A diplomata civil Ângela Ferreira, que leva informação como escudo para as mulheres do interior fluminense

Presente em 150 países e amparada por Genebra: a organização humanitária que chegou ao interior do Rio para proteger mulheres

O Centro de Convenções General Sombra, em Vassouras, recebeu nos dias 11 e 12 de junho um evento que marcou a história da região.

O primeiro Simpósio de Segurança Pública da cidade, promovido pela prefeita Rosi Silva e liderado pelo Coronel Menezes, teve um diferencial que chamou a atenção de todos os presentes: pela primeira vez, a pauta da segurança pública no interior do estado foi tratada com um eixo transversal de proteção à mulher.

Entre as autoridades e especialistas convidados, a presença de Ângela Ferreira, diplomata civil da GETRO International, trouxe uma perspectiva que transcendeu as fronteiras da polícia e do direito penal.

Sua fala conectou a segurança pública a um conceito mais amplo: o acesso à informação como ferramenta de proteção.

GETRO International: a diplomacia que começa onde o Estado não alcança.

A GETRO International — cujo nome completo é Jethro International — é uma organização civil humanitária com sede na União Europeia e atuação em mais de 150 países signatários das Convenções de Genebra.

Diferente da diplomacia tradicional, exercida por governos, a GETRO forma e credencia cidadãos comuns — médicos, advogados, empresários, líderes comunitários — como "Diplomatas Civis Humanitários", capacitando-os a atuar em campos onde o poder público e as organizações tradicionais têm dificuldade de chegar.

"A GETRO é uma instituição civil, humanitária, internacional, que atua em diversos países que fazem parte da Convenção de Genebra.

O trabalho dela é em prol da humanidade, seja promovendo a paz, ajudando com a subsistência, criando laços. Ela atua de forma não governamental em diversos campos", explicou Ângela.

A organização chega a áreas de risco, regiões pós-pandemia, zonas atingidas por terremotos e conflitos. "Ela tem acesso como qualquer diplomata teria acesso, só que é uma diplomacia civil humanitária", completou.

Mulheres e crianças: o foco que atravessa fronteiras.

Ângela Ferreira deixou claro que sua atuação dentro da GETRO tem um recorte específico. "Meu foco maior são as mulheres e as crianças." Dentro dessa missão, ela trabalha pautas que considera urgentes na realidade brasileira: mães atípicas, subsistência feminina e segurança da mulher.

Os dados que justificam essa urgência são conhecidos e alarmantes.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 registrou cerca de 1.470 feminicídios no Brasil, o maior número desde a tipificação do crime em 2015.

O Atlas da Violência 2026, divulgado pelo IPEA e pelo Ministério da Justiça em maio, aponta que 64% dos casos de agressão contra mulheres ocorreram dentro de casa — o que significa que o lar continua sendo o lugar mais perigoso para as mulheres brasileiras.

No estado do Rio de Janeiro, os números de violência psicológica, física e patrimonial contra a mulher seguem trajetória de alta, conforme balanço da Secretaria de Estado de Polícia Civil.

O interior do estado, onde Vassouras está inserida, apresenta desafios adicionais.

A capilaridade reduzida das redes de proteção, a distância de delegacias especializadas e o isolamento geográfico tornam as mulheres do Vale do Café particularmente vulneráveis.

O jantar que vai reunir informação e acolhimento.

Durante a entrevista, Ângela Ferreira fez um anúncio que será o próximo passo do seu trabalho no estado. "Em breve nós vamos realizar um jantar em prol desse tema da segurança da mulher. Teremos várias palestrantes. Vai ser um encontro bem legal."

O evento, ainda sem data definida, será divulgado assim que a programação estiver fechada.

A proposta é criar um espaço de formação e acolhimento, em que as mulheres possam acessar informações sobre os serviços disponíveis, os órgãos de suporte e as formas de proteção.

"Quando nós tivermos uma data, vamos divulgar para que todas possam ir e ter acesso à formação." Porque formação, informação, traz segurança para a mulher."

O formato de jantar não é casual. A informalidade da mesa compartilhada, combinada com palestras de especialistas, cria um ambiente propício para que mulheres que enfrentam situações de violência — ou que conhecem alguém que enfrenta — se sintam acolhidas para buscar ajuda.

