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Oposição que não se opõe: o paradoxo político fluminense
Em um movimento que surpreendeu observadores da política fluminense, a indicação de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) foi aprovada com amplo apoio, incluindo votos da bancada do prefeito Eduardo Paes, teoricamente oposição ao governador Cláudio Castro.
A matemática não mente: com uma bancada de 23 deputados (17 de partidos de esquerda como PT, PSOL, PSB, PCdoB e PDT, além de 6 do PSD), a oposição liderada por Paes conseguiu apresentar apenas 5 votos contrários à indicação que favorece diretamente os planos de sucessão de Castro.

A primeira 'oposição a favor' da história política brasileira
"Como diria minha avó, isso é mais estranho que cabelo em ovo", brinca um veterano assessor parlamentar. "Parece que Eduardo Paes inventou um novo conceito político: a primeira oposição a favor da história!"
O jogo rápido de Pampolha

O agora ex-vice-governador não perdeu tempo. Após a aprovação na Comissão de Normas Internas por unanimidade (5 votos favoráveis), Pampolha viu seu nome ser referendado pelo plenário da Alerj com 57 votos a favor, apenas 5 contra e 7 abstenções.
A velocidade do processo impressionou até os mais experientes: indicação enviada na segunda-feira, aprovação na terça, posse na quarta. "Foi mais rápido que casamento em Las Vegas", comenta um funcionário do Legislativo.
A renúncia ao cargo de vice-governador e a nomeação como conselheiro do TCE foram oficializadas em edição extraordinária do Diário Oficial, selando um movimento político que abre caminho para a reorganização do xadrez eleitoral fluminense.

Sabatina ou festa de aniversário?
Durante a sabatina, Pampolha, aos 38 anos, destacou seus quase 15 anos de trajetória política, incluindo três mandatos como deputado e passagens por diversas comissões da Alerj. "No intenso trabalho desses colegiados, eu consegui uma bagagem das questões orçamentárias", declarou o candidato ao TCE.
O presidente da comissão, Rodrigo Amorim, não economizou elogios: "Apesar de ótimo secretário estadual e vice-governador, o que mais qualifica Pampolha são seus 12 anos como parlamentar". Como diz o ditado popular, "elogio em boca própria é vitupério, mas na boca dos outros é mérito".
PDT flerta com Bacellar e expõe rachaduras na base de Paes e Lula

Esquerda carioca em silêncio: o apoio velado que ninguém quer admitir.
Os bastidores da indicação de Pampolha revelaram um namoro político inesperado. O deputado Vitor Júnior (PDT), natural de Campos dos Goytacazes, surpreendeu ao declarar publicamente que ele e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), também campista, apoiam a candidatura do deputado Thiago Rangel (PMB) para prefeito de Campos.
Em contrapartida, Vitor Júnior afirmou que ele e Rangel apoiam Bacellar em "voos maiores" - uma clara insinuação sobre uma possível candidatura ao governo do estado. "É como aquela história do casamento aberto que ninguém sabia que existia", ironiza um assessor parlamentar.
A movimentação ganha contornos mais dramáticos quando lembramos que o PDT é aliado de Eduardo Paes (PSD), que também não esconde o interesse em disputar o Palácio Guanabara. Como diz o ditado, "em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão".
Não é a primeira vez que pedetistas demonstram simpatia pelo nome de Bacellar. Mês passado, o deputado federal Max Lemos (PDT) já havia revelado, em entrevista em Brasília, sua preferência pelo presidente da Alerj na sucessão de Cláudio Castro. "É aquela velha história: o amigo do meu inimigo deveria ser meu inimigo, mas na política fluminense virou meu amigo", comenta um veterano observador político.
O mistério da oposição desaparecida

Caravana de prefeitos no beija-mão de Rodrigo Bacellar: da esquerda para a direita, André Gonçalves; a prefeita Yara Cinthia, de São Francisco de Itabapoana; o deputado Thiago Rangel (PMB); Serginho Cyrilo (PL), de Bom Jesus do Itapaboana; o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União); Netinho do Dinésio, de Laje do Muriaé; Léo Pelanca (PL), de Italva; de deputado Vítor Júnior (PDT) - Foto: Divulgação
A estranha matemática da Alerj: quando 23 deputados de oposição somam apenas 5 votos e onde até o Psol de Tarcisio Motta e o PT de Lula que já apoiaram a eleição de Bacellar, agora confirmam o mistério e apoiam a trama do PL com MDB.
O mais intrigante nessa história toda é o comportamento da bancada do PSD, partido do prefeito Eduardo Paes, que votou a favor da indicação. Como diria o sábio, "em política, quem não está contra, está a favor, mesmo que diga o contrário".
A aprovação de Pampolha para o TCE representa uma jogada estratégica que beneficia diretamente os planos de Cláudio Castro, teoricamente adversário político de Paes. "É como torcer para o Flamengo, mas comemorar quando o Vasco faz gol", compara um veterano jornalista político.
O futuro dirá. Eduardo Paes e Cláudio Castro: rivais ou parceiros?
TCE: o novo destino dos políticos jovens com futuro garantido até 2060, enquanto isso, o novo conselheiro promete modernização, integração de sistemas e maior participação popular. "Precisamos criar novos canais de comunicação com a população", declarou Pampolha, que aos 38 anos assume um cargo vitalício com aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Como diz o velho provérbio, "em política, o que parece é; o que não parece, também é". Resta saber qual será o próximo capítulo dessa história que mistura aliados e adversários numa dança política que confundiria até o mais experiente mestre de valsa.
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