Família de vereadora Gigi Castilho (Republicanos) cria rede de padarias fantasmas para desviar R$ 1,6 milhão de creches municipais

Padarias inexistentes e contratos milionários: o escândalo das creches ligadas à vereadora Gigi Castilho

Família de vereadora Gigi Castilho (Republicanos) cria rede de padarias fantasmas para desviar R$ 1,6 milhão de creches municipais

Escândalo das creches fantasmas: vereadora e família envolvidas em esquema milionário com dinheiro público

Um esquema sofisticado de desvio de recursos públicos destinados à educação infantil foi revelado pela TV Globo nesta segunda-feira. Duas creches comunitárias ligadas à família da vereadora Gigi Castilho (Republicanos) receberam aproximadamente R$ 65 milhões da Prefeitura do Rio desde 2019 e teriam contratado serviços de padarias que existem apenas no papel, em um aparente esquema para desviar verbas públicas.

O vereador Pedro Duarte (Novo), que, desde o ano passado, vem reunindo documentos e informações sobre os convênios entre as creches citadas e a prefeitura, falou à reportagem da TV globo:

Eu comecei a visitar muitas creches conveniadas exatamente por entender que o modelo é muito importante para a cidade do Rio de Janeiro. Funciona assim em várias outras capitais grandes cidades brasileiras. Agora, quando você começa a visitar, você vai vendo que falta a fiscalização. Tem muita gente boa, mas também tem muita gente má. E que sem fiscalização, sem o devido olhar do poder público, começa a fazer práticas muito ruins. Quando você não tem fiscalização, aí vai muito da criatividade de cada um de ver como vai fazer o uso da daquela brecha", disse.

Rede familiar de empresas fantasmas

A investigação jornalística do RJ2 descobriu que as creches Deus é Fiel e Creche Escola Machado, ambas com fortes ligações com a vereadora, realizaram pagamentos milionários a empresas de panificação que não funcionam nos endereços registrados. Em vez de padarias, os repórteres encontraram condomínios residenciais, terrenos vazios e até casas em construção.

Entre as empresas supostamente fantasmas está a Padaria e Mercearia Impacto, que recebeu R$ 97,5 mil por serviços nunca comprovados. O mais grave: a proprietária seria Andreza dos Santos Adão, filha da própria vereadora e atual presidente da Creche Escola Machado.

O esquema parece envolver uma extensa rede familiar. A "Padaria do Xandinho", que embolsou quase R$ 50 mil, pertence a Alexandre Graciano, sobrinho do marido da vereadora. Já a terceira padaria identificada na investigação, que recebeu aproximadamente R$ 90 mil, tem como dono Gustavo Graciano Grego, outro sobrinho de Luciano Castilho, marido da parlamentar.

Dinheiro público em família

A reportagem revelou ainda que, entre 2022 e 2023, nove empresas contratadas pelas creches receberam R$ 1,6 milhão. A investigação aponta que oito dessas empresas seriam de parentes ou pessoas ligadas à vereadora, configurando um possível esquema de nepotismo e desvio de recursos públicos.

Mesmo após deixar oficialmente a administração das creches em 2020, Gigi Castilho continuou exercendo influência nas instituições. Em um vídeo divulgado nas redes sociais três anos depois, ela aparece identificada como diretora da creche Deus é Fiel, contradizendo sua versão oficial de desligamento.

Autoridades investigam o caso

A Secretaria Municipal de Educação informou que está apurando as denúncias com o acompanhamento da Controladoria Geral do Município. O Tribunal de Contas do Município também já iniciou uma auditoria para verificar a legalidade dos contratos e pagamentos realizados.

Em nota, a vereadora Gigi Castilho classificou as acusações como "ilações e perseguições políticas infundadas". Ela afirma que, nos anos de 2022 e 2023, atuou apenas como diretora pedagógica da creche Deus é Fiel e não tinha conhecimento sobre as atividades financeiras e contratações.

Sua filha, Andreza dos Santos, defendeu-se alegando que todas as prestações de contas foram aprovadas pelo poder público, o que, segundo ela, comprovaria a efetiva prestação dos serviços contratados.

O caso levanta sérias questões sobre a fiscalização dos recursos públicos destinados a creches comunitárias, que são contratadas pela prefeitura para suprir a demanda de vagas que a rede municipal não consegue absorver.

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Por Ultima Hora em 24/06/2025
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