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A categoria dos entregadores por aplicativo no Estado do Rio de Janeiro confirmou uma mobilização de grande escala para os dias 30 de abril e 1º de maio. Batizado de Breque dos Apps RJ 2026, o movimento é articulado pelo Coletivo Carioca — Frente Única de Lideranças Regionais — e promete suspender as atividades em pontos estratégicos da capital e de diversos municípios fluminenses.

A paralisação reflete o esgotamento de trabalhadores que denunciam a precarização extrema de suas condições de vida. Entre as principais cidades com atos confirmados estão Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. O movimento ganha força com o apoio de lideranças como Marcelo Bul, o Russão, presidente da AMERJ, e Alexsandro Moizinho, do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, que há anos lutam contra o que classificam como uma forma moderna de escravidão digital.
Reivindicações e os alvos do movimento
O foco central das críticas é a plataforma iFood. Os entregadores exigem o fim imediato de modalidades que reduziram drasticamente seus ganhos. Um dos pontos mais sensíveis é o fim do programa "+ Entrega", que teria derrubado a taxa mínima de R$ 7,00 para cerca de R$ 3,00, tornando o custo de manutenção das bicicletas e motos superior ao lucro obtido nas rotas.
Além disso, a categoria protesta contra o modelo das Operações Logísticas (OLs). Segundo as lideranças, essa terceirização retira a autonomia do entregador "nuvem" (independente), criando um sistema de prioridades que privilegia grupos específicos e exclui quem não se submete a escalas rígidas impostas pelas operadoras logísticas.
Contexto de luta e segurança do trabalhador
A mobilização também traz à tona a falta de suporte médico e garantias sociais. Conforme destacado por Alexsandro Moizinho, os entregadores dependem exclusivamente do SUS em casos de acidentes de trabalho, sem qualquer auxílio das plataformas. A luta por uma taxa mínima de R$ 10,00 e a transparência nos algoritmos são vistas como medidas urgentes de sobrevivência diante da inflação galopante que corrói a renda desde 2020.
Alerta contra desmobilização
Os organizadores do Breque dos Apps alertam para possíveis estratégias das plataformas, como a oferta de incentivos financeiros temporários durante os dias de greve para atrair quem deseja furar o movimento. O Coletivo Carioca reforça que a união da categoria é a única ferramenta capaz de pressionar por mudanças estruturais no modelo de trabalho por aplicativos no Brasil.
O cenário para os próximos dias no Rio de Janeiro é de tensão e expectativa de desabastecimento nos serviços de entrega. A força do movimento, que já conta com adesão maciça na Região Metropolitana e no interior, coloca em xeque a sustentabilidade do modelo de negócio das gigantes de tecnologia e reafirma a urgência de uma regulamentação que garanta o mínimo de dignidade e direitos a esses profissionais essenciais para a economia urbana.
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