FGV 'desconhece assunto' mas moradores conectam instituição a decreto polêmico de Eduardo Paes: Fundação com histórico de R$ 487 milhões em movimentações suspeitas é citada em treta por desapropriação de Mercado famoso

Paes desapropria imovél de interesse da Fundação Getúlio Vargas, para posterior venda em leilão por hasta pública do terreno, mas Grupo Sendas entra na justiça para rever seu imóvel que é um supermecado há 50 anos

FGV 'desconhece assunto' mas moradores conectam instituição a decreto polêmico de Eduardo Paes: Fundação com histórico de R$ 487 milhões em movimentações suspeitas é citada em treta por desapropriação de Mercado famoso

Grupo Sendas contesta na Justiça decreto que tomou prédio com comércio ativo; vereador e moradores denunciam irregularidades no processo

A Prefeitura do Rio de Janeiro enfrenta uma crise de legitimidade após a publicação do decreto que desapropriou o prédio localizado na Rua Barão de Itambi, 50, em Botafogo, para posterior leilão por hasta pública. A medida, assinada pelo prefeito Eduardo Paes em 27 de novembro, gerou reação imediata de empresários, moradores e vereadores, que contestam a legalidade da ação e apontam possíveis irregularidades no processo.

O Grupo Sendas, que manteve um supermercado no local por mais de cinco décadas, ingressou com ação judicial contra o decreto municipal. Arthur Sendas Filho, presidente da empresa, alega que o imóvel não estava abandonado e que já existiam contratos válidos para a instalação da Rede Mundial no espaço, com todas as autorizações necessárias devidamente concedidas, incluindo aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A controvérsia expõe possíveis distorções no uso do instrumento de hasta pública, criado originalmente para acelerar a reocupação de imóveis abandonados ou que não cumprem sua função social. No caso específico de Botafogo, o prédio abrigava comércios ativos, incluindo um supermercado e uma academia, que atendiam diariamente a comunidade local.

O vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos e autor da emenda ao Plano Diretor que criou o mecanismo de hasta pública, classificou a aplicação do instrumento como "distorção do uso adequado". Duarte, que frequenta a academia do prédio há cinco anos, enviou requerimento de informações à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano questionando os critérios técnicos que embasaram a decisão.

Falta de transparência gera desconfiança na comunidade

A ausência de diálogo prévio com a comunidade e a falta de divulgação dos estudos técnicos que fundamentaram a desapropriação intensificaram a desconfiança dos moradores. Flávia Canavieira Neves, síndica de condomínio vizinho ao prédio, revelou que nenhum morador foi informado sobre a medida, tomando conhecimento da situação apenas através de "papo de corredor".

A síndica destacou que o fechamento dos serviços afetará diretamente o cotidiano da região, retirando um mercado e uma academia que atendiam a vizinhança. "A rua vivia cheia e movimentada. Ainda tem a questão de segurança, com pouca movimentação de pessoas, cresce a insegurança", alertou Flávia, evidenciando as consequências práticas da medida para a dinâmica urbana local.

Arthur Sendas Filho expressou frustração com a falta de diálogo institucional, revelando que enviou três solicitações de audiência ao gabinete do prefeito sem obter resposta. "Eu esperava mais diálogo. As lojas Sendas chegaram a ser a maior rede varejista do Rio, e meu pai foi presidente da Associação Comercial", declarou o empresário, destacando o histórico de contribuição da família para o desenvolvimento comercial da cidade.

A situação ganha contornos mais graves quando se considera que o Grupo Sendas mantém investimentos significativos no município e possui contratos válidos para a continuidade das atividades comerciais no imóvel. A empresa alega que a transição entre as bandeiras Pão de Açúcar e Mundial estava em andamento normal quando o decreto foi publicado, caracterizando uma interrupção abrupta de processos empresariais legítimos.

