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Barragem da Vale em Barão de Cocais entra em nível máximo de emergência com risco iminente de rompimento
A barragem Sul Superior, localizada na mina Gongo Soco em Barão de Cocais, Minas Gerais, foi colocada em nível 3 de emergência - o mais alto grau de alerta - após auditor independente identificar condição crítica de estabilidade na estrutura. A Vale, empresa responsável pela barragem, acionou imediatamente o protocolo de emergência e iniciou a evacuação da Zona de Autossalvamento (ZAS), reacendendo os temores de uma nova tragédia no setor de mineração brasileiro.
O alerta máximo foi declarado depois que auditores se recusaram a emitir laudo de estabilidade para a estrutura, indicando que a barragem pode se romper a qualquer momento.
A situação se agravou ainda mais com a identificação de risco de deslizamento do talude da mina de Gongo Soco, localizado a apenas 1,5 quilômetro da barragem. Segundo informações da própria Vale ao Ministério Público, esse deslizamento pode ocorrer a qualquer momento e provocar abalo sísmico com intensidade suficiente para causar o rompimento da estrutura de contenção.
Para tentar minimizar os impactos de um possível rompimento, a mineradora iniciou obras emergenciais de contenção, incluindo a construção de um muro de concreto a seis quilômetros da barragem, entre a estrutura e a cidade de Barão de Cocais. As intervenções incluem terraplenagem, contenções com telas metálicas e posicionamento de blocos de granito, com o objetivo de reduzir a velocidade de avanço e conter o espalhamento do material em uma área mais restrita. A empresa afirma que essas medidas visam "reduzir os possíveis impactos às pessoas e ao meio ambiente no cenário extremo de um rompimento da estrutura".
A comunidade de Barão de Cocais vive um drama que se arrasta há anos, com moradores sendo repetidamente removidos de suas casas devido ao risco de rompimento.
O padre José Antonio de Oliveira, do Santuário de São João Batista, descreve a situação como "terrorismo psicológico", relatando o aumento significativo de casos de depressão e outras doenças entre os fiéis. "Os mais afetados são os idosos e as crianças. Um grupo grande de moradores já vive a experiência concreta de ficar sem casa. Deixaram tudo para trás: animais, sua história", lamenta o religioso, que também está entre os possíveis atingidos pela lama.
A barragem Sul Superior faz parte do plano de descaracterização da Vale, que prevê a remoção de todas as barragens a montante inativas da empresa até 2029. Atualmente, restam dez estruturas desse tipo no portfólio da mineradora. Enquanto isso, a barragem Sul Inferior, também na mina Gongo Soco, teve seu nível de emergência encerrado após obter a
Declaração de Condição de Estabilidade, mas as restrições de acesso permanecem devido à proximidade com a Sul Superior. A situação reacende as preocupações sobre segurança de barragens no Brasil, especialmente após a tragédia de Brumadinho em 2019, e evidencia a necessidade urgente de maior rigor na fiscalização e monitoramento dessas estruturas.
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