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Em Conceição de Macabu, o espetáculo já começou — e nem precisou ligar o som. A Prefeitura, comandada pelo prefeito Valmir Lessa, decidiu bancar quase R$ 1,5 milhão em palco, luz e som, enquanto a cidade enfrenta falta d’água, problemas sérios na saúde e abandono em setores básicos. O contraste é tão gritante que virou combustível político — e o pavio foi aceso dentro da Câmara.
Quem puxou o freio de mão foi o vereador João Cleber, que não economizou palavras. Disse ter recebido a informação com tristeza, indignação e revolta, destacando que o valor dos contratos não conversa com a realidade do município. “Tem comunidade sem água, gente sofrendo na zona rural, saúde precária, e o dinheiro indo para festa”, resumiu o tom.
A crítica atinge em cheio a gestão Valmir Lessa, que agora precisa explicar por que o brilho do palco parece mais urgente do que o básico para a população. Em cidade pequena, R$ 1,5 milhão não é detalhe, é decisão política. É água que poderia chegar, exame que poderia ser feito, estrutura que poderia funcionar.
Nas ruas, o comentário corre solto. Morador reclama que abre a torneira e não cai nada. Outro fala da dificuldade para conseguir atendimento médico. Enquanto isso, a Prefeitura prepara estrutura de evento de alto custo. Para muita gente, é o retrato clássico da prioridade invertida: festa em dia, povo esperando.
João Cleber jogou gasolina na lenha ao lembrar que Conceição de Macabu não é município rico. Vive de orçamento apertado e depende de escolhas responsáveis. Segundo ele, cultura é importante, mas não pode virar cortina de fumaça para esconder carência básica. “Antes do palco, precisa ter água. Antes do show, precisa ter saúde”, é o recado que ecoa.
O silêncio do Executivo, até agora, só aumenta o ruído. Porque quando a gestão não responde, a crítica cresce. E quando o povo sente no bolso, na torneira e no posto de saúde, o discurso não fica restrito ao plenário — vai para a rua.
Em Conceição de Macabu, o palco está montado. A pergunta é simples e direta, do jeito que o povo gosta: vai ter espetáculo só na festa ou a gestão Valmir Lessa vai explicar por que o básico ficou fora do roteiro?
Por: Arinos Monge.
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