Megaoperação fracassa em capturar chefões mas Governador do Rio adota estratégia de Trump e 'narcoterrorismo' vira ferramenta eleitoral no Brasil

Megaoperação fracassa em capturar chefões mas Governador do Rio adota estratégia de Trump e 'narcoterrorismo' vira ferramenta eleitoral no Brasil

Especialista denuncia "narcoterrorismo" como estratégia política após megaoperação no Rio

Um debate intenso sobre a classificação das facções criminosas como organizações terroristas ganhou força após as recentes operações policiais no Rio de Janeiro, com especialistas alertando para os riscos da mudança de paradigma na segurança pública. O termo "narcoterrorismo", popularizado por Donald Trump e adotado pelo governador Cláudio Castro, integra uma proposta de Emenda Constitucional patrocinada por Guilherme Derrite, secretário de Segurança de São Paulo, que busca reclassificar as facções do tráfico como grupos terroristas. Analistas políticos alertam que essa mudança conceitual pode legitimar execuções sumárias e extrajudiciais, transformando supostos criminosos em "combatentes inimigos" passíveis de eliminação sem devido processo legal. A estratégia espelha táticas militares americanas utilizadas no Caribe e Pacífico, onde operações antiterrorismo justificam ações letais sem supervisão judicial adequada. Especialistas em direitos humanos consideram essa abordagem uma perigosa militarização da segurança pública que pode resultar em violações sistemáticas dos direitos fundamentais.

A distinção conceitual entre terrorismo e crime organizado tornou-se central no debate sobre as políticas de segurança pública brasileiras. Enquanto o terrorismo se inscreve tradicionalmente no campo político, visando mudanças de regime ou imposição ideológica através do medo, as facções criminosas operam primordialmente no universo dos negócios ilícitos, buscando lucro através do tráfico de drogas e outras atividades criminosas. Especialistas em segurança pública argumentam que essa diferenciação não é meramente semântica, mas possui implicações jurídicas e operacionais fundamentais para o combate ao crime organizado. A reclassificação das facções como grupos terroristas permitiria a aplicação de legislações de exceção, incluindo a possibilidade de ações militares em território nacional e a suspensão de garantias constitucionais básicas. Críticos dessa abordagem alertam que a "perversão da linguagem" serve a propósitos políticos específicos, criando justificativas para ações que seriam consideradas ilegais sob a legislação criminal comum.

A megaoperação conduzida no Rio de Janeiro sob o comando do governador Cláudio Castro resultou em um saldo controverso de mortes e destruição, sem alcançar seus objetivos declarados de capturar lideranças criminosas. A operação, que transformou os complexos da Penha e do Alemão em "praças de guerra", foi marcada por execuções à queima-roupa longe das câmeras de celulares e pela difusão do terror pela segunda maior metrópole do país. Apesar da mobilização de recursos significativos e da violência empregada, a operação falhou em capturar alvos prioritários como Doca, suposto chefe do Comando Vermelho na região da Penha. O antigo vice-governador de Wilson Witzel, conhecido pela frase "mira na cabecinha", mais uma vez demonstrou a combinação de violência extrema com incompetência operacional que marca sua gestão. As mortes de policiais, criminosos e moradores das favelas são consideradas por analistas como "danos colaterais" na estratégia política do governador fluminense, que busca projeção nacional através do discurso de linha dura.

O apoio de governadores bolsonaristas de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina à estratégia de Castro revela a articulação de uma rede política que utiliza a violência como plataforma eleitoral. Esses governadores celebram o que especialistas consideram um fracasso operacional, renomeando-o como vitória e promovendo uma narrativa de "guerra às facções" que ressoa com setores conservadores do eleitorado. A coordenação entre esses gestores estaduais sugere uma estratégia nacional de militarização da segurança pública, utilizando as operações violentas como demonstração de força política. Analistas políticos identificam nessa articulação uma tentativa de construir uma alternativa de direita radical para as eleições futuras, baseada no discurso de combate ao crime através da força bruta. A "sombria orquestra" formada por esses governadores encontra eco em parcelas da população que, desesperadas com a violência urbana, apoiam medidas extremas mesmo quando estas se mostram ineficazes.

Por Ultima Hora em 01/11/2025
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