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A toga, bem passada. A fala, firme. O semblante, de quem carrega a Constituição debaixo do braço. Mas, por trás da pose, segundo investigações da “Operação Ergástulo”, o juiz afastado de Cajazeiras parecia mais personagem de série criminal do que um agente da Justiça.
Antônio Eugênio Leite Ferreira Neto, que até pouco tempo respondia pela 2ª Vara Mista de Itaporanga, foi afastado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba após o Ministério Público levantar sérios indícios de que ele não só sabia das movimentações de uma organização criminosa, como também ajudava a ajeitar os caminhos jurídicos para seus integrantes. No centro do enredo, um advogado “amigo do peito” e uma sequência de decisões que, no mínimo, pareciam escritas em conjunto.
Interceptações telefônicas revelaram que bandidos, lá de dentro das celas, tratavam o tal advogado como se ele fosse uma varinha mágica no fórum. E essa varinha, apontam os áudios, funcionava porque o juiz amigo resolvia — com agilidade incomum — os “pepinos” da organização.
A defesa, claro, diz que é tudo mal entendido. Garante que o juiz é um paladino da moral, combatente do crime e vítima de perseguição. E talvez seja. Afinal, como já dizia aquele velho ditado do sertão: “quem vê toga não vê coração”. Ou, adaptando ao caso, quem vê juiz sério pode estar olhando só para a casca.
O TJPB, no entanto, não viu apenas aparência. Viu provas, viu relação promíscua, viu influência indevida — e aplicou a aposentadoria compulsória. Não por bondade, mas como punição, o que no mundo jurídico é o equivalente a dizer: “melhor fora do que fingindo estar dentro da legalidade”.
Em tempos em que a confiança na Justiça anda mais instável do que wi-fi de repartição pública, histórias como essa só reforçam o abismo entre o que a toga simboliza e o que alguns magistrados praticam. O juiz pode até parecer Denorex, mas o cheiro da investigação mostrou que, no fundo, era mais disfarce do que essência.
E o povo, como sempre, fica do lado de cá, esperando que o próximo capítulo dessa novela tenha mais Justiça de verdade e menos atuação de bastidor.
Por: Arinos Monge.
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