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Tetracampeã repete placar histórico de 2014 e abre o Grupo E com show de gols em Houston; Escócia vence Haiti e assume liderança do grupo do Brasil
A estreia dos sonhos e do pesadelo
A Alemanha começou a Copa do Mundo de 2026 como quem não quer brincadeira. Em Houston, no NRG Stadium, a tetracampeã mundial não tomou conhecimento de Curaçao e aplicou uma goleada de 7 a 1 na estreia do Grupo E. O placar, para os brasileiros, soa familiar: foi o mesmo 7 a 1 de 2014, quando a Alemanha humilhou o Brasil no Mineirão, em Belo Horizonte, numa das páginas mais tristes da história do futebol nacional. Desta vez, o algoz foi o mesmo, mas a vítima foi diferente — e a lembrança, para o torcedor brasileiro, ainda dói.
Curaçao, a menor nação a disputar uma Copa do Mundo, com apenas 158 mil habitantes, fazia sua estreia histórica no torneio. E começou até bem. Aos 5 minutos, o volante Felix Nmecha abriu o placar para os alemães, mas a resposta veio rápida: Comenencia empatou para a seleção caribenha, calando o estádio por alguns instantes e mostrando que a "Onda Azul" não estava ali para passear.
O empate, no entanto, foi um sopro de esperança em meio ao furacão alemão.
O primeiro tempo que virou massacre
A reação de Curaçao acordou a Alemanha. Aos 38 minutos, Nico Schlotterbeck subiu mais alto que a defesa adversária e, de cabeça, recolocou os alemães na frente. O gol acalmou os comandados de Julian Nagelsmann, que passaram a controlar as ações. Já nos acréscimos da primeira etapa, Kai Havertz, o camisa 7 do Arsenal, cobrou pênalti com frieza e ampliou para 3 a 1. Fim de primeiro tempo, e a sensação era de que o pior ainda estava por vir para os caribenhos.
O intervalo não foi suficiente para reorganizar a defesa de Curaçao. Logo aos 47 minutos, Jamal Musiala — o jovem craque do Bayern de Munique, eleito o melhor jogador da última Bundesliga — dominou na entrada da área e bateu de primeira, sem chance para o goleiro. Era o quarto gol alemão e o começo de uma avalanche que não daria trégua.
Se Curaçao esperava conter a Alemanha no segundo tempo, a realidade se mostrou cruel.
Undav e Havertz fecham a conta
O quinto gol saiu dos pés de Nathaniel Brown, que recebeu passe açucarado de Deniz Undav e só empurrou para as redes. Undav, atacante do Stuttgart, não se contentou em dar assistência: aos 78 minutos, ele próprio balançou as redes, fazendo o sexto. E, para completar a noite dos sonhos alemães, Havertz apareceu novamente para marcar o sétimo e fechar a goleada — a maior da Copa até o momento.
Com o resultado, a Alemanha soma três pontos e assume a liderança do Grupo E, ao menos temporariamente. O time volta a campo na próxima rodada contra a Costa do Marfim, em jogo que promete ser um teste mais equilibrado para a equipe europeia. Curaçao, por sua vez, terá pela frente o Equador, numa partida que já vale como decisão para manter vivo o sonho de avançar no torneio.
Para a imprensa internacional, a manchete foi unânime. O jornal italiano La Gazzetta dello Sport estampou: "Do milagre ao massacre". A *Folha de S.
Paulo* destacou a participação histórica de Curaçao apesar do placar elástico. A verdade é que, mesmo goleada, a seleção caribenha escreveu seu nome na história ao marcar seu primeiro gol em Copas do Mundo — um feito que, por si só, já merece respeito.
A maldição do 7 a 1 e a nova Alemanha
Curiosamente, a Alemanha chegou aos Estados Unidos cercada por dúvidas. Eliminada ainda na fase de grupos em 2018 e 2022, a seleção vivia o que a imprensa local batizou de "maldição do 7 a 1" — uma ironia do destino: o mesmo placar que marcou o auge da geração de 2014 parecia assombrar a renovação do time. Mas, se a estreia serve de parâmetro, a maldição pode ter ficado para trás.
