Nova greve dos caminhoneiros pode começar na quinta-feira, diz Abrava, após reajuste da Petrobras elevar diesel e aumentar tensão no transporte

Alta do combustível pressiona transportadores e reacende risco de paralisação nacional nas estradas, enquanto lideranças do setor cobram fiscalização, revisão de impostos e medidas estruturais

Nova greve dos caminhoneiros pode começar na quinta-feira, diz Abrava, após reajuste da Petrobras elevar diesel e aumentar tensão no transporte

A possibilidade de uma nova greve dos caminhoneiros voltou ao centro do debate político e econômico no Brasil após o aumento no preço do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário de cargas. Lideranças da categoria afirmam que a insatisfação com os custos crescentes e com a eficácia limitada das medidas anunciadas pelo governo pode levar a uma paralisação nacional já nos próximos dias, o que reacende o temor de impactos logísticos e econômicos em diferentes setores da economia.

De acordo com o portal CNN Brasil, caminhoneiros de diversas regiões do país voltaram a alertar o governo federal sobre a possibilidade de uma paralisação nacional. A insatisfação cresce principalmente entre motoristas autônomos, que afirmam estar enfrentando dificuldades para manter suas atividades diante da escalada contínua do preço do combustível. Segundo representantes do setor, o reajuste recente da Petrobras praticamente anulou o alívio prometido pelo pacote de medidas anunciado pelo governo.

A mobilização ganhou força após uma assembleia realizada no Porto de Santos (SP) nesta segunda-feira (16). Durante o encontro, lideranças da categoria deram sinal verde para iniciar articulações que podem resultar em uma nova paralisação nacional. Ainda que a data oficial não tenha sido definida, parte dos participantes defende que o movimento comece já nesta semana, o que eleva a tensão no setor de transportes.

Reunião em Santos fortalece mobilização e entidades discutem início da paralisação

A informação foi divulgada pelo portal Notícias Agrícolas, que relatou que a paralisação foi alinhada durante uma reunião em Santos. De acordo com o presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como Chorão, a decisão reflete o descontentamento generalizado da categoria com as sucessivas altas do diesel.

Segundo Landim, representantes de diversas regiões do país participaram das discussões e manifestaram apoio à mobilização. Apesar disso, ele destacou que o movimento precisa seguir os trâmites legais, incluindo diálogo com outras entidades do setor e definição de uma data que respeite a legislação vigente.

“Hoje a maioria das lideranças de todos os estados envolvidos decidiu que vai fazer uma paralisação. Mas precisamos seguir um trâmite legal, conversar com outras entidades e alinhar uma data dentro da legislação”, afirmou o presidente da Abrava em entrevista ao portal Agência Transporte Moderno.

Além disso, Landim criticou a falta de fiscalização no mercado de combustíveis e apontou diferenças expressivas de preço em curtas distâncias. “Em cada dois quilômetros você encontra um preço diferente. Eu cheguei a ver diesel a R$ 6,29 descendo para Santos. O governo precisa fiscalizar as distribuidoras e revendedoras”, afirmou.

Diesel sobe mais de 18% e categoria reclama de pacote que perdeu efeito

A tensão aumentou ainda mais após o anúncio do pacote de medidas do governo federal destinado a aliviar os custos do transporte. Entre as iniciativas divulgadas estavam a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel, a criação de uma subvenção para reduzir o preço nas bombas e mudanças no modelo de fiscalização.

Entretanto, na sequência dessas medidas, a Petrobras anunciou um reajuste no preço do combustível, o que, segundo os caminhoneiros, acabou reduzindo significativamente o impacto positivo esperado. Como resultado, o setor passou a afirmar que parte das ações anunciadas não produziu o efeito desejado.

De acordo com o painel online da ValeCard, o diesel S-10 registrou aumento de 18,86% desde 28 de fevereiro, período em que começaram os conflitos no Oriente Médio. Já o diesel comum teve um aumento ainda maior no mesmo intervalo, ultrapassando 22% de alta.

Esses números ajudam a explicar o aumento da insatisfação entre os transportadores, que afirmam que os custos operacionais continuam crescendo enquanto as margens do setor permanecem cada vez mais pressionadas.

Pressão sobre governo aumenta enquanto agronegócio teme impacto logístico

Embora a adesão ao movimento ainda não seja total, diversas entidades sindicais e associações afirmam que a mobilização pode ganhar força rapidamente. O movimento envolve tanto caminhoneiros autônomos quanto profissionais vinculados a empresas de transporte, além de sindicatos que representam diferentes segmentos da categoria.

Segundo o presidente da Fetrabens (Federação dos Caminhoneiros Autônomos de Cargas em Geral do Estado de São Paulo), Everaldo Bastos, há uma preocupação crescente com o impacto do aumento do combustível no transporte de cargas em todo o país.

Ele afirmou que as entidades sindicais estão unidas para pressionar por soluções estruturais. “Como federação estamos mostrando nosso descontentamento e que as entidades sindicais filiadas à Fetrabens estão unidas com o caminhoneiro e vendo a possibilidade de auxiliar e intervir nesta situação de risco que é o desabastecimento e o aumento excessivo dos preços do combustível”.

Além disso, Bastos explicou que já existem pontos do país onde caminhoneiros estão deliberadamente parando, ainda que muitos desses movimentos sejam independentes e organizados por sindicatos regionais.

Outro fator que preocupa diferentes setores da economia é o impacto potencial sobre o agronegócio, que depende fortemente do transporte rodoviário para escoar sua produção.

Segundo o sócio-diretor da Pine Agronegócio, Alê Delara, a paralisação pode agravar um cenário já delicado. Ele afirma que o setor enfrenta dificuldades devido ao alto preço do diesel e à escassez de combustível em algumas regiões produtoras.

Delara destacou que existem relatos de preços extremamente elevados em determinadas áreas do país, com registros superiores a R$ 15 por litro, o que ele classificou como “um completo absurdo”.

Além do preço, a distribuição do combustível também se tornou um problema, com investigações conduzidas por órgãos como Procon e Ministério Público em alguns estados. Em determinadas regiões, postos passaram a impor limites de abastecimento entre 200 e 300 litros por caminhão, o que dificulta ainda mais as operações de transporte.

Consequentemente, produtores rurais e transportadores afirmam que a situação ameaça operações importantes do calendário agrícola, incluindo o plantio do milho safrinha e a conclusão da colheita da soja.

Mesmo com o clima de tensão, lideranças do setor afirmam que ainda existe espaço para negociação. Representantes da categoria seguem mantendo diálogo com integrantes do governo, incluindo membros da Casa Civil, na tentativa de evitar uma paralisação que poderia gerar impactos logísticos em todo o país.

Enquanto isso, o Palácio do Planalto foi procurado pela imprensa sobre o assunto, mas ainda não havia se pronunciado oficialmente até o momento.

E você, acredita que uma nova paralisação dos caminhoneiros pode acontecer nos próximos dias ou considera que ainda há espaço para negociação antes que as estradas parem?

Por Ultima Hora em 18/03/2026
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