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Jornal da República e Última Hora direto da Bienal do Livro 2025, um dos maiores eventos literários do país. Entre as obras que têm chamado a atenção do público está a saga "Diário de Hass", do autor Eliel Ferraz, que acaba de lançar o quarto volume da série e já prepara o quinto para ainda este ano.
Em entrevista exclusiva, Ferraz revelou os bastidores de sua criação literária e a inusitada inspiração que deu origem à história de O Diário de Hass, um garoto de 7 anos que começa a ser atormentado por experiências sobrenaturais.
"O Diário de Hass vai contando a história do Hass, que é um garoto de 7 anos que começa a ser atormentado por experiências sobrenaturais e a vida do garoto começa a virar um caos." Dentro dessa jornada, é ele se descobrindo enquanto pessoa e a gente, enquanto leitor, vai vivendo a vida pelos olhos do Hass, porque todos os livros são escritos em primeira pessoa", explicou o autor.
O que torna a saga "O Diário de Hass" particularmente especial é a abordagem inovadora que Ferraz desenvolveu para tornar a leitura mais acessível e envolvente. "Eu tenho TDH, então tenho um pouco de dificuldade com leitura." Eu fui pegando essa dificuldade, fui quebrando ela e colocando dentro do livro", revelou o autor, demonstrando como transformou um desafio pessoal em um diferencial para sua obra.
Segundo ele, quando uma pessoa adquire o livro, leva consigo não apenas a história, mas uma experiência completa que inclui "brindes físicos, digitais, e a diagramação do livro é específica". Trata-se de "todo um projeto para que as pessoas que têm dificuldade e para que as pessoas que já têm leitura sintam cada vez mais fácil o deslanchar da leitura", detalhou Ferraz, evidenciando sua preocupação em tornar a literatura acessível para diferentes perfis de leitores.
A saga acompanha o crescimento do personagem principal ao longo dos volumes, partindo da infância até a fase adulta. "O livro vai pegando da infância, avançando na adolescência, até a gente chegar na fase adulta." Por enquanto, a gente está nesse momento de decisão entre a adolescência e a fase adulta, que encerra no volume 4", explicou Ferraz.
O próximo lançamento, previsto para ainda este ano, já apresentará o protagonista na fase adulta, marcando uma nova etapa na narrativa. "A previsão é que a saga tenha pelo menos oito volumes, então tem muita coisa ainda para acontecer", adiantou o autor, revelando que a história atualmente está na metade de seu arco narrativo planejado, o que deixa os fãs ansiosos para descobrir o que mais está por vir na trajetória de Hass.
O mais surpreendente na entrevista foi a revelação sobre a origem da história, que, segundo o autor, surgiu de uma experiência pessoal inexplicável. "Eu narro nesse primeiro volume como foi que surgiu, porque O Diário de Hass surgiu a partir de uma experiência que é quase inexplicável." Então eu coloco como sobrenatural", contou Ferraz.
Ele detalhou o episódio: "Estava dormindo na minha casa, minha janela foi arrombada." Estava dormindo e, a partir disso, comecei a ter a sensação de que tinha alguém no quarto.
As duas semanas seguintes foram difíceis para o autor, que não conseguia dormir adequadamente enquanto uma cena específica "ficava martelando na cabeça de forma recorrente". Foi apenas quando decidiu sentar e escrever que encontrou alívio: "Na hora que eu sentei para escrever, a história saiu quase inteira desse volume um." Terminei de sair do computador, na hora que eu deitei na cama, apaguei. Eu dormi quase umas 24, 36 horas e acordei", recordou o autor sobre a experiência quase catártica de dar vida ao primeiro livro da saga.
O que muitos leitores talvez não saibam é que a história ficou engavetada por mais de uma década antes de vir a público. "Isso foi nos meus 18 anos, ali no ano de 2008, essa experiência aconteceu."
Então, quando eu peguei para desengavetar no começo da pandemia, o que era um livro se abriu, foi se abrindo", revelou Ferraz. O período de isolamento social serviu como catalisador para a expansão da narrativa: "Em um ano, eu peguei aquela história que estava miudinha e transformei em três livros, e aí depois já vim lançando o quarto".
O autor mantém uma média de um lançamento por ano, demonstrando sua dedicação à saga e aos leitores que acompanham a jornada de Hass através dos mistérios sobrenaturais que permeiam sua vida desde a infância até os desafios da vida adulta que começarão a ser explorados no próximo volume.
Literatura independente ganhando espaço.
Ao final da entrevista, Heliel Ferraz fez questão de agradecer a oportunidade de falar sobre seu trabalho, destacando os desafios enfrentados por autores independentes no mercado editorial brasileiro. "Só quem é autor independente sabe a dificuldade, então ter uma mídia, ter um espaço para falar, muito obrigado", expressou. Para os interessados em conhecer a saga "O Diário de Hass", o autor indicou seu perfil no Instagram (@HFPessoa), que é verificado, e mencionou que os livros estão disponíveis na Amazon e em outras plataformas.
O caso de Heliel Ferraz ilustra como a literatura independente vem conquistando seu espaço em grandes eventos como a Bienal do Livro, oferecendo aos leitores narrativas originais e formatos inovadores que muitas vezes fogem dos padrões tradicionais das grandes editoras.

Por Robson Talber @robsontalber Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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