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Ex-governador do Rio revela detalhes sobre investigações e menciona contas no Panamá em nome do pai do atual prefeito

Conexões financeiras internacionais e esquemas sofisticados
Em declarações contundentes, o ex-governador Anthony Garotinho levantou sérias dúvidas sobre a possível candidatura de Eduardo Paes ao governo do estado e revelou detalhes sobre por que o atual prefeito do Rio não teria sido preso junto com Sérgio Cabral, apesar das supostas conexões entre ambos.
Segundo Garotinho, a diferença fundamental estaria na forma como Paes teria operado: "O Eduardo Paes fazia tudo de uma forma diferente do Cabral". O ex-governador mencionou que o irmão de Eduardo Paes, Guilherme Paes, "exerce uma função quase que de mando no BTG Pactual", sugerindo conexões com o sistema financeiro que teriam facilitado operações mais sofisticadas.
"Tudo dele foi feito de uma forma por dentro", afirmou Garotinho, explicando que a única prova que ele teria anexado contra Paes durante investigações seria relacionada a "dinheiro que ele havia adquirido ilicitamente mas não conseguiu esquentar".
Contas no Panamá e a Mossack Fonseca
Em sua revelação mais detalhada, Garotinho mencionou duas contas no Panamá que estariam em nome de Valmar Paes, pai de Eduardo Paes, cada uma contendo 4 milhões de dólares. Estas contas teriam sido identificadas durante investigações sobre a Mossack Fonseca, descrita por ele como "uma das maiores lavanderias de dinheiro do mundo".
"Você tem um dinheiro sujo sem origem, você quer esquentar esse dinheiro, você vai na Mossack Fonseca. A Mossack Fonseca te arranja um panamenho, pode ser um gari, no caso dele um jardineiro. Bota no nome desse cara, leva no cartório particular, o cartório faz uma procuração passando os poderes para o verdadeiro dono do dinheiro, no caso ali o seu Valmar Paes", explicou Garotinho sobre o suposto esquema.
O que teria chamado a atenção de Garotinho foi o fato de que o mesmo "laranja" teria sido utilizado em outro caso: "Ele deu azar de colocarem como o teste de ferro dele, o laranja dele, o mesmo cara que tinha sido usado pela Mossack Fonseca para esquentar o dinheiro do Zé Dirceu".
Investigação internacional e documentos obtidos
Garotinho afirmou que, ao identificar essa coincidência, enviou um policial civil que estava à disposição de seu gabinete como deputado ao Panamá para obter os documentos comprobatórios: "Mandei ele no Panamá, que loucura, ele foi lá e pegou os documentos, então eu anexei".
Apesar dessas supostas evidências, Garotinho reconheceu que Paes "teve na beirinha" de problemas legais, mas "não respingou nada nele". Ele observou que, entre todos os políticos envolvidos em escândalos no Rio, Paes "foi quem menos perdeu politicamente".
Histórico de acusações em debates eleitorais
As acusações de Garotinho contra Paes não são recentes. Durante o debate eleitoral para o governo do Rio em 2018, transmitido pela Band, Garotinho já havia tentado associar Paes a Cabral, "denunciando uma organização criminosa que atuou fortemente no Estado" e afirmando que o povo precisava "arrancar a máscara desse candidato".
Na ocasião, Índio da Costa (PSD) também criticou a gestão de Paes na prefeitura, alegando que "o modelo de propina na gestão Paes era igual ao do governo do Estado, tratado como 'taxa de oxigênio'".

Cabral depôs que Paes recebeu R$ 6 milhões em caixa dois do "Rei Arthur"
Em outro desdobramento relacionado, o ex-governador Sérgio Cabral, em depoimento ao juiz Marcelo Bretas na 7ª Vara Federal Criminal, afirmou que o empresário Arthur Soares, conhecido como "Rei Arthur" (atualmente foragido da Justiça), teria contribuído com R$ 6 milhões em caixa dois para a campanha de Eduardo Paes em 2008.
Segundo Cabral, essa doação teria sido feita em troca de Arthur ganhar uma licitação para oferecer serviços no Centro de Operações Rio (COR). "Houve depois um certo ruído entre ele e o Eduardo, porque ele reclamou que o Eduardo não o atendia com contratos. Acabou sendo atendido na área da saúde e também na área do centro de controle da prefeitura", declarou Cabral.
Paes, por sua vez, negou ter recebido doações irregulares, afirmando em nota que "todas as doações feitas para as campanhas dele sempre foram realizadas de forma voluntária e espontânea" e que "foram declaradas e devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral".
Dúvidas sobre candidatura futura
Apesar do histórico político de Paes e sua atual posição como prefeito do Rio, Garotinho expressou dúvidas sobre sua possível candidatura ao governo do estado: "É um cara que vai ser governador agora? Não sei, tenho minhas dúvidas se ele vai ser governador, eu tenho minhas dúvidas."
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FONTES:
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