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O processo eleitoral do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), que deveria seguir para o segundo turno das eleições de reitor(a) e diretores(as)-gerais, foi interrompido por uma crise institucional após decisões da Comissão Eleitoral Central (CEC) que culminaram na cassação da candidatura da professora Alessandra Paulon, única mulher no pleito e a mais votada no primeiro turno.
A campanha da professora afirma que a instituição enfrenta uma tentativa de golpe eleitoral, caracterizada por decisões que desconsideram entendimentos jurídicos consolidados e criam um ambiente de instabilidade no processo de consulta. Segundo sua equipe, as denúncias que fundamentaram a cassação são frágeis e carecem de materialidade.
A movimentação e as manobras que levaram à crise no processo eleitoral têm sido articuladas por um grupo de servidores que, mesmo responsável pela contestação que desencadeou o impasse, se autointitula “Frente pela Gestão Democrática no IFRJ”. Na prática, porém, esse grupo tem atuado para tentar reinserir no processo o candidato que não avançou ao segundo turno, buscando reverter pela via administrativa o resultado já definido nas urnas.
A decisão da CEC baseou-se exclusivamente em postagens feitas por terceiros, sem qualquer vínculo comprovado com a candidatura de Alessandra Paulon. Não há evidências de participação, anuência ou benefício à candidata, o que, segundo sua defesa, inviabiliza sua responsabilização.
Assim que foram notificadas, a candidata e sua equipe apresentaram todos os esclarecimentos solicitados, incluindo declarações formais dos próprios autores das postagens, afirmando que atuaram de forma independente e que a professora não teve qualquer relação com os conteúdos publicados. Apesar disso, os argumentos não foram acolhidos pela Comissão.
Antes da cassação, a CEC suspendeu o calendário eleitoral, medida que gerou instabilidade interna e prolongou artificialmente o processo, abrindo margem para novas decisões controversas.
A situação foi agravada pela renúncia de dois presidentes da Comissão Eleitoral Central e pela redução da representatividade de segmentos, elementos que, segundo docentes e técnicos, fragilizaram a condução do processo.
Mesmo sem o esgotamento dos prazos de defesa, a Comissão aplicou uma advertência pública e, em seguida, cassou a candidatura — eliminando da disputa a candidata mais votada e única mulher concorrendo ao cargo.
Para integrantes da campanha de Alessandra Paulon, o caso configura violência política de gênero, ao excluir da disputa a única mulher entre os candidatos, justamente quando sua candidatura havia recebido a maior votação no primeiro turno.
A equipe jurídica da professora anunciou que adotará medidas judiciais para reverter a decisão e restabelecer o processo democrático, assegurando o direito da comunidade escolar de escolher sua gestão.
O episódio gerou forte repercussão na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, especialmente entre grupos que monitoram casos de violência política de gênero e ameaças à integridade de processos eleitorais.
O pleito contou com quatro candidaturas, sendo apenas uma feminina:
10 – Alessandra Ciambarella Paulon
Professora titular EBTT do IFRJ, doutora em História Social (UFRJ), especialista em Educação Profissional e Tecnológica, currículo, avaliação e formação docente. Única mulher na disputa e primeira colocada no 1º turno.
20 – Rodney Cezar de Albuquerque
Professor do IFRJ, doutor em Informática na Educação (UFRGS), ex-pró-reitor do IFRJ e diretor-geral reeleito em dois campi.
30 – Fernando Moraes de Oliveira
Professor do IFRJ, doutor em Engenharia de Sistemas e Computação (UFRJ) e dirigente nacional do SINASEFE; ex-candidato à Prefeitura de Cabo Frio. Foi candidato à Prefeitura de Cabo Frio pela UP e teve 356 votos - 0,35 % do pleito. Foi o candidato derrotado e pelo voto popular foi excluído do processo.
40 – Thiago Matos Pinto
Professor e atual diretor-geral do Campus Nilópolis do IFRJ; ex-diretor de Ensino Médio e Técnico da mesma unidade.
A crise instalada no IFRJ coloca em xeque a confiança no processo eleitoral e reacende o debate sobre a proteção da democracia interna nas instituições federais de ensino. Enquanto isso, a comunidade acadêmica aguarda uma solução que restabeleça a normalidade institucional e garanta o respeito ao voto da comunidade.
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