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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará, até o fim de 2025, duas novas indicações para o Superior Tribunal Militar (STM). As nomeações acontecem em um momento decisivo: a Corte se prepara para analisar a perda de patente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de generais de quatro estrelas condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de golpe de Estado.
Os ministros Marco Antônio de Farias (outubro) e Odilson Sampaio Benzi (novembro) chegarão à aposentadoria compulsória aos 75 anos, abrindo duas vagas. Com isso, Lula chegará a quatro nomeações nesta gestão, já tendo indicado o general Guido Amin Naves e a advogada Verônica Sterman.
Como funciona a composição do STM
O Superior Tribunal Militar tem 15 ministros, escolhidos pelo presidente da República e aprovados pelo Senado:
Nos bastidores, há a expectativa de que o julgamento sobre Bolsonaro e generais só avance após a posse dos novos ministros. Pela lei, a perda da patente só pode ser discutida depois do trânsito em julgado da condenação.
Quem pode perder a patente
Entre os militares envolvidos estão:
O Estatuto dos Militares determina a perda de posto para integrantes condenados na Justiça Civil ou Militar, com sentença transitada em julgado e pena superior a dois anos.
Pela primeira vez, generais que chegaram ao topo da hierarquia poderão ser cassados por decisão da Justiça Militar, em um julgamento de peso histórico.
O caso de Mauro Cid
O ex-ajudante de ordens Mauro Cid, que fez delação premiada, não perderá a patente. Ele foi condenado a dois anos em regime aberto — exatamente o limite previsto pela lei. Em agosto, pediu baixa do Exército para migrar para a reserva, alegando não ter mais condições psicológicas de seguir na ativa. A análise do pedido deve ocorrer em janeiro de 2026.
Sob os olhos da opinião pública
O julgamento ocorrerá sob forte escrutínio público, dada a relevância política e histórica do processo. O contraste é evidente com o primeiro processo de Bolsonaro no STM, nos anos 1980, quando o então capitão foi absolvido de acusações de planejar atentados para pressionar o Exército por aumentos salariais.
Quase quatro décadas depois, o tribunal volta a ter Bolsonaro no centro de uma disputa — desta vez, com risco real de perda de patente de um ex-presidente e de generais de quatro estrelas, em um processo que pode marcar a história da Justiça Militar brasileira.
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