Hipertermia: O que é? Como se proteger?

Hipertermia: O que é? Como se proteger?

A estação mais amada por muitos brasileiros também pode ser a mais desafiadora para o corpo, pois há necessidade de uma grande adaptação fisiológica para suportar as ondas de calor intenso. O verão 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961, confirmando a previsão do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Para 2026 o INPE prevê temperaturas acima da média histórica em quase todo o Brasil, acompanhadas por uma distribuição irregular de chuvas. 

 

Quando ficamos submetidos a temperaturas altas assim, o corpo não consegue dissipar o calor acumulado, excedendo a capacidade de regulação térmica, podendo chegar até 40 ºC em casos mais graves. A hipertermia pode causar danos permanentes a órgãos (cérebro, rins) e é uma condição médica séria que requer resfriamento e hidratação imediatos para evitar complicações fatais, como o coma. 

 

O calor intenso pode causar perda excessiva de água e sais minerais, resultando em desidratação que pode causar confusão mental e em casos severos, pode levar ao óbito. É importante ter cuidado redobrado com os idosos que já não sentem sede como deveriam e muitas vezes se esquecem de beber água. 

 

Mas a desidratação não é a única consequência, o calor intenso também tem impacto significativo na pressão arterial. Quando a temperatura ambiente aumenta, o corpo tenta resfriar-se dilatando os vasos sanguíneos perto da pele, um processo conhecido como vasodilatação. Esta dilatação dos vasos sanguíneos faz com que o coração bombeie mais sangue para a superfície da pele para dissipar o calor, o que aumenta o fluxo sanguíneo e pode levar a uma diminuição inicial da pressão arterial. No entanto, em algumas circunstâncias, especialmente em pessoas com problemas cardíacos preexistentes ou sistemas circulatórios comprometidos, essa resposta pode ser inadequada ou ineficaz, resultando em um aumento da pressão arterial. O corpo também libera hormônios como a adrenalina em resposta ao estresse térmico, o que pode fazer com que o coração bata mais rápido e com mais força, elevando ainda mais a pressão arterial. A desidratação, comum em dias de calor extremo, também pode reduzir o volume sanguíneo, forçando o coração a trabalhar mais para manter uma pressão arterial adequada, o que pode agravar o problema.

Para se proteger é preciso beber água suficiente ao longo do dia para manter-se hidratado. Mas beber água não é suficiente quando os sinais de estresse térmico aparecem: câimbras, mal-estar, tontura leve. Esses sinais são sutis e geralmente negligenciados como explica o Prof. Dr. Júlio Abreu (Pneumologista), em vídeo que se tornou viral na última semana nas redes sociais. Ele explica que resfriar o corpo é fundamental aos primeiros sintomas de estresse térmico: procurar abrigo do sol, beber água gelada em pequenos goles; em casos de desmaios ou tontura grave, molhe o corpo com água fria e aplique gelo na testa, axilas e virilhas. Caso não haja melhoras em 10 minutos, procurar atendimento médico sem interromper o resfriamento térmico para evitar a exaustão térmica com lesão cerebral e morte.

 

 Evite bebidas alcoólicas e cafeinadas, pois elas podem aumentar a desidratação. Use protetor solar com fator de proteção adequado para evitar queimaduras solares. Reaplique conforme necessário, especialmente depois de nadar ou transpirar. Optar por roupas leves, de cores claras e de tecidos respiráveis, como algodão pode ser uma boa estratégia. Use chapéus e óculos de sol para proteger o rosto e os olhos. Evite Exposição Direta ao Sol: Sempre que possível, fique em áreas sombreadas ou em ambientes climatizados, especialmente durante as horas mais quentes do dia (entre 10h e 16h). Procure fazer alimentação leve evitando alimentos pesados e gordurosos, que podem dificultar a digestão e aumentar a sensação de calor. Numa situação emergencial, pode-se tomar banhos frios para ajudar a regular a temperatura corporal e proporcionar alívio imediato.

 

As ondas de calor intenso representam um desafio significativo para a saúde, especialmente em um país tropical como o Brasil. É importante se prevenir para preservar a saúde, evitando complicações graves, garantindo um verão mais seguro e agradável para todos.

Profª. Drª. Adriana Pedrenho

Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ

Idealizadora da Nave Química Fisiológica

[email protected]

Por Ultima Hora em 04/01/2026
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