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Dos 180 executivos públicos às 55 UPAs: Marco Antônio Cabral destaca legados que quer preservar
Em meio ao SECOMP, maior evento de licitação e compras públicas do estado do Rio de Janeiro realizado em Mangaratiba, o ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude, Marco Antônio Cabral, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal da República e Última Hora. O político, filho do ex-governador Sérgio Cabral Filho, compartilhou reflexões sobre gestão pública, os impactos da Operação Lava-Jato e anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual nas próximas eleições.
Trajetória política e formação
Nascido em 7 de maio de 1991 no Rio de Janeiro, Marco Antônio Cabral iniciou sua caminhada política precocemente, aos 11 anos, acompanhando seu pai, então candidato ao Senado. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), foi presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Santo Inácio e teve forte atuação na militância juvenil. Em 2009, foi eleito Presidente Estadual da Juventude do PMDB e, em 2013, assumiu a Presidência Nacional da Juventude do partido.
Nas eleições de 2014, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 119.584 votos, ficando entre os dez mais votados do estado. Em dezembro do mesmo ano, foi nomeado Secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Estado do Rio de Janeiro, cargo que ocupou até janeiro de 2017. Nas eleições de 2018, não conseguiu se reeleger, obtendo menos de 20 mil votos.
Valorização do jornalismo e conexão com o Noroeste Fluminense
Logo no início da conversa, Cabral fez questão de elogiar o trabalho jornalístico realizado pelo veículo: "Primeiro parabenizar a tua cobertura política. Eu sou um fã do Última Hora e do Jornal da República, acho que vocês fazem um trabalho sensacional, isento. Eu que sou neto de jornalista sei a importância do jornalismo, principalmente para a democracia."
O ex-deputado também destacou sua ligação com o Noroeste Fluminense, região que frequenta desde 2002: "Meu pai, quando era senador, tinha um tiquinho de emenda, não era essas emendas que tem hoje não. Ele destinava a emenda dividida igualmente pelos 13 municípios da região Noroeste. Tenho um carinho muito grande pelo Noroeste Fluminense."
Zona Franca do Noroeste Fluminense: O projeto de Marco Antônio Cabral para desenvolver a região
Cabral relembrou seu trabalho na região quando foi secretário de esporte: "A gente fez muitas ações nos municípios lá, Aperibé, Varre-sai, Cambuci e Santo Antônio de Pádua. E como deputado federal também, até projeto para criar zona franca do Noroeste Fluminense eu botei, está lá em Brasília."
Profissionalização da gestão pública
Um dos principais temas abordados foi a importância da profissionalização da administração pública. Cabral destacou a criação da carreira de executivo público durante o governo de seu pai como um legado significativo, porém pouco reconhecido:
"Um dos legados que eu acho um dos mais bacanas e muito pouco explorado foi a criação do executivo público. Hoje o estado do Rio conta com 180 executivos públicos concursados espalhados nas diversas secretarias."
Segundo ele, esses profissionais são fundamentais para garantir a continuidade administrativa entre diferentes gestões: "É uma carreira para aprimorar a gestão dentro das secretarias. É um técnico que treina os servidores, atualiza os servidores, participa do setor de licitações, de compras, ajudando os pregoeiros."
Renovação do funcionalismo
O ex-deputado também ressaltou outras iniciativas de valorização do servidor público implementadas durante a gestão de Sérgio Cabral, como a realização de concursos após longos períodos sem seleções:
"Meu pai, quando entrou no governo em 2007, não se fazia concurso para fiscal de renda desde 89. Hoje todos os fiscais que estão no estado são dos dois concursos feitos no governo do meu pai. Isso é muito positivo porque você acaba renovando as carreiras, trazendo oxigênio, trazendo melhorias."
Críticas à Operação Lava-Jato
Questionado sobre as recentes críticas do prefeito Eduardo Paes ao ex-juiz Marcelo Bretas, Marco Antônio não hesitou em apontar o que considera irregularidades na condução da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro:
"Desde 2017, nós já víamos que havia uma coisa muito esquisita na sétima vara federal, pela forma com que se davam as condenações, com a rapidez que se aceitavam as denúncias vindas do Ministério Público. Uma denúncia com 2.000 páginas era aceita em 15 minutos."
