Meio ambiente virou brincadeira de criança, neófita, filha de deputado, de 18 anos, vai comandar subsecretaria ambiental, sem experiência técnica na área

Meio ambiente fluminense vira laboratório de experiências políticas familiares

Meio ambiente virou brincadeira de criança, neófita, filha de deputado, de 18 anos, vai comandar subsecretaria ambiental, sem experiência técnica na área

O governo transformou a política ambiental fluminense numa verdadeira escolinha de primeiro grau, ao nomear Thamires Rangel (PMB), vereadora de Campos de apenas 18 anos e filha do deputado Thiago Rangel (Avante), para o cargo de subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do estado.

A decisão, anunciada nesta quarta-feira (8), levanta sérias questões sobre os critérios técnicos utilizados pelo governo estadual para cargos estratégicos.

Como diria o velho ditado: "casa de ferreiro, espeto de pau" - enquanto o Rio de Janeiro enfrenta crises ambientais complexas como poluição da Baía de Guanabara, desmatamento e problemas de saneamento, o governo opta por colocar uma jovem sem qualquer experiência técnica ou acadêmica consolidada na área ambiental para comandar políticas públicas que afetam milhões de fluminenses.

A nomeação parece mais um episódio da novela "meu pai é deputado" do que uma decisão técnica responsável. Thamires, que foi eleita em 2024 com pouco mais de cinco mil votos e se tornou a parlamentar mais jovem do país, mal completou alguns meses de mandato na Câmara de Campos quando recebeu o convite para integrar o primeiro escalão do governo estadual.

É como aquela piada do cara que vai ao médico e reclama: "doutor, meu filho de 18 anos quer ser cirurgião cardíaco". O médico responde: "que bom, pelo menos ele tem ambição". "Não, doutor, ele quer operar amanhã!". É exatamente isso que está acontecendo na gestão ambiental fluminense - alguém que mal saiu das fraldas políticas vai assumir responsabilidades que exigem conhecimento técnico, experiência e maturidade.

O governador Castro justificou a escolha dizendo que o convite tem "objetivo de reforçar projetos voltados à juventude, à conscientização ambiental e às regiões Norte e Noroeste Fluminense". Traduzindo do politiquês: precisava agradar o pai da menina e inventou uma desculpa bonita. Como diz outro ditado popular: "quem não tem cão, caça com gato" - ou neste caso, quem não tem técnico competente, nomeia a filha do aliado.

A própria Thamires demonstrou o despreparo ao declarar nas redes sociais que é "movida a desafios" e que a oportunidade chegou porque tem "capacidade e disposição".

Ora, minha cara, meio ambiente não é reality show da MTV onde você ganha pontos por disposição. Estamos falando de políticas que envolvem licenciamento ambiental, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e mudanças climáticas - temas que exigem conhecimento técnico sólido, não apenas boa vontade juvenil.

É como colocar alguém que acabou de tirar carteira de motorista para pilotar um avião comercial. Pode até ter disposição e entusiasmo, mas falta o principal: competência técnica. O meio ambiente fluminense não pode virar laboratório de experiências políticas familiares.

A situação fica ainda mais constrangedora quando lembramos que o Rio de Janeiro possui universidades de ponta com profissionais qualificados em gestão ambiental, engenharia sanitária, biologia e áreas afins. Mas não, o governo preferiu apostar no nepotismo disfarçado de "renovação política".

Como diria Minc: "é tão absurdo que até os peixes da Baía de Guanabara estão rindo - os poucos que ainda estão vivos, claro".

A nomeação representa um desrespeito não apenas aos profissionais qualificados da área, mas principalmente aos cidadãos fluminenses que merecem políticas ambientais sérias e competentes.

Enquanto isso, os verdadeiros especialistas em meio ambiente ficam de fora, assistindo uma adolescente assumir responsabilidades que eles estudaram décadas para exercer. É o famoso "Brasil, país do futuro" - onde o futuro chegou antes da competência.

A questão não é idade - existem jovens brilhantes e preparados. O problema é transformar cargo público em presente de formatura. Como diz o povo: "santo de casa não faz milagre", mas pelo visto, filha de deputado faz subsecretária.

O meio ambiente fluminense merecia coisa melhor que essa brincadeira de casinha. Mas como diz outro ditado: "quem semeia vento, colhe tempestade" - e neste caso, quem vota em político irresponsável, colhe nomeações.

Que isso companheiro?

Sua curta e desastrosa passagem pela Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes é prova disso.

Atuação parlamentar irrelevante e polêmica

Eleita em 2024 como a vereadora mais jovem do país, Thamires acumulou apenas nove meses de mandato antes de abandonar a função para assumir o cargo estadual. Nesse período, sua atuação foi marcada por projetos sem impacto social, como a tentativa de regulamentar bronzeamento artificial — proposta vetada pelo prefeito por falta de embasamento técnico e relevância pública.

Além disso:
- Não apresentou projetos voltados à sustentabilidade, meio ambiente ou políticas públicas estruturantes.
- Demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento da Câmara e da legislação municipal.
- Em entrevista à rádio local, declarou que já era candidata à presidência da Câmara, revelando ambição política precoce e desconectada da realidade institucional.

Nomeação sem critério técnico

O cargo de subsecretária exige conhecimento em políticas ambientais, gestão de recursos naturais e articulação interinstitucional. A escolha de Thamires, feita diretamente pelo governador Cláudio Castro, ignora completamente esses critérios. A justificativa oficial — de que ela representa a juventude e tem “talento” — soa como cortina de fumaça para uma indicação baseada em vínculos familiares e alianças políticas.

Nepotismo cruzado e escândalos familiares

Thiago Rangel, pai da nomeada, é investigado por suspeitas de corrupção e já foi alvo de operações da Polícia Federal. A nomeação da filha para um cargo estratégico pode configurar nepotismo cruzado, prática condenada por tribunais e órgãos de controle. 

A Constituição exige que a administração pública respeite os princípios da moralidade, impessoalidade e eficiência — todos ignorados neste caso.

Meio Ambiente tratado como moeda política

A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade enfrenta desafios urgentes: desmatamento, crise hídrica, mudanças climáticas e gestão de resíduos. Colocar uma jovem sem preparo técnico à frente de decisões estratégicas é um desrespeito à sociedade fluminense e aos servidores de carreira da pasta.

Reações e cobranças

A nomeação gerou revolta entre ambientalistas, servidores públicos e cidadãos. A sociedade exige explicações do governador e cobra responsabilidade na gestão de cargos públicos. 

O meio ambiente não pode ser tratado como trampolim político.

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Por Ultima Hora em 08/10/2025
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