Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Por Carlos Santana, ex-deputado federal
O Brasil está vivendo um cerco silencioso. Lula, com toda sua história e legitimidade popular, está sendo sangrado em praça pública por um Congresso que já não legisla — apenas negocia, sabota, chantageia.
A Política da Humilhação
Nas últimas semanas, vimos o teatro da degradação institucional encenar seus atos mais cruéis:
O aumento do IOF, que buscava recompor o orçamento público, foi destruído em 24 horas. A traição veio de onde menos se esperava: dos partidos com cargos e ministérios. O governo levou um tapa — e foi dos seus.
O Congresso derrubou o veto ao Fundo Partidário e se presenteou com R$ 168 milhões extras. Parlamentares da base ajudaram a passar a mão no cofre. Até deputados do PT votaram contra Lula.
R$ 197 bilhões na conta de luz dos brasileiros até 2050, aprovados à sombra de uma lei para eólicas offshore, cheia de “jabutis”. Enquanto você paga R$ 4,46 a cada 100 kWh, o Congresso serve banquetes energéticos aos grandes empresários.
Isso não é democracia em crise. É democracia sequestrada.
2026: O Jogo Decisivo Será no Congresso
Em 2026, o Brasil irá às urnas. Mas a batalha principal não será pelo Planalto — será pelo Parlamento.
Dois terços do Senado estarão em disputa. Todos os 513 deputados federais também.
Sem maioria no Senado, o presidente é um refém elegante. Sem base na Câmara, governar vira um ritual de humilhação cotidiana. Um presidente de esquerda com um Congresso de direita é como um médico cercado por açougueiros.
A equação é clara:
Precisamos eleger pelo menos 28 dos 54 senadores em disputa.
Precisamos alcançar 257 deputados para aprovar qualquer transformação real.
Se não conseguirmos isso, não haverá governo. Haverá apenas resistência, sabotagem e chantagem.
O Brasil Real Está Sendo Entregue
Enquanto isso, a direita planta com método: compra prefeitos, mobiliza igrejas, financia campanhas no atacado. A esquerda, por outro lado, continua viciada na ilusão messiânica do presidencialismo.
Gastamos tudo na cabeça de chapa e deixamos o corpo vulnerável. Elegemos presidentes e abandonamos seus braços e pernas à misericórdia dos adversários.
É suicídio estratégico.
O Que Fazer, de Verdade
1. Virar o jogo orçamentário: 70% dos recursos do campo progressista devem ir para eleger deputados e senadores. O resto é vaidade.
2. Formar uma frente legislativa antifascista: PT, PSOL, PCdoB, PSB, PDT — qualquer um que queira barrar o bolsonarismo deve ser apoiado, mesmo que isso doa no ego de caciques partidários.
3. Tratar as eleições como uma guerra de ocupação institucional: Cada estado precisa ter um comando político para conquistar cadeiras no Congresso como quem reconquista território perdido.
4. Falar com o povo sem meias-palavras: A maioria dos brasileiros ainda acha que quem manda é o presidente. Mas a caneta está no Congresso. E quem segura essa caneta tem nome, partido e CPF.
A Última Chance
Se falharmos em 2026, não haverá 2030.
Esqueça reforma tributária progressiva.
Esqueça transição ecológica justa.
Esqueça universidades públicas fortes.
Esqueça qualquer avanço social que exija maioria parlamentar.
A máquina do atraso vai se consolidar. E a esquerda será reduzida a ONG de bons costumes no Instagram.
O Poder Real Não Está no Planalto
Está no Congresso. Ponto final.
Enquanto a esquerda continuar acreditando que basta eleger um presidente para mudar o Brasil, seguiremos assistindo nossos sonhos sendo vetados por analfabetos políticos a serviço do grande capital.
2026 é o tudo ou nada. Ou retomamos o Congresso, ou entregamos o país.
E se não soubermos responder à pergunta que a história nos cobra agora, talvez não tenhamos mais país para perguntar depois.
Quem vai governar o Brasil? Lula com o povo? Ou um Congresso vendido ao atraso?
A Chamada Final
O primeiro passo é simples — mas urgente: precisamos voltar a organizar os comitês populares nos bairros. Precisamos denunciar, com nome e sobrenome, os deputados que votam contra o povo e ao lado dos poderosos.
Na televisão, nos jornais, nas redes sociais, esse assunto não aparece. Temos que levar as favelas, as periferias, os sindicatos, as igrejas e escolas, essa discussão e mostrar que eles querem q a gente se cale.
Precisamos ocupar as ruas novamente. Ocupar o espaço público com consciência de classe.
A elite fez questão de destruir os movimentos de massa porque sabe que povo organizado é um povo perigoso. Nos quiseram pequenos, nos quiseram calados. Está na hora de nos levantar de novo.
Vamos pra rua. O Brasil ainda tem jeito. Vamos voltar pra rua.
Carlos Santana
Sindicalista, ex-deputado federal, Doutor em História e advogado
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!