organização, disciplina tática e confiança podem derrubar qualquer prognóstico.
Durante décadas, o Egito conviveu com o peso de participações discretas em Mundiais. Antes desta edição, sequer havia conquistado uma vitória na competição. Hoje, escreve um dos capítulos mais importantes de sua história esportiva e inspira uma nova geração de atletas e torcedores.
Mohamed Salah, maior referência do futebol egípcio, talvez não tenha sido o protagonista durante os 120 minutos, mas mostrou por que é um líder incontestável. Em um dos momentos de maior pressão da partida, assumiu a responsabilidade na disputa por pênaltis e converteu sua cobrança com personalidade. Grandes jogadores entendem que, muitas vezes, liderar significa aparecer quando a equipe mais precisa.
Outro aspecto que merece destaque foi a maturidade emocional do elenco. Mesmo após sofrer o empate em um gol contra, o Egito não perdeu a organização nem se desesperou. Soube administrar o jogo, suportou a pressão australiana e demonstrou frieza nas penalidades, característica fundamental para equipes que desejam ir longe em competições de mata-mata.
Do lado australiano, fica a sensação de que a ousadia do técnico Tony Popovic ao trocar os goleiros antes das cobranças não produziu o efeito esperado. O futebol costuma recompensar estratégias bem executadas, mas também cobra caro quando elas não encontram respaldo dentro de campo.
Agora, independentemente de quem seja o adversário nas oitavas de final, o Egito já conquistou algo que nenhum outro elenco do país conseguiu em uma Copa do Mundo: respeito internacional e a certeza de que pode competir em igualdade com seleções tradicionais.
A Copa do Mundo vive justamente desses momentos. Quando uma seleção quebra barreiras históricas, ela não muda apenas o próprio destino. Ela amplia os horizontes de um continente inteiro e lembra ao mundo que o futebol continua sendo o esporte onde a coragem pode superar qualquer favoritismo.

Behich um dos destaques do Egito
Ficha Técnica
Austrália 1 x 1 Egito
Data e horário: 3 de julho, às 15h (de Brasília)
Competição: Copa do Mundo - Segunda Fase
Local: AT&T Stadium, em Arlington, no Texas (EUA)
Árbitro: Gustavo Tejera (URU)
Assistentes: Carlos Barreiro e Nicolas Taran (URU)
VAR: Leodan Gonzalez (URU)
Cartões amarelos: Haissem Hassan (EGI) e Ibrahim (EGI)
Gols: Ashour (12'/1ºT) (EGI); Hany (9'/2ºT) (Contra) (AUS)
Prorrogação: 1 x 1
Disputa por pênaltis:
Austália 2 x 4 Egito
AUSTRÁLIA: Patrick Beach (Mathew Ryan); Lucas Herrington, Alessandro Circati e Harry Souttar; Jordan Bos (Trewin), Jackson Irvine, Aiden O'Neill (Okon-Engstler) e Aziz Behich; Cristian Volpato (Hrustic), Nestory Irankunda (Toure) e Connor Metcalfe (Mabil).
Técnico: Tony Popovic
EGITO: Mostafa Shoubir; Mohamed Hany, Ramy Rabia, Yasser Ibrahim e Karim Hafez (Trezeguet); Marawan Attia (Saber), Hamdy Fathy (Abdelmaguid), Mohamed Salah, Emam Ashour e Mostafa Ziko (Haissem Hassan); Omar Marmoush (Abdelkarim).
Técnico: Hossam Hassan
Público: 70.244
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