Muitas palavras, pouca informação

Muitas palavras, pouca informação

 

 Mais do mesmo

As quase 8 horas em que o ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, esteve depondo na CPI mista dos Atos Antidemocráticos, no Senado, não trouxeram fatos novos e nem informação relevante para as investigações do anarquismo de 8 de janeiro. Torres repetiu o que já havia falado em questionamentos anteriores.

Ironia do destino

Talvez o fato mais inusitado do depoimento desta terça-feira, 8, na CPI foi Anderson Torres, delegado da Polícia Federal e ex-ministro da Justiça, ter chegado à audiência usando tornozeleira eletrônica. O acessório está com o ex-secretário de Segurança Pública desde maio, quando conseguiu soltura provisória autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Torres esteve preso por 4 meses acusado de omissão e conivência com a tentativa de golpe de estado e os ataques de 8 de janeiro.

 Tática batida

Amparado por um Habeas Corpus em que lhe autorizava o direito a ficar calado em perguntas que pudessem lhe complicar, Anderson Torres respondeu aos questionamentos e adotou o discurso de desentendido quando o assunto foi a suposta "minuta do golpe" encontrada em sua residência pela Polícia Federal durante mandado de busca e apreensão em janeiro. Segundo Torres, esse documento é uma "minuta fantasiosa" e "aberração jurídica".

Como assim?

Então secretário de Segurança Pública da capital federal e de um governo recém-empossado, com a experiência de um Ministério da Justiça, Anderson Torres disse que não foi avisado pelos alertas de inteligência sobre a ameaça de manifestações do domingo, 8 de junho janeiro. Tranquilo, viajou de férias com a família para os Estados Unidos, viagem esta que estava confirmada desde 21 de novembro quando comprou as passagens aéreas. Diante do depoimento de Torres, a convocação do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB-DF) está iminente.

 Afagos

Enquanto os membros governistas questionavam a omissão de Torres, os aliados tentavam dar-lhe protagonismo no depoimento. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que foi ministra das Mulheres no governo Bolsonaro, exaltou sua competência operacional. Rogério Marinho (PL-RN), que também era colega de Torres ba Esplanada dos Ministérios, o cumprimentou com amabilidade. O mesmo fez Sergio Moro (União-PR), seu antecessor no comando só Ministério da Justiça.

Espetáculo 

Claro, como toda CPI que se preze (o histórico tem confirmado isso), não poderia faltar o momento confusão, discussão, gritaria e ataques. Até indícios de cuspe entre os nobres congressistas foi relatado hoje e o presidente da CPI mista, deputado Arthur Maia (União-BA), já pediu a verificação das câmeras para confirmar a veracidade da denúncia. A comissão mista só perde, nesse momento, no quesito baixaria, para a CPI do MST.

Carta de Belém

Nesta quarta-feira, 9, o presidente Lula e os presidentes dos países amazônicos que participam da Cúpula da Amazônia, em Belém do Pará, divulgam o documento oficial do evento com o resultado e as diretrizes para concretizar o plano de ação. A Carta de Belém foca na sustentabilidade, no desmatamento zero e na defesa efetiva da Amazônia.

Pleitos

A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) se reuniu hoje com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o relator da PEC da reforma tributária na casa, senador Eduardo Braga (MDB-AM) para externar suas preocupações quanto ao futuro dos tributos municipais com o advento do novo código tributário do país. Eles temem ficar de "pires na mão" junto ao governo federal na liberação de recursos financeiros arrecadados por suas cidades.

Mega projeto 

O presidente Lula lança na próxima sexta-feira, 11, no Rio de Janeiro, o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com obras robustas para modernizar a infraestrutura do país. E os ministros da Casa Civil e da Articulação, Rui Costa e Alexandre Padilha, respectivamente, foram os preceptores do presidente, hoje, ao apresentar aos líderes da Câmara e do Senado o projeto em primeira mão, durante reunião no Palácio do Planalto.

Na pauta

E por falar em Rio de Janeiro, o Instituto Coalizão Rio realiza, amanhã, no Senado, o evento Rio Day Segurança Pública, com a presença de várias autoridades da segurança e do Estado carioca para debater esse tema tão sensível na região e, que impacta o resto do país.

Por Coluna Valéria Costa em 08/08/2023
Aguarde..