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O renomado babalaô e doutor em História Comparada pela UFRJ, Ivanir dos Santos, participou da celebração dos 60 anos de Romário na Barra da Tijuca e aproveitou a ocasião para destacar a importância do ex-jogador como ídolo popular e defender a equidade no tratamento das religiões de matriz africana pelo poder público.
Durante a entrevista, o fundador da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) traçou paralelos entre sua origem na Mangueira e a trajetória de Romário no Jacarezinho.
Admiração pelo ídolo popular.
Ivanir dos Santos expressou admiração pela trajetória de Romário. "É um grande ídolo, né? Nosso, desde jovem, uma pessoa que veio das comunidades, né? "Como eu vim da Mangueira, ele veio do Jacarezinho e deu muita alegria para nossa geração, né?", declarou sobre a identificação com o aniversariante.
O babalaô destacou o impacto social do ex-jogador. "Indiscutivelmente, é uma pessoa que fez muito, deu muito sucesso ao povo, né? Deu muita alegria ao povo e merece chegar a essa idade, né? "Comemorar ainda jovem", analisou sobre a importância de Romário para a população brasileira.
Simplicidade mantida.
Ivanir observou características pessoais de Romário durante a festa. "Eu vi ontem, ele estava, né, de bermuda, né, muito simples e é uma pessoa muito popular." Então é muito interessante estar aqui comemorando com eles 60 anos", comentou sobre a naturalidade do aniversariante mesmo em sua própria celebração.
Defesa da laicidade do Estado.
O babalaô aproveitou a ocasião para abordar questões religiosas importantes. "Nós estamos apenas pedindo que o estado é laico e tem que haver equidade e diversidade. Você não pode só privilegiar um segmento religioso", declarou sobre a necessidade de tratamento igualitário.
Contribuição das religiões de matriz africana.
Ivanir destacou a importância histórica dessas religiões para a cultura carioca. "E as religiões de matriz africana que tanto deram, construíram o Réveillon, todo mundo sabe no lado do Rio de Janeiro e têm um papel importante no carnaval também, no estudar escola de samba, só ser tratado com equidade", argumentou sobre a contribuição cultural.
Reivindicação por igualdade.
O líder religioso enfatizou a busca por tratamento justo. "Ou seja, da mesma forma que você trata um grupo religioso com recurso público, com apoio público, por que não a religião de matriz africana que é muito perseguida, é muito discriminada e continua sempre contribuindo com a nossa cultura popular?", questionou sobre a disparidade de tratamento.
Origens históricas do Réveillon.
Ivanir revelou informações históricas importantes. "Se existe o maior espetáculo do planeta, que agora é o Réveillon, porque ganhou as plaquinhas, começou com Tata Tancredo Pedro nos anos 50, quando ele vai para a praia justamente com as casas de santo", explicou sobre as origens religiosas da celebração.
Memória afetiva coletiva.
O babalaô destacou a conexão emocional da população. "Todos nós, todo mundo tem essa memória afetiva, né? Por isso que teve um amplo debate, um amplo apoio", revelou sobre o reconhecimento popular da importância das religiões de matriz africana.
Impacto econômico e cultural.
Ivanir enfatizou a contribuição econômica. "Mas não é só o Réveillon, se tu olhares também o desfile das escolas de samba." Carnaval é baseado nisso. São as duas maiores festas, né, mundial e que muita receita para a cidade do Rio de Janeiro foi construída por nós", argumentou sobre o impacto financeiro.
Busca por respeito.
O líder religioso reiterou seus objetivos. "Nós não queremos privilégio, queremos apenas equidade, ser tratados com respeito", declarou sobre as reivindicações da comunidade religiosa.
Trajetória acadêmica e militante.
Ivanir dos Santos é doutor e pós-doutor em História Comparada pela UFRJ, onde atua como pesquisador e professor. Nascido na Favela do Esqueleto (RJ), sua trajetória é marcada pela superação e militância desde a juventude, incluindo a fundação da associação de ex-alunos da Funabem.
Reconhecimento internacional.
Em 2019, Ivanir recebeu o International Religious Freedom Award do governo dos Estados Unidos, reconhecendo sua luta pelos direitos humanos e combate à intolerância religiosa no Brasil.
Atuação institucional.
O babalaô atua no Centro de Articulação de População Marginalizada (CEAP) e organiza a Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, além de ser idealizador da série "Resistência Negra" no Globoplay.
Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.
Como fundador da CCIR, Ivanir trabalha para garantir que "não exista mais isso. Há espaço para todos, há respeito e carinho para todos", conforme declarou sobre os objetivos da organização.
Conexão com Romário.
A presença de Ivanir na festa de Romário simboliza a diversidade de personalidades que o ex-jogador consegue reunir, demonstrando sua capacidade de transcender barreiras sociais e religiosas, mantendo conexões com diferentes segmentos da sociedade brasileira.
A participação do babalaô na celebração também evidencia como eventos sociais podem servir como plataforma para discussões importantes sobre direitos humanos e igualdade religiosa, aproveitando a visibilidade para promover causas sociais relevantes.

Por Robson Talber, @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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