Ex-esposa de Mussum, empresária Maíra Mussum alerta para epidemia silenciosa: 'De cada 10 crianças nascidas, oito têm SAF'

Maíra Mussum denuncia diagnósticos equivocados de autismo causados por álcool na gestação

Coordenadora do Projeto SAF denuncia diagnósticos equivocados de autismo e pede apoio de prefeitos para combater Síndrome Alcoólica Fetal

Uma revelação alarmante ecoou pelos corredores do Uban 2025, no Hotel Fairmont Copacabana: de cada 10 crianças nascidas no Brasil, oito apresentam Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), segundo dados apresentados pela empresária Maíra Mussum, coordenadora do Projeto SAF e atuante no ramo da construção civil. Durante sua participação no evento que reúne gestores municipais de todo o país, a ativista revelou uma realidade devastadora que tem passado despercebida pelos sistemas de saúde brasileiro. "A maioria das crianças estão nascendo com autismo e a mãe não sabe que a criança tá tendo um diagnóstico errado, porque a maioria das mães bebem na gravidez por falta de informação", denunciou Mussum, destacando que muitos casos diagnosticados como autismo podem, na verdade, ser consequência do consumo de álcool durante a gestação.

A empresária enfatizou uma informação científica crucial que ainda não é amplamente conhecida pela população: o álcool é a única droga lícita capaz de romper a placenta e afetar diretamente o desenvolvimento fetal. "O álcool é a única droga lícita que rompe a placenta e faz parte da alimentação do feto", alertou Mussum, explicando que quando uma gestante consome bebidas alcoólicas, o feto também fica embriagado, comprometendo irreversivelmente seu desenvolvimento neurológico. A ativista utilizou uma analogia impactante para ilustrar a gravidade da situação: "Eu tenho 65 kg, um feto com uma, duas garrafas, latas de cerveja, ele também fica bêbado igual eu fico, só que ele tá num estado fetal, mas ele tá bêbado e isso atrapalha todo o cérebro da criança". Esta explicação desmistifica a falsa crença de que pequenas quantidades de álcool não causam danos durante a gravidez.

O Projeto SAF, coordenado por Maíra Mussum, ganhou respaldo institucional significativo após apresentação no Tribunal de Justiça, conforme revelou a empresária durante sua fala no Uban 2025. "Foi feito o plenário de família no Tribunal de Justiça junto com o desembargador Luís Sveit, a qual o Círio Darlan, também presente disse que depois que conheceu a SAF, ficou impossível julgar o menor infrator, sem antes fazer uma pesquisa na família", relatou Mussum, destacando como o conhecimento sobre a síndrome está transformando a percepção do sistema judiciário sobre comportamentos considerados problemáticos em crianças e adolescentes. Esta mudança de paradigma representa um avanço fundamental na compreensão de que muitos comportamentos atribuídos à má educação ou preguiça podem ter origem em danos neurológicos causados pela exposição ao álcool durante o desenvolvimento fetal.

Modelo francês inspira políticas públicas brasileiras

A luta de Maíra Mussum encontra inspiração no modelo francês de combate à Síndrome Alcoólica Fetal, onde a questão é tratada como caso de saúde pública com medidas rigorosas de proteção fetal. "Hoje nós temos um médico na frente desse projeto que é o Dr. José Mauro Braj de Lima. Junto com ele o Senado da França, porque lá é caso de saúde pública", revelou a coordenadora do projeto, explicando que na França existe um sistema de notificações progressivas para gestantes que consomem álcool. O modelo francês prevê que "a mãe recebe três notificações. Quando ela não obedece, ela é detida. Ela não é presa, mas ela é detida até o nascimento do feto", demonstrando como outros países tratam a questão com a seriedade que ela merece.

A empresária defende a implementação de políticas similares no Brasil, adaptadas à realidade nacional, com foco na conscientização e prevenção. "É difícil trabalhar contra o álcool, mas o que acontece é só durante a gravidez. Depois você bebe, continua bebendo. É só durante a gravidez", esclareceu Mussum, enfatizando que a proposta não visa criminalizar o consumo de álcool, mas sim proteger o desenvolvimento fetal durante os nove meses cruciais de gestação. A ativista propõe uma abordagem educativa: "É simples. É só fazer uma conscientização para não beber durante a gravidez. É só isso. É uma política de conscientização para não ingerir álcool durante a gravidez".

