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Eles juram que o mandato é blindagem. Que o crachá parlamentar transforma postagem em “opinião”, ataque em “liberdade de expressão” e provocação institucional em “meme”. É o clube do pode tudo, onde a Constituição é elástica e a soberania nacional vira figurante de internet.
A cena se repete: montagem grosseira, discurso atravessado, insinuação de força estrangeira, deboche com as instituições. A reação? Gargalhada, ironia, desafio. Como se o Parlamento fosse camarote VIP e o resto do país, plateia obrigada a aplaudir.
Quando o caldo entorna e a Justiça entra em campo, vem o velho refrão: “perseguição”, “censura”, “querem nos calar”. Curioso. A mesma turma que exige rigor máximo contra adversários descobre, de repente, uma alergia crônica a regras quando o alvo é o próprio grupo. A lei é dura — mas só quando convém.
No pacote, entra a tese do mandato impune: filho pode, aliado pode, correligionário pode. Tudo pode. Afinal, segundo essa lógica criativa, voto popular concede salvo-conduto vitalício para flertar com o absurdo, brincar com a institucionalidade e testar até onde dá para esticar a corda sem que ela arrebente — no colo dos outros, claro.
O problema é que o país não é grupo de WhatsApp. Meme não suspende soberania. Ironia não anula responsabilidade. E mandato não é capa de invisibilidade jurídica. A democracia não funciona no modo “vale-tudo” só porque alguém tem muitos seguidores.
A insistência em tratar o cargo como escudo pessoal não é coragem; é arrogância. Não é liberdade; é provocação calculada. E não é bravata inofensiva; é desgaste contínuo das instituições, empurradas para o ringue por quem vive de desafiar o árbitro.
No fim, a conta chega. Sempre chega. Porque Estado de Direito não é buffet livre. E super-herói de rede social costuma descobrir — tarde — que fora da timeline, a gravidade funciona.
Por: Arinos Monge.
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