Suspeitas de direcionamento abalam credibilidade do processo

Entre moradores e comerciantes da região, circulam suspeitas de que o leilão do imóvel possa estar direcionado para beneficiar grupos específicos. Flávia Canavieira mencionou rumores sobre possível interesse da Fundação Getúlio Vargas no terreno, destacando a "força política" da instituição como elemento que aumenta a desconfiança da população. Essas alegações, embora não comprovadas, refletem a percepção de falta de transparência no processo decisório municipal.

A Fundação Getúlio Vargas, quando procurada pela imprensa, afirmou "desconhecer o assunto", negando qualquer envolvimento na questão. No entanto, a instituição enfrenta seus próprios desafios judiciais, incluindo investigações sobre movimentações financeiras suspeitas envolvendo contratos públicos, o que pode ter contribuído para a especulação sobre seu possível interesse no imóvel.

O contexto se torna ainda mais complexo considerando que a FGV já foi alvo da Operação Sofisma, da Polícia Federal, que investigou movimentações de R$ 487 milhões atribuídas a dirigentes da instituição. Embora a operação tenha suspensa pelo ministro Gilmar Mendes, as suspeitas sobre práticas irregulares da fundação permanecem no imaginário público. O MP QUE VELA A FUNDAÇÃO E FEZ UM TAC COM A FGV AINDA NÃO SE MANIFESTOU.

Questionamentos técnicos e jurídicos se acumulam

O vereador Pedro Duarte elaborou lista detalhada de questionamentos à prefeitura, incluindo critérios para escolha do imóvel, caracterização como abandonado, existência de vistoria técnica prévia e justificativa para "renovação urbana". Esses questionamentos evidenciam possíveis falhas no processo administrativo que precedeu a desapropriação.

A aplicação do instrumento de hasta pública em imóvel com comércio ativo contraria o espírito da lei, que visa acelerar a reocupação de espaços ociosos ou degradados. No caso específico, o prédio mantinha intensa circulação de pessoas e prestava serviços essenciais ao bairro, descaracterizando a necessidade de intervenção pública para garantir sua função social.

Arthur Sendas Filho classificou o decreto como "ilegal" e anunciou que utilizará "tudo o que estiver ao alcance por meio da Justiça" para impedir a desapropriação. A empresa alega que a medida "gera insegurança jurídica enorme" para investidores que mantêm contratos válidos e atividades em funcionamento regular.

A situação expõe contradições na política urbana municipal, que deveria priorizar a manutenção de atividades econômicas consolidadas em detrimento de intervenções que podem gerar esvaziamento e degradação urbana. A remoção de serviços essenciais como supermercado e academia pode produzir efeito contrário ao pretendido pela "renovação urbana".

Impactos na segurança jurídica e desenvolvimento urbano

A controvérsia transcende o caso específico e levanta questões fundamentais sobre segurança jurídica e critérios para intervenção pública em propriedades privadas. A desapropriação de imóvel com função social ativa pode estabelecer precedente perigoso para outros proprietários e investidores na cidade.

O caso ilustra a importância da transparência e participação social em processos de renovação urbana, especialmente em áreas valorizadas como Botafogo. A ausência de diálogo prévio com a comunidade afetada compromete a legitimidade da medida e pode gerar resistência desnecessária a políticas urbanas legítimas.

A Prefeitura do Rio informou que seguirá "o rito previsto na constituição e lei para desapropriação e posterior leilão por hasta pública", mas não apresentou justificativas específicas para a escolha do imóvel nem estudos técnicos que comprovem a necessidade da intervenção. A avaliação do imóvel pela Procuradoria Geral do Município está prevista para janeiro, quando também deve ser definida a data do leilão.

O desfecho do caso pode influenciar futuras políticas de renovação urbana na cidade, estabelecendo parâmetros para aplicação de instrumentos como a hasta pública. A resolução adequada da controvérsia exige equilíbrio entre interesse público legítimo e proteção aos direitos de propriedade e livre iniciativa, fundamentais para o desenvolvimento econômico sustentável da cidade.

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Fonte G1, Terra, Tempo Real, Pedro Duarte. Foto ilustrativa de Paes e diretor da FGV que foi alvo da Operação Sofisma

Por Ultima Hora em 23/12/2025
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