Sintomas silenciosos e diagnósticos equivocados

Os efeitos da Síndrome Alcoólica Fetal se manifestam de forma sutil, mas devastadora, ao longo da vida da criança, frequentemente sendo confundidos com outros transtornos ou atribuídos a problemas comportamentais.

Maíra Mussum detalhou os principais sintomas observados em crianças com SAF: "A criança não passa de série, a criança é imperativa, a criança faz xixi na cama, a criança não tem uma memória fixa e a mãe briga, as professoras chamam de preguiçosos e não é isso". Esta descrição revela como a falta de conhecimento sobre a síndrome leva a diagnósticos equivocados e tratamentos inadequados, perpetuando o sofrimento tanto das crianças quanto das famílias. A empresária enfatiza que esses comportamentos "é uma decorrência do álcool ingerido durante a gravidez", não resultado de má educação ou falta de esforço.

O desconhecimento sobre a SAF cria um ciclo vicioso onde crianças são punidas por comportamentos que não conseguem controlar, enquanto a verdadeira causa permanece oculta. "É difícil a gente falar sobre isso", admitiu Mussum, reconhecendo os tabus sociais que envolvem o tema do consumo de álcool durante a gravidez.

A coordenadora do projeto destaca que "a criança não pede para beber", lembrando que os fetos são vítimas involuntárias de decisões adultas. Esta perspectiva humanizada da questão busca sensibilizar gestores públicos para a urgência de implementar políticas de prevenção e conscientização.

Apelo urgente aos gestores municipais

Durante sua participação no Uban 2025, Maíra Mussum fez um apelo direto aos prefeitos e gestores municipais presentes no evento, solicitando apoio institucional para expandir o Projeto SAF em todo território nacional.

"Eu tô pedindo apoio dos prefeitos, das prefeitas. Vamos lutar contra isso", convocou a empresária, que vê nos municípios a primeira linha de defesa contra a síndrome através de políticas de conscientização e acompanhamento pré-natal. A ativista enfatiza que "é salvando vidas" e que o projeto representa uma oportunidade concreta de prevenção de deficiências que poderiam ser evitadas com informação adequada.

A estratégia de Mussum para engajar o poder público municipal baseia-se na simplicidade e efetividade das ações propostas. "É muito difícil de alguém abraçar o nosso projeto. Eu não sei se é por causa do álcool", confessou a coordenadora, reconhecendo as resistências culturais e econômicas que envolvem a questão. No entanto, ela insiste que a solução é acessível: campanhas de conscientização direcionadas a gestantes e profissionais de saúde. O projeto busca transformar a realidade através da educação, evitando que mais crianças nasçam com deficiências preveníveis e que famílias enfrentem diagnósticos equivocados que prolongam o sofrimento.

Perspectivas de expansão e impacto social

A presença de Maíra Mussum no Uban 2025 representa um marco na divulgação do Projeto SAF, oferecendo uma plataforma nacional para sensibilizar gestores sobre a urgência da questão.

A empresária, que atua no ramo da construção civil e dedica parte significativa de seu tempo à coordenação do projeto, simboliza o engajamento da sociedade civil na busca por soluções para problemas de saúde pública negligenciados. Seu perfil nas redes sociais (@mairamussum) serve como canal de comunicação para ampliar o alcance da conscientização sobre a Síndrome Alcoólica Fetal, conectando famílias, profissionais de saúde e gestores públicos interessados em combater esta epidemia silenciosa.

O impacto potencial do Projeto SAF transcende a prevenção de deficiências, representando uma oportunidade de transformação social através da educação e conscientização.

Ao evitar que crianças nasçam com SAF, o projeto contribui para reduzir custos futuros com educação especial, tratamentos médicos e suporte social, além de melhorar significativamente a qualidade de vida de milhares de famílias brasileiras. A abordagem proposta por Mussum, focada na prevenção através da informação, alinha-se com as melhores práticas internacionais de saúde pública, oferecendo aos municípios brasileiros uma ferramenta eficaz para proteger as futuras gerações dos efeitos devastadores do álcool durante a gestação.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber, @robsontalber 

Repórter Antonio Lemos @djportugues

Sigam e compartilhem o nosso Instagram @jornalultimahoraonline

#MairaMussum #ProjetoSAF #SindromeAlcoolicaFetal #Uban2025 #SaudePublica #PrevenCAO #GestacaoSaudavel #DiagnosticoCorreto #PoliticasPublicas #ConsciencializacaoSocial

 

 

Por Ultima Hora em 30/12/2025
Aguarde..