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Batalha judicial de seis anos deixa jogador do Tottenham sem investimento de R$ 10 milhões em imóvel de luxo na Ilha Comprida

Uma das mais luxuosas propriedades da Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, tornou-se símbolo de uma disputa judicial que expõe as fragilidades do sistema de registros de imóveis em terrenos de propriedade da União. O caso envolve o atacante Richarlison, do Tottenham, o advogado Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece como testemunha no processo. A batalha, que começou em 2020, ganhou novo destaque nas redes sociais em julho de 2026, quando o jogador voltou a denunciar a perda de seu investimento.
O imóvel que encantou o senador
A mansão em questão é uma das mais suntuosas da região. Com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto, o imóvel representa o luxo que caracteriza a Ilha Comprida. Sua história é tão rica quanto sua arquitetura: pertenceu à cantora Clara Nunes até 1983, passou por diversos proprietários e, em 2011, foi adquirida pelo empresário Antônio Marcos Pereira Silva.
O interesse de Flávio Bolsonaro pela propriedade começou em julho de 2020. O senador, acompanhado de sua esposa Fernanda Bolsonaro e do então ministro Tarcísio de Freitas, estava em Angra dos Reis para a cerimônia de inauguração das obras do aeroporto da cidade. A convite do ex-senador Wilder Morais (PL-GO), que possui casa na região, Flávio conheceu a mansão. Segundo relatos, o senador ficou deslumbrado com o imóvel, especialmente pela exclusividade de ter uma cachoeira ao lado da casa e uma praia privativa.
Cinco meses depois, em janeiro de 2021, Flávio retornou à mansão, desta vez acompanhado por Willer Tomaz, seu amigo e advogado influente em Brasília. Os dois ancoraram uma lancha em frente à propriedade, sem convite de Antônio Marcos ou dos novos proprietários. Segundo o empresário, Tomaz questionava insistentemente se seria possível cancelar a venda que já havia sido negociada com a empresa Sport 70, de Richarlison e seu empresário Renato Velasco.
A compra de boa-fé e o investimento milionário
Em 2020, Richarlison e seus sócios adquiriram a mansão pela empresa Sport 70 por R$ 1,1 milhão, conforme contrato. Porém, o jogador afirma ter investido aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade, realizando reformas completas que modernizaram banheiros, cozinha, construíram piscina e quadra de tênis, além de uma casa de empregados.
O atacante e seu empresário Renato Velasco, que moram na Europa, visitavam a mansão quando vinham ao Brasil. Quando as obras ficaram prontas, Velasco deixou sua esposa, que estava grávida, morando no imóvel. Tudo corria normalmente até maio de 2022.
A reintegração de posse que chocou o Brasil
Em 13 de maio de 2022, Renato Velasco estava em Londres quando recebeu um telefonema de sua esposa, em lágrimas. Um oficial de Justiça e policiais estavam na mansão para cumprir uma decisão de reintegração de posse. Vídeos gravados pela mulher, grávida, mostram policiais retirando roupas e pertences do lado de fora da casa durante a noite. Dias depois, ela foi internada às pressas e teve que antecipar seu parto em duas semanas.
A ordem judicial atendia a um pedido da M Locadora, empresa que havia comprado a posse do imóvel em 1986 do viúvo de Clara Nunes, o compositor Paulo César Pinheiro. O advogado da M Locadora era Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e sócio de Willer Tomaz em outro escritório.
O labirinto jurídico das concessões de terrenos na União
O cerne da disputa reside em uma questão técnica crucial: terrenos em ilhas brasileiras pertencem à União, que outorga concessões a quem for o dono da posse. Na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), porém, o registro de posse não era atualizado desde 1977. Nenhum proprietário posterior — nem Clara Nunes, nem a M Locadora, nem Antônio Marcos, nem Richarlison — havia registrado a posse na SPU ou em cartório de registros imobiliários. A comprovação existia apenas em contratos firmados entre as partes.
Willer Tomaz alegou que sua empresa, a WT Administração, havia pagado R$ 2 milhões em pendências fiscais e administrativas da M Locadora em troca da transferência do bem, através de um "contrato de sub-rogação". Em 11 de julho de 2022, conseguiu a regularização do cadastro na SPU. No dia seguinte, obteve o registro de transferência de posse para sua empresa — uma velocidade extraordinária considerando a conhecida burocracia desse tipo de serviço.
As acusações de fraude e falsificação
Maria Alice Menna, de 78 anos, viúva de um dos antigos donos da M Locadora, registrou ocorrência na Polícia Civil alegando ter sido vítima de golpe. Segundo seu relato, foi convidada a ir ao cartório para assinar documentos para dar baixa no registro da empresa, mas não percebeu que estava assinando um endosso para transferência da posse para a WT Administração. Ela afirma também que sua assinatura foi falsificada nos documentos que Tomaz apresentou à Justiça.
