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A ANB Black, evento que reúne os grandes empreendedores do país no Rio de Janeiro, foi o palco de uma conversa que começou com literatura e terminou com um anúncio político.
No centro do burburinho, o Jornal da República encontrou Renato de Paula, fisioterapeuta, neurocientista e autor de quatro livros. A primeira impressão era a de um acadêmico. A conversa revelou um gestor público pronto para o próximo passo.
A trajetória de Renato impressiona pelos números, mas a entrevista ganhou densidade quando ele parou de falar sobre si e começou a falar sobre o país.
O Brasil que trocou a depressão pela ansiedade e não se tratou
O primeiro alerta veio acompanhado de dados da Organização Mundial da Saúde.
O Brasil, segundo relatórios recentes da OMS, detém o título indesejado de país mais ansioso do mundo, com 9,3% da população convivendo com algum transtorno de ansiedade.
Reportagem do G1, publicada em fevereiro de 2023 e atualizada até 2026, já apontava que o país lidera o ranking global de prevalência de ansiedade — um cenário agravado pelo uso excessivo de telas, pela instabilidade econômica e pela polarização política.
"O brasileiro deixou de ser o país mais depressivo do mundo. "Não temos muito o que comemorar, mas viramos os mais ansiosos do mundo", afirmou Renato. "A gente é o país que mais se automedica e o que menos se trata."
A declaração ecoa dados da OMS publicados em setembro de 2025, que apontam que mais de um bilhão de pessoas vivem com condições de saúde mental no mundo — e a maioria não tem acesso a tratamento adequado.
No Brasil, o problema é agravado por um preconceito estrutural que Renato conhece de perto como fisioterapeuta.
"Quando você tem uma dor muscular, uma dor na coluna, todos se compadecem. Mas, quando você fala que tem um problema mental, há uma dúvida se aquilo é um problema real. "Isso é falta de educação", disse.
O gestor que não é político
Renato fez questão de traçar uma linha entre sua atuação e a dos políticos tradicionais.
Ex-presidente da SUDERJ (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) entre 2022 e 2024, ele comandou a pasta responsável pelo esporte fluminense em um dos períodos mais desafiadores da história do estado.
Sob sua gestão, o paradesporto foi resgatado — um feito que ele destaca com orgulho.
"O esporte tira a pessoa do pé de problema para o pé de pódio." "Com a medalha no peito, você pode ter perna, não ter perna, andar, não andar, você é um campeão", afirmou. "O esporte proporciona pertencimento, senso de comunidade, regras, disciplina, hierarquia. É completo."
A Superintendência de Desportos do Estado do Rio foi criada para fomentar políticas públicas esportivas em todo o estado.
Nos anos de gestão de Renato, a pasta promoveu eventos de inclusão, apoiou atletas paralímpicos e buscou democratizar o acesso ao esporte em comunidades carentes. Um vídeo institucional de maio de 2024, publicado no YouTube, destaca que sua gestão "revolucionou a inclusão no esporte no Rio de Janeiro, inspirando comunidades inteiras".
"Como gestor público que fui, eu deixo bem claro que eu sou um gestor na política, não um político na gestão", frisou. A frase é mais do que um jogo de palavras — é a tese central de sua pré-candidatura.
O diagnóstico do Rio: "Falta caráter, não dinheiro."
Quando perguntado sobre os problemas do estado, Renato não hesitou. "O estado do Rio não está como está por falta de dinheiro, é falta de caráter, é falta de boas escolhas."
A afirmação contundente foi seguida de uma defesa da renovação política como caminho para a transformação. "A gente está hoje muito mal representado na política." Viajei o mundo inteiro e, aonde a gente vai, existe o Brazilian fever. Todo mundo quer ser brasileiro, ama o Brasil.
Ama os repórteres, ama as pessoas que trabalham com arte, ama as pessoas que fazem esporte. "Quando fala de político, meu Deus, é o pior exemplo."
Para Renato, a polarização política é o grande entrave. "Hoje a gente vive um Fla-Flu, em que os políticos são idolatrados. Se for de um lado, tá sempre certo; se for de outro, tá sempre errado. Isso não é uma verdade. Tem coisas boas nos dois polos. O bom é quando os dois polos conversam, entram em consenso. Polarização não é boa para ninguém."
Os livros que contam a história de superação
Antes de anunciar a pré-candidatura, Renato construiu uma sólida carreira acadêmica. São quatro livros publicados: três didáticos voltados para estudantes de saúde (medicina, fisioterapia e enfermagem), tratando de bioquímica e bioquímica aplicada à neurociência, e um quarto que ele define como sua "recém-biografia".
