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O Jornal da República e Última Hora esteve no Atlântico Sul, na Barra da Tijuca, durante a Rede de Liderança e Segurança Feminina, evento que reuniu empreendedoras, lideranças comunitárias e pré-candidatas para discutir o papel da mulher na política, no mercado e na segurança pública.
Entre as patrocinadoras, um nome chamou a atenção pelo simbolismo do que representa: Beatriz Pontes, proprietária da Velaria Botânica.
Em meio a discussões sobre violência doméstica, sub-representação feminina no Congresso e os desafios de empreender sendo mulher no Brasil, Beatriz trouxe uma perspectiva que conecta o micro ao macro — do ato íntimo de acender uma vela ao movimento coletivo de ocupar espaços de poder.
O negócio que nasceu da solidão e virou propósito.
Beatriz começou a Velaria Botânica em um momento de virada pessoal. Sozinha, buscava dar "DNA" à própria casa — não apenas decorar, mas imprimir identidade em cada canto.
O que começou como um passatempo artesanal rapidamente se transformou em negócio.
"Eu comecei com a velaria porque gosto muito de velas e comecei a empreender quando estava sozinha e queria dar DNA para a minha casa." Não só fazer a parte de decoração, mas queria deixar a minha casa com uma identidade", contou Beatriz.
Hoje, ela produz velas em concreto — peças que unem design, sustentabilidade e funcionalidade — e se consolidou no mercado da zona oeste do Rio.
O perfil de Beatriz reflete um movimento nacional. Segundo o Sebrae, o Brasil atingiu 10,4 milhões de mulheres empreendedoras em 2025 — o maior patamar da série histórica.
O crescimento foi de 27% em dez anos, 16 pontos percentuais acima do verificado entre os homens. Só no estado do Rio de Janeiro, 20,8% das empresas abertas entre janeiro e maio de 2026 foram registradas por mulheres, segundo dados da Junta Comercial.
Autocuidado como resistência em tempos de violência.
Quando questionada sobre a relação entre seu negócio e o tema central do evento, segurança feminina, Beatriz não hesitou:
"Eu acho que tem tudo a ver, porque, quando eu acendo uma vela, a gente traz esse momento de autocuidado, principalmente nós, mulheres, que ficamos o dia todo na rua resolvendo coisas, problemas no dia a dia.
E aí a gente só quer paz quando chega em casa e um momento de relaxar. Então eu acho que tem tudo a ver a gente ter esse momento de autocuidado e recarregar as energias pro dia seguinte a gente estar lutando de novo na rua."
A fala ganha contornos dramáticos quando confrontada com os números da violência no país. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.568 feminicídios em 2025 — uma alta de 4,7% em relação a 2024.
Desde a tipificação da lei, em 2015, 13.703 mulheres foram assassinadas pela condição de ser mulher. Seis em cada dez vítimas eram negras; 80% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Em 66% dos casos de estupro, o crime ocorreu dentro de casa.
O autocuidado, para a mulher brasileira, não é luxo. É sobrevivência.
O abismo da representação
O evento também colocou em pauta a sub-representação feminina na política. O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina da ONU Mulheres e da União Interparlamentar, entre 189 países — atrás de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Afeganistão. Na Câmara, as mulheres ocupam apenas 18% das cadeiras. No Senado, 19,8%.
Enquanto isso, as mulheres já são chefes de 52% dos lares brasileiros — mais de 41 milhões de famílias sustentadas por mulheres, segundo a Fundação Getúlio Vargas com base no IBGE.
O contraste entre a responsabilidade que carregam e o espaço que ocupam nas decisões do país é um dos maiores desequilíbrios institucionais brasileiros.
O poder do pequeno negócio feminino
A Velaria Botânica é um exemplo de como o empreendedorismo feminino vem se consolidando como motor da economia.
O Sebrae aponta que 93% das mulheres começam a empreender por conta própria — sem herança, sem investimento externo, movidas por necessidade ou por desejo de autonomia.
O principal desafio apontado por 62% delas é a falta de conhecimento em gestão.
Beatriz driblou essa estatística na prática. Hoje, sua marca é presença em eventos de liderança feminina e referência para quem busca acolhimento por meio do bem-estar.
O Instagram da Velaria Botânica (@velariabotanica) é o canal em que divulga o trabalho e constrói uma comunidade em torno do autocuidado.
Bio: Beatriz Pontes.
Beatriz Pontes é proprietária da Velaria Botânica, marca de velas artesanais que nasceu da busca por identidade e propósito.
Especializada em velas de concreto, ela transformou um momento de solitude em um negócio que hoje é referência em bem-estar feminino na zona oeste do Rio de Janeiro.
Participante ativa de eventos de liderança e segurança feminina, Beatriz representa a força do empreendedorismo feminino que cresce sem investimento externo, movido por resiliência e talento.
Seu trabalho conecta autocuidado, decoração e empoderamento — uma vela acesa de cada vez.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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