Lula volta da China com a mala cheia: R$ 27 bilhões em investimentos no Brasil

Lula volta da China com a mala cheia: R$ 27 bilhões em investimentos no Brasil

A comitiva brasileira ainda nem terminou a visita à China e o presidente Lula (PT) já garantiu o que mais queria: dinheiro novo entrando no Brasil. Foram R$ 27 bilhões em investimentos anunciados por gigantes chinesas em setores que vão do combustível sustentável ao pastel de shopping (sim, tem rede de fast food no meio).

O acordo mais vistoso foi com a Envision, que vai investir US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,6 bilhões) para produzir no Brasil o tal do SAF – combustível sustentável feito da nossa boa e velha cana-de-açúcar. O governo aposta nesse projeto como vitrine da transição energética, querendo colocar o Brasil entre os líderes globais do setor.

No embalo, a montadora GAC cravou US$ 1,3 bilhão (R$ 7,4 bilhões) para fazer carros elétricos e híbridos em Goiás e montar um centro de pesquisa no Nordeste. Outro peso-pesado, a GWM, já avisou: vem aí R$ 6 bilhões para ampliar operações e transformar o Brasil em plataforma de exportação para a América Latina.

A energia limpa também ganhou força. A CGN colocou R$ 3 bilhões em projetos no Piauí, com eólica, solar e armazenamento. E a Windey, especialista em turbinas gigantes, também entrou no pacote.

Já no campo da saúde, a parceria da brasileira Eurofarma com a chinesa Sinovac criou o Instituto Brasil-China de Biotecnologia, voltado para vacinas e combate a doenças. Segundo o ministro Alexandre Padilha, a ideia é fortalecer a produção nacional.

E como investimento bom também passa pelo consumo, empresas como a Meituan (delivery) e a rede de fast food Mixue confirmaram que vão desembarcar no Brasil. A China, afinal, quer vender do avião ao sorvete.

O que Lula disse (e o que quis dizer)

Num discurso que arrancou aplausos (mesmo que com um delay por causa da tradução), Lula resumiu o espírito da viagem:

"A nossa relação será indestrutível. A China precisa do Brasil e o Brasil precisa da China."

Tradução livre: a parceria é boa para os dois lados, mas Lula também está de olho em fortalecer o chamado "sul global", onde Brasil e China jogam juntos para ganhar mais respeito no cenário internacional.

O presidente também falou em infraestrutura (leia-se: corredor bioceânico, estradas, ferrovias) e fez questão de elogiar a educação chinesa, dizendo que o Brasil precisa seguir esse exemplo. Aliás, mais intercâmbio entre estudantes foi outro tema em alta.

Bastidores da defesa

Nos bastidores, Lula ainda se reuniu com a Norinco, gigante da indústria de defesa da China, para discutir uma possível ajuda à Avibrás, ex-estatal brasileira em crise. Foi uma conversa direta, mas com aquele cuidado diplomático: ninguém quer dar a entender que está "vendendo" empresa estratégica.

O saldo até agora

O pacote completo dos acordos deve ser fechado na terça-feira (13), após o encontro com Xi Jinping. Mas o recado já está dado: Lula foi à China em busca de investimentos reais, para virar manchete dentro de casa e se mostrar forte no cenário externo.

E trouxe na bagagem um número que fala mais alto que qualquer discurso: R$ 27 bilhões.

Por: Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 12/05/2025
Aguarde..