"Costumam dizer que biografia é póstuma, mas é bom contar e falar sobre flores em vida", brincou.
A biografia pessoal de Renato é, em si mesma, um testemunho de superação.
Ele foi o primeiro universitário da família, o primeiro mestrando, o primeiro doutorando, o primeiro professor. Filho do deputado estadual Otônio de Paula, que faleceu no meio do mandato, e da advogada Dra. Fátima de Paula, ele carrega um legado de serviço público que agora pretende expandir.
Sua formação acadêmica é impressionante: fisioterapeuta de formação, mestre em Bioquímica Médica pela UFRJ, PhD em Neurociência pelo Imperial College London — uma das instituições de pesquisa mais prestigiadas do mundo — e pós-doutorado no ICB-UFRJ.
Além disso, é professor universitário, presidente e sócio-fundador do Instituto Reabilitarte, vinculado à UFRJ, e recentemente assumiu a cadeira 42 na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI), em cerimônia realizada na ALERJ.
A causa autista que atravessa a entrevista
Durante a conversa, Renato conectou sua defesa da saúde mental à causa das famílias atípicas. "Também trabalho com a causa autista, com a causa da pessoa autista, das famílias atípicas." Hoje você não pode chamar nenhuma mãe de guerreira. "Uma mãe de autista hoje é uma sobrevivente."
A fala ecoa um movimento crescente entre especialistas e ativistas da causa. Mães de crianças autistas enfrentam níveis de estresse comparáveis aos de soldados em combate, segundo estudos publicados em revistas internacionais de psiquiatria.
A exaustão física e emocional, combinada com a falta de políticas públicas de acolhimento, transforma a maternidade atípica em uma luta diária pela sobrevivência — não apenas da criança, mas da própria mãe.
Renato defende o esporte como ferramenta de transformação também para esse público. "É a dica que eu posso dar para a saúde mental do brasileiro e para as famílias atípicas."
É esporte. Se você não se mexer, você não aguenta. É se mexer para liberar substâncias benéficas para o cérebro, para ter mais longevidade, se tornar mais independente."
A pré-candidatura que nasce da gestão comprovada
Ao anunciar sua pré-candidatura a deputado estadual, Renato fez questão de destacar que já entregou resultados sem ter mandato. "Quem não tem mandato já está trabalhando pelo social", disse, em referência ao trabalho que realizou à frente da SUDERJ e do Instituto Reabilitarte.
Ele representa uma categoria de 140 mil fisioterapeutas no estado do Rio de Janeiro — profissionais que, segundo ele, "infelizmente nunca elegeram nenhum vereador". "Agora pode ser a grande hora", afirmou.
O anúncio foi feito em tom de convocação. "Se homens bons como a gente não saírem apenas do palanque da crítica e irem para o palco da ação, a gente não transforma esse estado do Rio de Janeiro."
O recado para quem quer mudança
Antes de encerrar a entrevista, Renato deixou seus contatos: Instagram @renatodepaulaRJ, onde pode ser encontrado para acompanhar sua trajetória e suas propostas.
"Eu sou uma pessoa como você, um tijucano, simples, apaixonado pelo Rio de Janeiro, apaixonado pelas pessoas do Rio." Não acredito que político deva ser idolatrado, nem muito menos extirpado. A política é uma ferramenta de transformação das pessoas por pessoas."
Sobre Renato de Paula
Renato de Paula é fisioterapeuta, mestre em Bioquímica Médica pela UFRJ, PhD em Neurociência pelo Imperial College London (Reino Unido) e pós-doutor pelo ICB-UFRJ.
Foi presidente da SUDERJ (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) entre 2022 e 2024, onde resgatou o paradesporto fluminense e implementou políticas de inclusão pelo esporte.
É autor de quatro livros — três acadêmicos na área de bioquímica aplicada à neurociência e uma biografia pessoal — e professor universitário. Fundador e presidente do Instituto Reabilitarte, vinculado à UFRJ, também ocupa a cadeira 42 na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI).
Filho do falecido deputado estadual Otônio de Paula e da advogada Dra. Fátima de Paula, Renato foi o primeiro universitário, mestrando, doutorando e professor de sua família.
Em 2026, anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Rio de Janeiro, defendendo a renovação política, a saúde mental, a inclusão de PCDs e o esporte como ferramenta de transformação social.
Seu trabalho pode ser acompanhado pelo Instagram @renatodepaulaRJ.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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