Ele mencionou ainda a existência de possíveis esquemas envolvendo advogados: "Meu pai falou que tinha um advogado que negociava, advogado que procurava todos os réus, inclusive procurou meu pai, vendendo soluções. E soluções que efetivamente aconteciam. A pessoa contratava ele ou não era presa, ou então saía da prisão de forma muito mais rápida que os outros réus."
Cabral também comentou sobre o "encantamento" inicial com a operação: "Na época, você havia um encantamento com a Lava-Jato. A própria questão midiática envolvida, você não tinha espaço para o contraponto. Acho que a partir da Vaza Jato, daquela questão dos diálogos do Telegram dos procuradores com Moro, a opinião pública começa a perceber que havia diversas ilegalidades e exageros."
Impactos econômicos da operação
O ex-deputado destacou os danos econômicos causados pela operação, especialmente aos setores de construção civil e de óleo e gás, com reflexos diretos na economia fluminense:
"A Odebrecht era uma empresa presente em 40 países com 100.000 funcionários. Ela caiu para menos de 5.000 funcionários. Só a Odebrecht colocou 95.000 famílias sem renda, sem emprego. Acabou com a indústria nacional, com a construção civil, acabou com a indústria de óleo e gás. E o Rio de Janeiro foi muito prejudicado porque a indústria de óleo e gás é no Rio de Janeiro, 85% do petróleo está no Rio de Janeiro."
Quando questionado sobre possíveis conexões internacionais de Sergio Moro para orquestrar a operação, o ex-deputado foi cauteloso, mas sugestivo: "Isso é difícil você provar, agora uma coisa é certa: quem se beneficiou desse strike que foi feito na indústria de óleo e gás e na construção civil foram as empresas estrangeiras. Você vê a quantidade de empresa europeia, americana, chinesa que entrou no Brasil depois da Lava-Jato."
Atuação parlamentar e realizações como Secretário de Esporte, Lazer e Juventude do Estado do Rio de Janeiro
Durante seu mandato na Câmara dos Deputados, Marco Antônio Cabral participou de cinco comissões permanentes (Minas e Energia, Finanças e Tributação, Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Esporte e Defesa do Consumidor) e foi autor de 43 projetos de lei.
Entre suas principais proposições legislativas, destacam-se:
Como secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude (2015-2016), foi responsável pelo retorno do Campeonato Mundial de Surf WSL para Saquarema e por iniciativas como o projeto Ligação, que entregou espaços esportivos na capital e no interior, e o programa Mais Esporte, que garantiu a diversos atletas o custeio do transporte para participar de competições. Em sua gestão, também foram incentivados projetos para crianças e jovens, como o balé clássico no Centro de Referência da Juventude, em Manguinhos, e escolinhas em parceria com estrelas do esporte como Leo Moura, José Aldo, Anderson Silva e os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro.
Projetos políticos e compromisso com legados
Ao final da entrevista, Marco Antônio revelou seus planos políticos para o futuro próximo: "Sou pré-candidato a deputado estadual. A gente tem uma eleição ano que vem, vou colocar meu nome à disposição do partido na convenção."
Ele explicou que tem percorrido o estado não apenas para mostrar os legados da gestão de seu pai, mas para firmar compromisso com a continuidade desses projetos. Como exemplo, citou as UPAs 24 horas:
"Foram 55 feitas na gestão Cabral e de lá para cá, você acredita, há 11 anos não se tem uma nova UPA no estado do Rio de Janeiro. Esse tipo de coisa que a gente tem que debater. O pobre, quando precisa, ele vai pra UPA. Não tem condições de pagar um plano de saúde caro, e você ficava entre o hospital de emergência e o posto de saúde. A UPA veio exatamente para essa condição do atendimento na madrugada, no sábado, no domingo."
O SECOMP segue reunindo prefeitos, secretários municipais e especialistas em compras públicas e licitações, com o objetivo de atualizar gestores sobre as mudanças na legislação e promover melhores práticas administrativas.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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