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Em uma entrevista exclusiva concedida ao Jornal da República diretamente da Pousada Leonardo da Vinci, em Miguel Pereira, o Grão-Mestre Luís Carlos, conhecido como "Marreco do Japão", revelou detalhes de sua impressionante trajetória de 47 anos dedicados ao taekwondo. O mestre nono Dan, uma das mais altas graduações dessa arte marcial, compartilhou sua experiência internacional e seu trabalho na formação de dezenas de atletas e professores que hoje representam o município e o país em competições nacionais e internacionais. Apesar de seu notável sucesso, o mestre revelou que nunca recebeu qualquer tipo de incentivo da administração municipal, sustentando suas atividades através do apoio de empresários locais e de seu próprio esforço.
Sua jornada internacional começou em 1997, quando teve a oportunidade de passar um ano no Japão ministrando aulas. Ao retornar ao Brasil, Luís Carlos intensificou seu trabalho de formação de novos talentos, chegando a formar 86 faixas pretas, entre professores, mestres e grão-mestres. "Temos aqui uma grande referência que é o mestre Robson Monteiro da Academia Fênix, que traz o maior número de medalhas para nossa cidade", destacou com orgulho. Entre os outros nomes de destaque formados por ele estão o mestre Tuninho e o mestre Léo, que conquistaram centenas de medalhas para Miguel Pereira, além de Carol, que chegou à seleção brasileira e disputou campeonatos mundiais, e Camila Carvajal, hoje mestre quarto Dan.

A influência de Luís Carlos no taekwondo fluminense extrapola os limites de Miguel Pereira. Atualmente, ele mantém academias espalhadas por diversas cidades do estado do Rio de Janeiro, incluindo Campo do Goitacá, Santo Antônio de Pádua, Nova Iguaçu, Maricá e Magalhães Bastos. "Temos uma equipe muito grande, mais de 200 atletas", afirmou o mestre, que também desenvolve projetos sociais gratuitos. Na escola do Lelé, por exemplo, ele atende mais de 60 alunos sem cobrar "um centavo" há mais de cinco anos, demonstrando seu compromisso com a democratização do acesso ao esporte e seu potencial transformador na vida de crianças e jovens.
Sua contribuição ao esporte também se estendeu à esfera administrativa. Luís Carlos relatou sua experiência como dirigente esportivo, inicialmente como vice-presidente da federação, assumindo posteriormente a presidência após a renúncia do então presidente por motivos de saúde. "Fui candidato mais duas vezes e fui presidente por oito anos, onde fiz a melhor gestão do estado do Rio de Janeiro", declarou. Durante sua gestão, ele afirma ter dado oportunidades a todos os atletas e mestres, levando o maior número de competidores para representar o Rio de Janeiro em torneios. Em um campeonato específico, 86 atletas representaram o estado, todos uniformizados e com taxas de participação pagas pela federação sob sua liderança, que ao final de seu mandato deixou um caixa de R$ 23.800.
Questionado sobre o apoio recebido da prefeitura de Miguel Pereira durante sua longa trajetória na formação de atletas medalhistas, Luís Carlos foi categórico: "Para mim, o apoio foi zero". Apesar da falta de incentivo público, o mestre destacou o fundamental suporte recebido do empresário Leonardo da vinci, descrito como "um amante do esporte", ex-atleta e ex-proprietário de academia. "Ele sempre ajudou o esporte aqui em Miguel Pereira, principalmente o taekwondo", afirmou. O empresário já organizou eventos de MMA na cidade e apoiou o evento Féis Several Fight, que segundo o mestre foi "um sucesso total". A história de Luís Carlos é um exemplo de como a dedicação e a paixão pelo esporte podem superar a falta de políticas públicas de incentivo, mas também evidencia as dificuldades enfrentadas por mestres e atletas que dedicam suas vidas ao desenvolvimento esportivo do país.

Por Robson Talber @robsontalber entrevista Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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