João Padeiro & Co. resgata tradição europeia com pães artesanais na Barra da Tijuca

Em entrevista ao Jornal da República, Adriano apresenta padaria que une herança portuguesa, técnica francesa e fermentação natural em espaço que já nasce como referência gastronômica na Zona Oeste do Rio

Avenida Rodolfo Amoedo, 167. É ali, na Praça do Ó, no coração do Jardim Oceânico, que funciona um dos endereços mais promissores da nova cena gastronômica carioca.

O João Padeiro & Co. não é uma padaria comum. Em entrevista exclusiva ao Jornal da República, durante uma tarde de celebração na casa, o proprietário Adriano abriu as portas do estabelecimento e contou a história por trás dos pães que saem diariamente de seus fornos. Hoje, Mestre Ralph Gracie comemora seu aniversário. Parabéns, Mestre! Grande exemplo! Oss!

"Nós temos essa história de família, de pães portugueses e tudo. Resolvemos abrir a João Padeiro com massa madre, pão artesanal, fermentação natural, que é o que se usa na Europa", explicou Adriano, em pé no salão da padaria.

Portugal, França e o resgate do pão de verdade

A proposta do João Padeiro & Co. nasce de uma percepção simples, mas poderosa: o Brasil foi colonizado pela cultura da padaria portuguesa, mas, ao longo das décadas, o pão industrializado tomou conta das prateleiras. O que se perdeu foi o processo, o tempo, o fermento natural, a mão do padeiro.

Adriano decidiu recuperar essa cadeia produtiva. A padaria trabalha exclusivamente com massa madre, fermentação natural e ingredientes selecionados.

A baguete, o croissant, o levain e os pães especiais seguem a escola francesa de panificação, enquanto o pastel de nata e os pães portugueses tradicionais mantêm viva a herança lusitana.

"Os portugueses vieram e trouxeram a padaria para o Brasil. Mas o pão conhecido hoje é o pão francês, a baguete, o croissant. Os pães portugueses são maravilhosos, e a gente ama os pães, tanto em Portugal quanto na Espanha, na Itália, na França", afirmou.

O pão de cacau que virou assinatura

Entre os destaques da vitrine, um chama a atenção de quem entra. O pão de cacau, feito com fermentação natural, cacau 100% puro e gotas de chocolate meio amargo, é uma receita que Adriano aprendeu na França e adaptou ao paladar brasileiro.

"Quando você corta e dá uma colocada na frigideira, ele carameliza. Fica maravilhoso para comer com patê, com geleia, fica delicioso", descreveu.

A proposta vai além do sabor. A fermentação natural torna os pães mais saudáveis e digestivos, além de garantir crocância na casca e maciez no miolo, características que o pão industrializado não consegue reproduzir.

Pastel de nata: o clássico que exige segredo.

Adriano fez questão de esclarecer um ponto que confunde muitos brasileiros. O famoso pastel de Belém é exclusivo de Belém, Portugal. O que o João Padeiro produz é o pastel de nata, e com a ambição de chegar ao mesmo nível.

"Eu estive agora em Belém, comi o pastel de nata lá. Espetacular. Receita única. E a gente está reproduzindo aqui para ficar no mesmo nível", contou.

A receita original dos pastéis de Belém é mantida em segredo desde 1837, quando foi vendida por monges do Mosteiro dos Jerónimos a uma refinaria de açúcar. Desde então, a iguaria portuguesa se espalhou pelo mundo, e o Brasil se tornou um dos maiores consumidores fora de Portugal.

A João Padeiro integra esse movimento com produção própria e artesanal.

O mercado de panificação artesanal no Brasil

A aposta de Adriano encontra respaldo em números. O mercado de panificação brasileiro faturou R$ 164 bilhões em 2025, segundo dados do setor compilados pela ABIP (Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria).

São mais de 179 mil padarias e confeitarias em todo o país, e o segmento artesanal registra crescimento superior à média, impulsionado pela busca do consumidor por alimentos mais saudáveis e com processo produtivo transparente.

A fermentação natural deixou de ser tendência para se consolidar como exigência de mercado. Consumidores passaram a valorizar pães com casca crocante, miolo aerado e ingredientes livres de conservantes e melhoradores químicos.

O João Padeiro & Co. chega nesse momento como um dos endereços que traduzem essa nova demanda em produto final.

Brunch all day e espaço para viver devagar.

Além da padaria, o espaço oferece café da manhã no estilo brunch all day, servido em ambiente amplo, confortável e decorado com cuidado. O slogan da casa traduz a proposta: "Onde o pão recém-assado encontra gente que gosta de comer bem e viver devagar."

Adriano descreveu a atmosfera da padaria com a certeza de quem vê o reconhecimento chegar: "É lindo, confortável, coisa gigante. Todo mundo que vem aqui ama."

A casa funciona na Avenida Rodolfo Amoedo, 167, na Barra da Tijuca, com estacionamento fácil na região. O perfil no Instagram é @joaopadeiroeco, onde a padaria publica diariamente as fornadas e novidades do cardápio.

Herança portuguesa, execução francesa, alma brasileira.

O João Padeiro & Co. representa um movimento que atravessa a gastronomia carioca: a volta do pão artesanal como protagonista da mesa.

Em um país em que o pão francês industrializado dominou o gosto popular por décadas, padarias como a de Adriano resgatam a tradição centenária que os imigrantes portugueses trouxeram ao Brasil.

A história dos padeiros portugueses no Brasil remonta ao século XIX, quando imigrantes lusitanos abriram as primeiras padarias nas capitais brasileiras.

Eles traziam não apenas a receita do pão de trigo, mas uma cultura de fermentação lenta que foi sendo substituída pela produção em massa ao longo do século XX. A João Padeiro faz o caminho inverso: retorna à origem.

"A gente quer que essa característica da Europa venha para o Brasil, que todo mundo coma pão em todas as refeições, para comer os molhos, para fazer toda essa gastronomia que é inesquecível", finalizou Adriano.

Por Robson Talber, @robsontalber 

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Ultima Hora em 26/05/2026
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