O poder transformador da informação

A tese central defendida por Ângela Ferreira ao longo de sua participação no simpósio é simples e poderosa: informação é segurança. "A informação traz benefícios."

Saber os trabalhos que estão sendo feitos em prol da mulher, como ela pode se proteger, quais os serviços que pode procurar, quais os órgãos que estão para fazer esse suporte. Essa informação traz uma gama de benefícios para as mulheres e para todos."

Ela defende que as mulheres precisam assumir o protagonismo de suas próprias histórias. "O principal pilar é a informação, a comunicação.

As mulheres precisam ser protagonistas das suas histórias, participar desses eventos, ter informação, ter união, contar umas com as outras, fazer uma rede de apoio.

A cada momento, a cada passo, a cada encontro, nós podemos sair fortalecidas, muito mais amparadas, muito mais bem informadas."

Simpósios como política de Estado

Ângela foi enfática ao responder se eventos como o Simpósio de Vassouras deveriam se repetir: "Sim, com certeza." Para ela, a repetição desses encontros é essencial para consolidar uma cultura de proteção à mulher que vá além de ações pontuais.

O simpósio de Vassouras já demonstrou que esse modelo funciona.

Cidades vizinhas, como Resende, apresentaram seus modelos integrados de segurança durante o evento, criando uma troca de boas práticas entre municípios do sul fluminense.

A iniciativa, que contou com a participação das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e Defesa Civil, também discutiu o alinhamento a programas federais como o PRONASCI.

O papel da diplomacia civil humanitária no Brasil

A presença de uma diplomata civil humanitária em um simpósio de segurança pública no interior do Rio de Janeiro não é um acaso.

A GETRO International vem expandindo sua atuação no Brasil, credenciando profissionais de diversas áreas para atuar com a chancela humanitária internacional.

Entre as ações já realizadas por membros da organização no país estão atendimento a vítimas de desastres naturais, projetos de desenvolvimento no sertão brasileiro, promoção de diplomacia cultural e entrega de honrarias como o Prêmio Martin Luther King, concedido a pessoas que se destacam em prol do desenvolvimento humano.

Ângela Ferreira, como diplomata civil credenciada, leva essa capilaridade internacional para dentro das comunidades do interior fluminense, conectando a pauta local da violência contra a mulher a uma rede global de proteção humanitária.

A rede de apoio como antídoto

Ao final da entrevista, Ângela deixou um recado que sintetiza seu trabalho. A união entre mulheres, o compartilhamento de informações e a criação de redes de apoio são, para ela, o antídoto mais eficaz contra a violência de gênero.

Não se trata apenas de denunciar o agressor — trata-se de construir uma estrutura coletiva onde nenhuma mulher se sinta sozinha para enfrentar o problema.

"Que elas possam contar umas com as outras, fazer uma rede de apoio, para que, a cada momento, a cada passo, a cada encontro, nós possamos sair fortalecidas", concluiu.

O jantar que será promovido em breve será o primeiro passo concreto dessa rede no Vale do Café.

Biografia: Ângela Ferreira

Ângela Ferreira é diplomata civil humanitária credenciada pela GETRO International (Jethro International), organização internacional presente em mais de 150 países signatários das Convenções de Genebra.

Sua atuação dentro da diplomacia civil humanitária tem como foco principal a proteção de mulheres e crianças, áreas nas quais desenvolve projetos que envolvem acolhimento a mães atípicas, subsistência feminina e segurança da mulher.

Como representante da GETRO no Brasil, Ângela participa de eventos, simpósios e encontros que conectam a pauta humanitária global às realidades locais do interior fluminense.

Em junho de 2026, marcou presença no primeiro Simpósio de Segurança Pública de Vassouras, onde anunciou a realização de um jantar formativo dedicado à segurança feminina, reunindo palestrantes e especialistas para levar informação e acolhimento às mulheres da região do Vale do Café.

Seu trabalho está alinhado aos valores da GETRO International de neutralidade, independência e promoção do bem-estar coletivo, formando líderes capacitados para atuar como agentes de transformação social em suas comunidades.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Ultima Hora em 14/06/2026
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