A nova geração alemã, liderada por Musiala, Havertz e pelo meia Florian Wirtz (Bayer Leverkusen), mostrou que o futebol alemão segue produzindo talentos de altíssimo nível. O técnico Julian Nagelsmann, que assumiu a seleção em 2024 após a saída de Hansi Flick, conseguiu imprimir um estilo ofensivo e vertical, que combina velocidade pelos lados com presença de área. Contra Curaçao, deu certo — e deu muito certo.
A dúvida que fica é se o mesmo funcionará contra adversários mais fortes, como a Costa do Marfim e o Equador, que prometem ser muito mais exigentes taticamente.
Escócia vence o Haiti e lidera o grupo do Brasil
Se no Grupo E a goleada foi o destaque, no Grupo C o que chamou a atenção foi a história. A Escócia venceu o Haiti por 1 a 0 neste sábado (13), em Boston, e assumiu a liderança do grupo que também tem Brasil e Marrocos. O gol foi marcado por John McGinn, volante do Aston Villa, aos 28 minutos do primeiro tempo, num chute que desviou duas vezes antes de entrar.
A vitória tem um sabor especial para os escoceses. Era a primeira vez desde 1990 — quando derrotaram a Suécia por 2 a 1, na Copa da Itália — que a Escócia vencia uma partida de Copa do Mundo. Trinta e seis anos de espera. Trinta e seis anos de fila. Para um país que não disputava o torneio desde 1998, o resultado representa muito mais do que três pontos: é a quebra de um jejum que atravessou gerações.
A partida não foi fácil. O Haiti, que também fazia sua estreia em Copas, pressionou em busca do empate durante todo o segundo tempo. A seleção caribenha mostrou qualidade técnica e físico de sobra, criando pelo menos três chances claras de gol. Mas a Escócia se segurou como pôde, com uma atuação heroica do goleiro e da defesa, e garantiu os três pontos.
A situação do Grupo C
Com o resultado, a classificação do Grupo C ficou assim:
Na próxima rodada, a Escócia enfrenta Marrocos, enquanto o Haiti encara o Brasil. Para a seleção brasileira, dirigida por Carlo Ancelotti, o jogo contra os haitianos é uma verdadeira decisão. Uma vitória é essencial para aliviar a pressão e embalar no torneio. O empate na estreia com Marrocos deixou um gosto amargo e acendeu o alerta na comissão técnica.
A Escócia, por sua vez, vive o sonho de avançar às oitavas de final pela primeira vez desde 1998. Líder isolada, a equipe do técnico Steve Clarke depende apenas de si para se classificar. Mas Marrocos, semifinalista da Copa de 2022, promete ser um adversário duríssimo — e o jogo da segunda rodada pode definir os rumos da chave.
O que esperar da segunda rodada
A Copa do Mundo de 2026, que pela primeira vez é disputada por 48 seleções em três países (Estados Unidos, Canadá e México), já entregou emoção logo na primeira rodada. A Alemanha mostrou que está no grupo dos favoritos ao lado de França, Argentina e Espanha. Curaçao, mesmo goleada, já fez história. E a Escócia provou que, no futebol, espera às vezes vale a pena.
Os olhos do mundo agora se voltam para os próximos confrontos. O Brasil entra em campo contra o Haiti precisando vencer para não complicar sua vida no Grupo C. A Alemanha enfrenta a Costa do Marfim para confirmar o favoritismo. E a Escócia tenta manter a liderança contra Marrocos, num jogo que promete ser o mais equilibrado da chave.
O sonho do hexa brasileiro, o pentacampeonato alemão, a estreia histórica de Curaçao, o reencontro da Escócia com as Copas — o Mundial de 2026 está só começando, e a primeira rodada já mostrou que não faltarão histórias para contar.
Fontes: FIFA.com, ge.globo.com, UOL Esporte, Folha de S.
Paulo, Agência Brasil/EBC, Reuters, ESPN Brasil, La Gazzetta dello Sport, CBN, Brasil 247, Olympics.com
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