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Brasília recebeu em maio de 2026 uma prefeita que carrega na trajetória profissional experiência única em gestão pública de saúde.
Ivonéia Furtado, enfermeira de formação e reeleita prefeita de Mandaguari, no Paraná, com votação expressiva em primeiro turno, chegou à XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios com agenda focada em envelhecimento populacional e políticas diferenciadas para idosos.
Sua participação refletiu posicionamento estratégico de gestora que transita entre saberes técnicos em saúde e responsabilidades políticas de município de 38,5 mil habitantes.
Mandaguari é município do norte paranaense que historicamente enfrentou desafios de infraestrutura e financiamento municipal típicos de cidades interioranas.
Localizado em região de economia baseada em agricultura familiar e pequeno comércio, o município integra rede de cooperação através da AMUSEP (Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense), da qual Ivonéia é presidente desde 2025.
Este posicionamento duplo como prefeita municipal e liderança regional oferece plataforma para amplificar demandas que extrapolam limites de Mandaguari.
A formação em enfermagem como diferencial administrativo
Ivonéia Furtado nasceu em 26 de março de 1968. Sua formação em enfermagem oferece perspectiva distintiva para gestão municipal.
Enquanto muitos prefeitos provêm de backgrounds empresariais ou políticos tradicionais, Ivonéia traz conhecimento técnico de saúde pública, compreensão de protocolos clínicos e sensibilidade para realidades vulneráveis que marcam trabalho em saúde comunitária.
Esta trajetória não é meramente histórica. Influencia prioridades administrativas.
Na Marcha dos Prefeitos, Ivonéia enfatizou que o envelhecimento populacional exige "atenção especial para todas essas pessoas que precisam dessa atenção especial na área da saúde, um valor, uma parte nutricional, precisamos ter nutricionistas".
Esta agenda reflete compreensão de que população envelhecida não apenas necessita medicamentos, mas acompanhamento nutricional, social e psicológico.
O desafio do envelhecimento populacional
Brasil enfrenta transição demográfica acelerada. População envelhecida cresce enquanto população em idade ativa diminui proporcionalmente.
Municípios pequenos sofrem impacto desproporcional desta transição porque dependem de transferências federais para financiar políticas de saúde que exigem maior investimento em cuidados geriátricos.
Ivonéia defendeu durante a Marcha que o vice-presidente da República "deixou bem claro a importância que é darmos uma atenção para lá de especial às pessoas que nós vamos ter uma maior idade".
Sua reivindicação não é retórica, mas demanda de recursos federais para programas de atenção integral a idosos que pequenos municípios não conseguem financiar sozinhos.
O recenseamento como questão de justiça fiscal
Questão delicada emergiu durante participação de Ivonéia na Marcha. O IBGE registra Mandaguari com 38,5 mil habitantes, mas gestão municipal contesta número, alegando que população real ultrapassa 45 mil habitantes.
Esta discrepância não é meramente estatística tem implicações financeiras diretas.
Transferências federais para saúde, educação e assistência social baseiam-se em números do censo demográfico.
Se Mandaguari realmente possui 45 mil habitantes, mas é registrada com 38,5 mil, o município recebe transferências federais inferiores ao que deveria. Ao longo de anos, isto resulta em perda acumulada de milhões em recursos para investimento.
Ivonéia comunicou que "o IBGE precisa se atentar" para possível subenumeração. Esta reivindicação integra agenda mais ampla de muitos prefeitos que questionam a confiabilidade de dados censitários para fins de alocação orçamentária federal.
A liderança regional pela AMUSEP
Em dezembro de 2024, Ivonéia foi eleita presidente da AMUSEP, associação que congrega prefeitos da região setentrional do Paraná. Esta eleição refletiu reconhecimento de pares quanto à liderança e capacidade de articulação política.
A AMUSEP representa 23 municípios da região, oferecendo plataforma para amplificar demandas municipais.
Sua atuação como presidente da AMUSEP complementa posicionamento que Ivonéia está desenvolvendo na Marcha dos Prefeitos. Não está ali apenas representando Mandaguari, mas falando por uma rede regional de cidades que compartilham desafios similares.
Esta multiplicação de escala de prefeita municipal para liderança regional para participante de marcha nacional aumenta a relevância política de sua agenda.
A vereadora mais votada que se tornou prefeita.
Antes de chegar à prefeitura, Ivonéia foi vereadora. Segundo registros, ela foi a vereadora mais votada da história de Mandaguari.
Este reconhecimento popular não foi coincidência, mas resultado de trabalho consistente de base que construiu credibilidade e confiança comunitária.
Sua eleição como prefeita em 2024, com votação expressiva refletiu continuidade deste apoio popular. Vencer em primeiro turno contra múltiplos candidatos demonstra legitimidade que vai além de alianças políticas formais.
Eleitores reconheceram em Ivonéia capacidade de gestão e compromisso com comunidade.
O municipalismo como visão política
Durante entrevista ao Jornal da República, Ivonéia reafirmou princípio que motiva sua participação em Brasília: "nós precisamos ter menos Brasília e mais município".
Esta não é crítica ao governo federal, mas reivindicação de que municípios—onde "tudo acontece"—recebam autonomia política e financeira maior para responder a demandas locais.
Seu argumento é que prefeitos conhecem realidades de seus municípios com profundidade que órgãos federais não alcançam.
Políticas centralizadas em Brasília frequentemente ignoram particularidades territoriais. Municipalismo defende maior transferência de poder decisório para esferas locais, onde gestores têm acesso direto a população.
Jornalismo como ferramenta de accountability
Ivonéia ofereceu reconhecimento ao trabalho jornalístico de Oscar e do Jornal da República.
Seu comentário revela valorização de jornalismo que "mostra realmente a verdade, que nós precisamos ter menos Brasília e mais município".
Esta observação não é meramente cortesia política, mas reconhecimento de que cobertura jornalística de eventos municipais oferece visibilidade que municípios pequenos raramente alcançam em mídia nacional.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber
Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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