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Influenciadora clama por inclusão de corpos diversos na moda e critica invisibilidade de mulheres maduras na indústria criativa
O Rio Fashion Week, maior evento de moda da América Latina, ganhou perspectiva inovadora com a participação de Eli 50maisFeliz, influenciadora digital que transformou sua experiência pessoal em movimento pela valorização e representatividade de mulheres acima de 50 anos.
Durante entrevista no evento, a paulista radicada no Rio de Janeiro criticou duramente a exclusão sistemática de mulheres maduras no universo da moda, questionando padrões estéticos endurecidos que marginalizam gerações inteiras da população feminina brasileira.
A plataforma criada por Eli transcende simples produção de conteúdo sobre vestuário. Funciona como movimento de resistência contra lógicas de exclusão etária que estruturam a indústria criativa há décadas.
Conforme a influenciadora, mulheres que ultrapassam a marca dos 50 anos sofrem pressão sistemática para desaparecer do espaço público — abandonando desejos de expressão pessoal, participação social e autonomia estética. "A ideia é divulgar que as mulheres 50 mais continuem se amando, não se importando com julgamentos, usando as roupas que elas quiserem, participando da sociedade do jeito que quiserem", explicou Eli durante seu pronunciamento.
O Direito ao Envelhecimento sem Marginalização
Eli apresentou argumentação contundente sobre direitos negados sistematicamente a mulheres maduras. Segundo ela, não existe motivo legítimo para que mulheres cessem participação social, profissional ou cultural simplesmente porque chegaram aos 50 anos.
"A gente tem direito de levar a vida que a gente quiser, do jeito que a gente quiser, se vestindo como a gente quiser, se amando, sendo respeitada e não à margem da sociedade como muitas vezes nós somos colocadas", afirmou com veemência.
O argumento mobiliza conceito fundamental de direitos humanos: autonomia corporal e autodeterminação. A influenciadora rejeita narrativas que associam envelhecimento feminino com invisibilidade social obrigatória.
Ao contrário, propõe que direitos conquistados — participação em espaços públicos, liberdade de expressão estética, respeito à integridade pessoal — não desaparecem por decisão cronológica.
"Então eu tô aqui para divulgar que a mulher 50 mais precisa lutar pelos seus direitos e a gente vai conseguir ter todos os direitos que sempre foram nossos, que nunca deveriam ter sido tirados", concluiu.
Solidariedade Intergeracional como Estratégia
Um dos aspectos mais sofisticados do pronunciamento foi a interpelação dirigida a mulheres jovens. Eli não posicionou a questão como conflito geracional, mas como exercício de solidariedade temporal: "Hoje quem é jovem amanhã alcançará o 50, né?" A proposição reconhece que todas as mulheres vivenciarão o envelhecimento, tornando comum interesse em rejeitar sistemas que marginalizam mulheres maduras.
A influenciadora convidou jovens mulheres a abandonarem críticas superficiais e julgamentos moralizantes sobre corpos envelhecidos.
"Pessoal, mulheres jovens, vamos apoiar umas as outras. Um dia todas nós vamos envelhecer. Então vamos apoiar quem tá envelhecendo. Não vamos criticar que fulana ou cicrana está feia, está velha. É o caminho de todas nós", argumentou. A mensagem transcende mero apelo emocional — estrutura-se como reconhecimento de que perpetuação de padrões etários restritivos prejudica cumulativamente todas as mulheres ao longo de suas vidas.
Moda como Campo de Inclusão ou Exclusão
Cuando questionada especificamente sobre moda para mulheres 50 mais, Eli ofereceu resposta radical: "A moda para 50 mais deve ser a mesma moda para 50 menos."
A afirmação desafia segmentação mercadológica que oferece a mulheres maduras versões "apropriadas" — frequentemente mais conservadoras, menos ousadas — de designs disponibilizados para mulheres jovens. Conforme Eli, ausência de justificativa legítima para essa diferenciação.
A influenciadora identificou obstáculo real: não é que moda 50 mais não exista formalmente, mas que mulheres maduras sofrem internalização de mensagens que as desestimulam de usar roupas disponibilizadas a mulheres jovens.
"A mulher 50 mais ainda tem muito receio de usar roupas que são destinadas às mulheres mais jovens, mas a gente pode usar tudo que a gente quiser. Desde que a gente esteja se sentindo bem com o nosso corpo, não tem motivo algum pra gente não usar a mesma roupa que a menina de 25, de 30 tá usando", ressaltou.
O Problema da Representatividade na Indústria Criativa
Eli tocou em questão estrutural crucial: ausência de representatividade cria ausência de inspiração. Segundo ela, marcas de moda raramente investem em influenciadores 50 mais, tornando invisível para mulheres maduras como seus pares experienciam moda, estilo e confiança corporal.
"Muitas vezes a gente não consegue se espelhar em quem a gente tá vendo divulgando aquela marca. Eu mesma comecei a trabalhar nesse ramo por falta de ter influências para chegarem até mim. Eu vi as meninas todas muito magras, todas muito jovens e eu falei: 'Eu preciso me espelhar em alguma mulher. Quem é essa mulher? Tem muito poucas'", revelou.
A narrativa pessoal de Eli exemplifica fenômeno estrutural: quando indústria oferece representação exclusivamente de corpos jovens, mulheres maduras carecem de modelos que legitimem suas escolhas estéticas e existenciais.
Isso gera ciclo: marcas não investem em influenciadores 50 mais porque percebem mercado reduzido; mercado permanece reduzido porque mulheres maduras não encontram inspiração para participar dele. Eli buscou romper esse ciclo tornando-se exatamente o tipo de influenciadora que não encontrou quando jovem.
Envelhecimento como Questão de Bem-estar e Paz
Um momento particularmente significativo foi quando Eli reafirmou que qualidade do envelhecimento varia conforme escolhas pessoais e preferências estéticas — não existe forma "certa" de envelhecer. "Umas envelhecem de forma melhor, outras envelhecem de forma mais natural ou menos natural.
E isso depende do gosto de cada um. O importante é a gente tá feliz, tá se sentindo bem e não ser tão julgada, tão criticada, tão colocada à margem da sociedade", argumentou.
A proposição rejeita tanto imperativo de perpetual juventude quanto imposição de envelhecimento "natural" e "digno" — categorias que frequentemente mascaram controle moral sobre corpos femininos. Para Eli, liberdade envolve direito de escolher como envelhecer, sem julgamento externo sobre adequação moral dessas escolhas. "A gente tem que envelhecer em paz", concluiu de forma contundente.
Impacto Cultural e Próximos Passos
A presença de Eli no Rio Fashion Week sinaliza movimento mais amplo: reconhecimento de que indústria criativa brasileira precisa expandir representatividade além segmentos tradicionais. Mulheres maduras representam contingente significativo de consumidoras — com poder aquisitivo frequentemente superior ao de mulheres jovens — que permaneciam invisibilizadas em estratégias de marketing e design.
O trabalho de Eli como influenciadora (@eli50maisFeliz no Instagram) oferece aos seguidores exatamente o que ela não encontrou: referência de mulher madura vivendo plenamente, fazendo escolhas estéticas próprias, participando de eventos de moda de grande relevância.
Essa visibilidade possui impacto potencial de normalizar participação de mulheres 50 mais em espaços que historicamente as marginalizaram.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Rio Fashion Week — programação e participação de influenciadores; pesquisa sobre representatividade em moda e publicidade; análise de dinâmicas de inclusão e exclusão em indústria criativa; dados sobre mercado consumidor de mulheres maduras no Brasil.
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