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A SuperVia anunciou que não vai aumentar a tarifa em 2026. A passagem segue no mesmo valor. A notícia, à primeira vista, até tenta parecer boa. Mas quem vive o trem todo dia sabe: não aumentar não é solução quando o serviço já anda descarrilado faz tempo.
Na prática, o que o passageiro escuta é quase um aviso: se já estava ruim, pode se preparar. Trens que param no meio do caminho, viagens que viram teste de resistência, atrasos intermináveis, estações lotadas, calor, panes “técnicas” e aquele velho pedido de desculpa no alto-falante, sempre depois do prejuízo feito.
Congelar a tarifa sem melhorar o serviço soa como ironia. É como dizer ao trabalhador que chega atrasado no emprego, ao estudante que perde prova e à dona de casa que passa horas na plataforma: “pelo menos você paga o mesmo”. Paga, mas paga caro — com tempo, saúde e paciência.
E enquanto isso, a conversa sobre trocar a operadora, rever o modelo, mudar de verdade segue parada no mesmo trilho enferrujado. Nada anda. Nada muda. Só o discurso.
O trem continua quase parando, a confiança já parou faz tempo e o usuário segue refém de um sistema que parece ter desistido de funcionar direito. Não aumentar a passagem não é presente. Quando o serviço não melhora, é só mais um capítulo da rotina cansativa de quem depende do transporte sobre trilhos no estado do Rio.
No fim das contas, o preço ficou igual. O problema também. E o passageiro segue pagando a conta — mesmo quando o trem não chega.
Por: Arinos Monge.
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