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Decreto do governo do estado oficializa a proteção do parque de diversões mais antigo do Brasil, símbolo afetivo da Zona Norte e marco da memória carioca desde meados do século passado.
Um patrimônio que atravessa gerações
O Parque Shangai, localizado há seis décadas no mesmo endereço da Penha, Zona Norte do Rio, foi oficialmente declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
O decreto, assinado nesta segunda?feira (4) pelo governador Ricardo Couto, consagra a importância histórica, social e afetiva do parque considerado o mais antigo em atividade contínua no Brasil.
A iniciativa decorre de um projeto de lei do ex?deputado Andrezinho Ceciliano (PT), com coautoria da deputada Marina do MST (PT), reforçando o papel de defesa da memória popular no Legislativo fluminense.
Da atração itinerante ao coração da Penha
Fundado em 1919, em São Paulo, como parque itinerante, o Shangai atravessou estados, cidades e fases diferentes da urbanização brasileira.
Chegou ao Rio em 1934, fixando raízes iniciais nas proximidades do Aeroporto Santos Dumont. A década de 1940 marcou sua primeira grande expansão estrutural, seguida pela mudança para a Quinta da Boa Vista, onde permaneceu por cerca de 20 anos, tornando?se parte do imaginário de famílias cariocas.

Desde 1966, entretanto, o Shangai encontrou morada definitiva: a Penha, vizinho à icônica Igreja da Penha, tornando?se referência turística, ponto de encontro de gerações e símbolo afetivo do subúrbio carioca.
Proteção institucional e compromisso com a memória
O decreto estadual determina que os órgãos do governo passarão a apoiar iniciativas de valorização, preservação e memória do parque. Isso inclui ações culturais, campanhas de reconhecimento histórico e eventual suporte técnico para manutenção de seus equipamentos, estrutura e acervo.
Especialistas em patrimônio urbano apontam que parques tradicionais formam importantes núcleos de sociabilidade: são espaços onde famílias se encontram, memórias se constroem e identidades locais se fortalecem.
Ao ser incluído no registro cultural estadual, o Shangai assume o mesmo reconhecimento dado a blocos carnavalescos históricos, lugares de culto e expressões tradicionais da sociedade carioca.
Símbolo do lazer popular e testemunha do tempo
Do brinquedo que range ao som da infância aos neons que resistem ao tempo, o Shangai simboliza o lazer popular típico do subúrbio acessível, familiar e marcado por histórias reais. Em 2011, o parque viveu um processo de revitalização que reaproximou antigos frequentadores, muitos deles já adultos levando seus próprios filhos.
Para pesquisadores de cultura urbana, esse tipo de permanência “de bairro” revela valores raros num Rio marcado pela rotatividade de empreendimentos e pelo apagamento de espaços comunitários.
Como diria Darcy Ribeiro, “o povo brasileiro é antes de tudo um povo inventivo” — e o Shangai é a prova viva de como um espaço simples pode ganhar estatura monumental pela força da memória coletiva.
O futuro de um clássico carioca
O reconhecimento estadual dá novo fôlego para iniciativas de modernização, pesquisa histórica e fortalecimento da Penha como polo cultural.
Com sua combinação de tradição, afetividade e permanência urbana, o Parque Shangai passa oficialmente a integrar o conjunto de bens que contam a história da formação social do Rio.
Aos 60 anos, na Penha, o parque segue como testemunha da cidade que muda, cresce, tropeça e se recria — mas nunca abandona seus símbolos.
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