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O Jornal da República Última Hora esteve presente na Rede de Liderança e Segurança Feminina, realizada no Atlântico Sul da Barra da Tijuca.
O encontro marcou a bandeira da proteção feminina como carro-chefe de saúde, família, empregabilidade, capacitação e segurança.
Mas quem roubou a cena foi Virgínia Mello, 68 anos, corretora de imóveis, mãe de três filhos homens e avó de cinco netos. Em entrevista ao Jornal da República, ela se emocionou ao falar de trabalho, política e o papel da mulher na sociedade brasileira.
O abismo da representação feminina
Virgínia começou sua fala repercutindo uma provocação direta de uma das palestrantes: "Quando você lembrou de ter votado numa mulher? "Qual o nome dessa mulher?"
A pergunta encontra eco em números que envergonham o país. Segundo o relatório da União Interparlamentar (UIP) e ONU Mulheres, o Brasil ocupa a 139ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina entre 188 países — dados de janeiro de 2026. A queda é expressiva: o país já esteve na 133ª colocação em 2025 e continua perdendo terreno.
Na Câmara dos Deputados, as mulheres ocupam apenas 18,1% das cadeiras (93 parlamentares). No Senado, são 19,8% (16 senadoras). O contraste é brutal: as mulheres representam 51,5% da população brasileira, segundo o Censo 2022 do IBGE.
"Eu acho que a mulher tem que estar envolvida nesses projetos, na política. "A mulher tem que ser bem atuante hoje e estar inteirada em tudo que acontece", afirmou Virgínia.
Para efeito de comparação, Ruanda lidera o ranking com 64,3% de representação feminina no Parlamento, seguida por Cuba (55,7%) e Nicarágua (54,5%). O Brasil está atrás de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Afeganistão no quesito participação feminina na política.
68 anos, 55 de trabalho ininterrupto.
Virgínia Mello começou a trabalhar aos 13 anos de idade e nunca parou. Hoje corretora de imóveis, construiu uma trajetória que atravessa mais de cinco décadas de mercado imobiliário no Rio de Janeiro.
"Eu vou fazer 68 anos e me orgulho muito de estar atuante no mercado. "Trabalho desde os 13 anos de idade, nunca parei de trabalhar", disse.
O perfil de Virgínia reflete um fenômeno nacional em expansão. O empreendedorismo feminino no Brasil atingiu 10,4 milhões de mulheres empreendedoras em 2025/2026 — o maior patamar da série histórica, segundo o Sebrae.
O crescimento foi de quase 30% em dez anos. O país ocupa hoje o 7º lugar no ranking mundial de mulheres à frente de negócios.
Mãe, avó e formadora de cidadãos.
Mãe de três filhos homens — um deles médico cardiologista, recém-instalado com consultório próprio na Barra da Tijuca —, Virgínia fez questão de destacar o orgulho de ter criado filhos que "caminham sozinhos".
"Eu tenho muito orgulho de ter três filhos que hoje caminham sozinhos, criaram suas famílias. Isso também me enche de orgulho como mulher. "A gente tem que criar bons cidadãos", afirmou.
Ela mencionou a criação do filho Sait Clair, que conhece de perto o trabalho do Jornal da República: "Ele foi criado assim, com muito sacrifício, começou a trabalhar muito cedo, pagou os estudos dele pelo trabalho dele. Isso tudo me dá muito orgulho."
A trajetória de Virgínia ecoa um dado do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas: 52% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres em 2025 — mais de 41 milhões de mulheres sustentando sozinhas a educação e o futuro dos filhos.
Empoderamento e a luta contra a violência.
O evento também colocou em pauta a violência contra a mulher, tema que o Rio de Janeiro conhece na pele.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025/2026 registrou 1.568 feminicídios no Brasil em 2025 — uma alta de 4,7% em relação a 2024.
O perfil das vítimas é conhecido: seis em cada dez mulheres assassinadas eram negras; metade tinha entre 30 e 49 anos; 80% dos criminosos eram parceiros ou ex-parceiros. O lar é o lugar mais perigoso para a mulher brasileira.
"Hoje em dia, a mulher não pode mais achar que é inferior a um homem. "Todas são iguais", afirmou Virgínia, em sintonia com o discurso de Jeanine Domenech, que idealizou o Mulher Presente — programa que já se tornou referência no estado e foi apresentado no primeiro Seminário de Segurança Pública de Vassouras em junho de 2026.
Casamento, luta e resiliência.
Virgínia também falou sobre os desafios pessoais sem romantizar a trajetória.
"Hoje eu me dou ao luxo de ter um casamento bem estruturado, mas não foi sempre assim. Foi muita luta, uma caminhada bem difícil. "Mas não há vitória sem luta", disse.
A frase resume a história de uma geração de mulheres brasileiras que, como ela, construíram patrimônio, criaram filhos e se mantiveram ativas no mercado de trabalho sem abrir mão da família. Aos 68 anos, Virgínia segue trabalhando, empreendendo e inspirando.
O que dizem os números?
Bio: Virgínia Mello.
Virgínia Mello é corretora de imóveis no Rio de Janeiro, profissão que exerce há décadas com dedicação e excelência.
Começou a trabalhar aos 13 anos e construiu toda a sua trajetória com base no esforço próprio. Mãe de três filhos homens — entre eles um médico cardiologista com consultório na Barra da Tijuca — e avó de cinco netos, Virgínia é exemplo de resiliência, independência e longevidade profissional.
Participante ativa de eventos voltados ao empreendedorismo e à liderança feminina, sua história pessoal — de superação, trabalho ininterrupto e criação de filhos que se tornaram profissionais de sucesso — a torna uma voz autêntica e necessária na defesa do protagonismo feminino na política e no mercado.

Foto; Renata Barbosa, Virgínia Mello e Saint Clair.
Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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