O desfecho no Superior Tribunal de Justiça
Dois dias após a reintegração de posse, os advogados de Richarlison conseguiram reverter a decisão no plantão judicial, apresentando documentação que comprovava que não eram invasores. Retomaram a posse da casa. Willer Tomaz recorreu à Segunda Instância da Justiça do Rio e ganhou novamente em decisão liminar.
O desembargador Adriano Guimarães deu, em 2022, uma nova decisão liminar a favor de Tomaz. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento em 2025. Na decisão, o relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, argumentou que o recurso de Richarlison foi barrado não porque o mérito estivesse necessariamente errado, mas porque o tipo de recurso utilizado não permite discutir fatos e contratos já analisados em instâncias inferiores.
O papel de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro alega não ter relação com o imóvel ou com o processo envolvendo Willer Tomaz. O senador afirma manter apenas vínculo de amizade com o advogado. Apesar de Richarlison ter pedido para Flávio testemunhar a seu favor, o senador afirmou que não poderia contribuir com a tomada de decisão da Justiça.
Tomaz é influente em Brasília por ser próximo de dezenas de parlamentares, para os quais seu escritório atua. Durante a CPI da Pandemia, em junho de 2021, Flávio o chamou publicamente de "meu amigo", após Renan Calheiros citá-lo ao interrogar um depoente. Naquele ano, Tomaz afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo possuir cerca de 50 casas no Lago Sul, o endereço mais nobre de Brasília, que alugava a ministros do Superior Tribunal de Justiça e a parlamentares.
O desabafo nas redes sociais
Em julho de 2026, Richarlison voltou a comentar o caso nas redes sociais. Quando uma advogada usou a disputa para explicar a diferença entre posse e propriedade de um imóvel, o jogador escreveu: "Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber minha grana".
Dias depois, ao republicar uma publicação de Flávio mostrando a vista panorâmica da mansão, Richarlison comentou: "Lugar bonito, né? Pois é. Me tomaram". O comentário ganhou força quando o pré-candidato à Presidência Renan Santos (MBL) respondeu: "Devolve a casa do Richarlison", e o próprio jogador confirmou: "Verdade".
Questões em aberto
O caso levanta questões importantes sobre o sistema de registros de imóveis em terrenos de propriedade da União, a velocidade extraordinária com que certos processos administrativos são resolvidos e a influência política na Justiça. Enquanto Richarlison segue sem receber seu investimento de R$ 10 milhões, a mansão permanece sob controle de Willer Tomaz, e Flávio Bolsonaro segue sua campanha presidencial sem maiores consequências pela sua proximidade com o advogado.
Fontes
Amado Mundo (2026). Entenda a disputa entre Flávio e Richarlison por mansão. Disponível em: https://amadomundo.com/entenda-disputa-flavio-richarlison-mansao/
Congresso em Foco (2026). Disputa por mansão de R$ 10 mi envolve Richarlison e Flávio Bolsonaro. Disponível em: https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/120171/disputa-por-mansao-de-r-10-mi-envolve-richarlison-e-flavio-bolsonaro
Poder360 (2026). Caso de mansão de R$ 10 mi ligada a Richarlison e Flávio volta a debate. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/caso-de-mansao-de-r-10-mi-ligada-a-richarlison-e-flavio-volta-a-debate/
Revista Fórum (2026). Richarlison compartilha publicação de Flávio Bolsonaro sobre mansão em ilha: "me tomaram". Disponível em: https://revistaforum.com.br/politica/richarlison-compartilha-flavio-bolsonaro-mansao-ilha-me-tomaram/
Carta Capital (2026). Entenda a disputa por uma mansão de R$10 milhões que levou Richarlison a 'cutucar' Flávio Bolsonaro nas redes. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/cartaexpressa/entenda-a-disputa-por-uma-mansao-de-r10-milhoes-que-levou-richarlison-a-cutucar-flavio-bolsonaro-nas-redes/
UOL Esporte (2026). Richarlison desabafa sobre processo que já acabou e marca Flávio Bolsonaro. Disponível em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2026/07/01/richarlison-desabafa-e-marca-flavio-bolsonaro-em-post-sobre-acao-arquivada.ghtm
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Biografia de Richarlison
Richarlison de Andrade Sousa nasceu em 30 de maio de 1997, em Nova Venécia, no Espírito Santo. Começou sua carreira profissional no América Mineiro, onde se destacou como atacante versátil e criativo. Sua trajetória o levou ao Fluminense, onde consolidou seu nome no futebol brasileiro com gols e assistências memoráveis.
Em 2018, transferiu-se para o Tottenham Hotspur, da Inglaterra, onde se tornou um dos principais atacantes do clube. Pela Seleção Brasileira, conquistou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Tóquio em 2021, marcando gols decisivos na campanha. Conhecido por sua versatilidade tática, capacidade de finalização e envolvimento no jogo, Richarlison é considerado um dos maiores talentos do futebol brasileiro contemporâneo. Além de sua carreira no futebol, o jogador é conhecido por suas ações sociais e investimentos imobiliários, buscando garantir seu futuro financeiro após a carreira como atleta profissional.
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