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Antigamente, o sarampo era uma doença comum na infância e a maioria das crianças tinha o sarampo sem maiores problemas. Mas em algumas crianças a infecção causava pneumonia e ou encefalite (infecção do cérebro) e podia até mesmo levar à morte.
Com a chegada da vacina, em 1963, foi possível proteger a população infantil contra o sarampo. No Brasil, a partir da criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, foram estipulados programas para evitar o avanço da enfermidade. Em 2016, o Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um país livre de sarampo. Mas devido ao ressurgimento da doença em 2018 e intensa atividade do vírus, em 2019, o Brasil perdeu a certificação da eliminação. Essa certificação foi reconquistada em novembro de 2024, quando na época gerou a declaração do presidente Lula que: “Esse diploma é resultado da força da retomada e da competência do sistema de vacinação brasileiro”.
A doença é causada por um vírus de transmissão respiratória que se espalha através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. É uma infecção altamente contagiosa que só afeta os humanos, sendo assim, se grande parta da população mundial fosse vacinada, a doença já teria sido eliminada do planeta. A doença ocorre em todo o mundo e permanece como uma causa importante de óbito em crianças menores de 5 anos.
Graças a vacinação contra o sarampo, proteger a população contra o sarampo. No entanto, nos últimos anos, alguns pais têm recusado ou atrasam a vacinação de seus filhos por medo ou desinformação sobre a segurança dela. Ou seja há mais crianças, adolescentes e adultos não vacinados em nossas comunidades. Isso se dá em parte porque as pessoas não veem mais crianças com sarampo e suas sequelas.
O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação para prevenir casos graves e óbitos causados pelo sarampo. As campanhas de vacinação adotadas pelo governo brasileiro certamente influenciaram nessa certificação. Em 2023, 13 dos 16 imunizantes do calendário nacional tiveram aumento na cobertura vacinal, incluindo a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. A cobertura da primeira dose passou de 80,7% em 2022 para 88,4% em 2023, e em 2024, até o momento, já chegou a 92,3%.

Mas e esses novos casos? O mundo vem vivenciando um aumento gradativo de registros de sarampo, sendo os epicentros geralmente na Europa e África, e, atualmente, a região das Américas – concentrado os casos em surtos nos Estados Unidos, principalmente. Mas Argentina e Brasil também reportaram casos, daí a preocupação. Entretanto, os casos no Brasil são relatados como casos importados, onde a infecção aconteceu fora do território nacional.
Isso acontece porque a facilidade de transmissão do sarampo é muito alta. Fazendo uma comparação para entender essa alta transmissibilidade: Na COVID19 a taxa de transmissão era 3,8, ou seja, cada infectado transmitia a doença para 3,8 pessoas; no sarampo essa taxa é de 18. Ou seja, cada infectado com sarampo irá transmitir para 18 outras pessoas não vacinadas. Sendo assim, o sarampo é reflexo da cobertura vacinal da população.
QUAIS OS SINTOMAS? Depois da infecção, o vírus fica incubado por um período de 6 a 21 dias, quando o vírus passa a crescer nas mucosas dos olhos e vias aéreas. Nessa fase, o vírus fica replicando, mas não causa sintomas em si. Depois começa uma fase caracterizada por sintomas como tosse, coriza, conjuntivite e febre alta, o que confunde com um quadro gripal. Essa fase dura por volta de dois a quatro dias e pode persistir por até uma semana. Depois surgem lesões típicas na mucosa da boca (“manchas de Koplik”), perto dos molares que duram até poucos dias e desaparecem com a chegada das erupções da pele. Após 48 horas do aparecimento das lesões na pele, o paciente começa a apresentar melhoras.
E QUANDO COMPLICA, O QUE ACONTECE? Como o sarampo provoca um efeito de imunossupressão, torna o paciente mais vulnerável a outras infecções oportunistas secundárias, aumentando o risco de complicações mesmo após a fase aguda da doença. Entre as mais comuns estão a pneumonite (pneumonia viral causada pelo próprio vírus), otite média, diarreia intensa e pneumonia bacteriana secundária. Em quadros mais severos, a doença pode levar a danos permanentes, como a perda da visão por lesões na córnea. Também há risco de complicações neurológicas potencialmente fatais.
COMO ACONTECE A TRASMISSÃO: A transmissão do sarampo pode ocorrer até cinco dias antes do desenvolvimento do exantema (as erupções na pele). “Ou seja, a pessoa apresenta um quadro típico de síndrome gripal e, eventualmente, não está em isolamento, frequentando a escola ou mesmo serviços de saúde”, alerta a infectologista do Einstein. A transmissão continua até quatro dias após o aparecimento das manchas da pele. “Uma pessoa doente pode neste período acometer 90% das pessoas que estão suscetíveis no seu entorno”, afirma Emy Gouveia, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em entrevista à CNN.
COMO É A VACINA? A vacina tríplice viral contém vírus vivos atenuados (enfraquecidos), estimulando o sistema imunológico a produzir uma resposta protetora sem causar a doença. No Programa Nacional de Imunizações (PNI), a estratégia de imunização tem como foco a população pediátrica e está indicada em duas doses, uma aos 12 e outra aos 15 meses. Adolescentes e adultos que nunca foram vacinados ou estão com o esquema vacinal incompleto também devem ser imunizados: até os 29 anos, a recomendação é receber duas doses com intervalo de um mês; e entre 30 e 59 anos, uma dose. Em situações de surto, pode ser avaliada a vacinação de crianças entre 6 e 12 meses e maiores de 59 anos.
O principal objetivo da vacina é prevenir a infecção, pois ela traz uma resposta muito robusta de anticorpos. É importante lembrar que nenhuma vacina é 100% protetora: uma pessoa vacinada pode se infectar, mas provavelmente desenvolverá uma forma branda ou até atípica da doença.
Como a vacina é feita com vírus atenuados, é contraindicada para pessoas imunodeprimidas de maneira geral. Mas a vacinação da população em geral contribui para a proteção dessas pessoas com contraindicação à vacina, a chamada “imunização de rebanho”, que deve ser mantida acima de 85 a 95% de cobertura vacinal.
O Ministério da Saúde informa que a vacinação é a única forma de prevenir o sarampo e que as vacinas são ofertadas nas mais de 36 mil salas de vacinação disponíveis nos postos de saúde do SUS em todo o país, sendo gratuitas e seguras.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
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