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O Brasil chega a 2026 após um ciclo turbulento de disputas políticas marcadas por desconfiança institucional, radicalização dos discursos e crise de representatividade. A polarização, longe de ser passageira, consolidou-se como eixo central da política nacional. A convivência entre dois projetos antagônicos — um de viés progressista e estatizante, outro de orientação conservadora e liberal — transformou as eleições em um julgamento ideológico contínuo.
Ao mesmo tempo, a população demonstra crescente ceticismo diante de promessas genéricas e discursos técnicos descolados da realidade. Há uma demanda evidente por clareza, coerência e firmeza. O eleitor quer saber exatamente o que está sendo defendido — e o que será feito no dia seguinte à eleição.
Esse cenário leva a uma constatação fundamental: Teremos, dentro do mesmo processo eleitoral, duas disputas com lógicas distintas, mas complementares.
A eleição de 2026 será marcada por uma peculiaridade estratégica: duas motivações bem definidas dentro de uma única jornada. No plano nacional, o país viverá um verdadeiro plebiscito ideológico. Já no estadual, prevalecerá uma lógica prática, centrada na eficiência.
Na esfera federal, a principal escolha será sobre o modelo de país que se deseja. A polarização entre esquerda e direita será inevitável — e até necessária. Mais do que discutir propostas pontuais, estará em jogo uma definição de valores, princípios e visão de nação. O eleitor será chamado a optar entre uma sociedade mais regulada ou mais livre, mais estatizante ou mais liberal, mais progressista ou mais conservadora. Não será uma disputa entre bons e maus gestores, mas uma decisão sobre qual projeto de país se quer construir. E enquanto essa definição não for feita, nenhum programa de governo terá sustentação duradoura — pois, sem confiança popular, não há governabilidade.
No plano estadual, a lógica é outra. O eleitor quer soluções concretas: saúde que funcione, ônibus que chegue, rua asfaltada, policiamento presente, fila que ande. Para os cargos de governador e deputado estadual, o foco estará na entrega. A eleição nos estados será menos ideológica e mais funcional. O pragmatismo será imperativo — porque a população não aguenta mais esperar por liberdade de ir e vir com segurança, atendimento digno na saúde e mobilidade de qualidade. Vencerá quem apresentar metas claras e propostas viáveis. Tiros certeiros, com foco em gestão, resultado e eficiência.
Essa combinação torna 2026 uma eleição singular. Ao mesmo tempo em que o país decide o rumo ideológico da Nação, também escolherá, nos estados, os gestores capazes de transformar a vida real. No plano nacional, o debate será sobre direção, valores e identidade. No estadual, sobre capacidade de fazer, resolver e entregar.
Essa distinção precisa ser compreendida pelos candidatos, e suas campanhas devem saber como dialogar com o eleitor.
Quem tentar misturar os planos — nacionalizando a eleição estadual ou esvaziando ideologicamente a disputa federal — corre o risco de errar o tom e perder relevância. Cada esfera tem sua lógica. E o eleitor de 2026 saberá distinguir com clareza o que é projeto de governo — e o que é projeto de Estado.
Gabriel Pazos
Instituto Gerp
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