Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Legenda da foto: Dra. Ana Tereza Basílio, presidente da OAB Rio de Janeiro, Dra. Andreia Pereira, presidente da OAB São Gonçalo e Dra. Alessandra Moreira Barroso, presidente da OAB Mulher São Gonçalo - RJ. | Foto: Angélica Cunha
A OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - Subseção de São Gonçalo realizou, no último dia 29 de abril, um evento de grande relevância para o cenário jurídico fluminense ao promover o debate “O impacto da mulher na construção de uma justiça mais humanizada”, com condecoração as mulheres que fizeram e fazem a diferença na advocacia "Liderança Feminina Na Advocacia Contemporanea". A iniciativa reuniu importantes lideranças femininas e representantes institucionais em um encontro marcado por reflexões profundas, dados impactantes e valorização da escuta no Direito. O evento contou com a participação da Dra. Nívea Ximenes como cerimonialista do evento - vice-presidente da OAB Mulher e diretora-presidente da Comissão de Convênios-.
Compuseram a mesa de abertura autoridades de destaque na advocacia: a presidente da OAB São Gonçalo, Dra. Andreia Pereira; a presidente da OAB Rio de Janeiro, Dra. Ana Tereza Basílio; a presidente da OAB Mulher São Gonçalo, Dra. Alessandra Moreira Barroso; o vice-presidente da subseção, Dr. Arthur Ponne; a presidente da OAB Mulher do Estado do Rio de Janeiro, Dra. Luciene Mourão; e a vice-presidente da CAARJ, Dra. Mônica Alexandre Santos.
A palestra principal foi conduzida pela advogada e psicanalista Dra. Jane Louise, que trouxe uma abordagem sensível e necessária sobre a humanização no atendimento jurídico, destacando a importância da escuta ativa como ferramenta essencial para uma atuação mais eficaz e empática.
A construção do evento partiu da iniciativa da presidente da subseção, Dra. Andreia Pereira, que convidou a Comissão da OAB Mulher para integrar a organização. A partir disso, o tema foi definido de forma coletiva, como destacou a Dra. Alessandra Moreira Barroso de Sousa:
“Quando a dra Andreia chamou a OAB Mulher para participar desse evento, toda a comissão escolheu o tema: ‘O impacto da mulher para a construção de uma justiça mais humanizada.’ Temos certeza que a humanização da justiça vem ocorrendo por conta do grande número de mulheres advogadas, que chegam a 53%, e vamos vendo o aumento de juízas, humanizando também os homens, que precisam que o olhar deles seja modificado pelo nosso exemplo. Nossa instituição também faz um trabalho para a sociedade.”
Durante sua fala, a presidente da OAB Rio de Janeiro, Dra. Ana Tereza Basílio, apresentou dados que evidenciam o déficit de representatividade feminina em espaços de poder:
“Hoje no Congresso Nacional, só temos 16% de mulheres. Chegou a sair em alguns jornais uma comemoração de ter 16% de mulheres no governo nacional, porque teve 16%, um número baixíssimo. Nós, mulheres, somos 52% da população, então ainda temos um déficit de representatividade muito grande. E não é só nos órgãos públicos: há pesquisas sobre a participação de mulheres em conselhos de administração de grandes empresas na Bovespa, onde apenas 20% das mulheres historicamente conseguiram ocupar uma cadeira — e não a presidência.”
A presidente também ressaltou a importância histórica da ocupação feminina em cargos estratégicos, ao mencionar a atuação de Carmen Fontenelle na vice-presidência da OAB-RJ, destacando o papel institucional relevante do cargo em um momento de fortalecimento da advocacia e avanço da presença feminina em posições de liderança.
A palestra da Dra. Jane Louise foi um dos momentos mais marcantes do evento, trazendo uma reflexão profunda sobre traumas, comportamento e escuta:
“Me curo de muitas coisas da minha primeira infância ouvindo a primeira infância de outra mulher. Se você não tem tempo, você não consegue humanizar e não conseguimos gerar o impacto que precisa acontecer. Precisamos ter tempo para ouvir. Nós só conseguiremos impactar e humanizar a justiça quando olharmos para nosso humano e tivermos tempo de ouvir a história de outra mulher.”
A presidente da OAB São Gonçalo, Dra. Andreia Pereira, primeira mulher a ocupar o cargo na subseção, reforçou o papel transformador da mulher na sociedade e no Direito:
“É uma alegria receber as presidentes das subseções que puderam estar presentes na OAB de São Gonçalo. Nosso dia são todos os dias, porque existimos. Somos capazes de ter uma sensibilidade que incomoda muitos. Muitas vezes tentam nos desvalorizar, mas você, mulher, precisa sair com a certeza de quem você é e para o que veio. Lugar de mulher é onde ela quiser.”
A presidente da OAB Mulher do Estado do Rio de Janeiro, Dra. Luciene Mourão, destacou a importância da trajetória coletiva feminina:
“Aqui é nossa casa. Me sinto honrada e orgulhosa de ver muitas mulheres potentes. Há muitos anos olhamos para vocês e nos espelhamos. Falar da mulher como advogada, magistrada, servidora pública, é muito importante porque essa construção veio de lá de trás. Podemos falar e ocupar esses espaços, mas precisamos ter generosidade e empatia com todas as colegas.”
O vice-presidente da subseção, Dr. Arthur Ponne, também enfatizou a força feminina na advocacia:
“Estar ao lado de diversas mulheres guerreiras, com tanta força é normal e necessário. Aprendi com minha mãe, que criou três filhos sozinha. Porque a capacidade que vocês têm para processar e reagir é maior que a nossa, falo com total humildade. Em minha sala de aula, a grande maioria são mulheres.”
A vice-presidente da CAARJ, Dra. Mônica Alexandre Santos, trouxe uma reflexão sobre gestão humanizada:
“Esse fortalecimento vem por conta de uma gestão humanizada que enxerga o outro de outra forma, não sendo somente uma advogada. Esse olhar e escuta, não só afetiva, mas solidária, porque sem a nossa solidariedade e sem o nosso comprometimento não conseguimos fazer uma gestão cada vez melhor.”
Já a Dra. Gabrielle Lopes destacou o papel da instituição no incentivo às novas gerações:
“Temos um grupo de advogados jovens, porque sabemos que é difícil. Queremos encorajar. Sabemos que é difícil trabalhar durante o dia, sustentar a família e estudar à noite. O exercício da advocacia não é fácil. Encorajar pessoas é uma meta e vem da própria instituição. Fico muito feliz de comemorar o Dia Nacional da Mulher, porque em 1962 as mulheres viviam totalmente subjugadas, não tinham capacidade civil. Ao longo do tempo fomos avançando — em 1977 tivemos o direito ao divórcio. Nós não desistimos e continuamos lutando até hoje. Estar em uma mesa com tanta representatividade feminina é uma honra.”
O evento também celebrou o Dia Nacional da Mulher com homenagens a ex-diretoras da casa e presidentes de subseções do estado do Rio de Janeiro, reconhecendo trajetórias que abriram caminhos e fortaleceram a presença feminina no sistema jurídico.
A iniciativa consolidou-se como um marco institucional, reforçando o compromisso da OAB São Gonçalo com a valorização da mulher, a promoção da equidade e a construção de uma justiça mais humanizada — não apenas como discurso, mas como prática necessária e urgente.
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!