Pedro Borges: 50 anos de arte revolucionária entre o concreto e o cosmos

Além do grafite: O pioneiro que pintou 6.000m² quando ninguém acreditava na arte de rua

Artista plástico celebra meio século de carreira com exposição que une terceiro milenismo e compromisso social

Em meio ao evento de lançamento do Instituto Brasil Te Ama em Brasília, destaca-se a presença de um dos maiores nomes da arte brasileira contemporânea. Pedro Borges, artista plástico que completa 50 anos de carreira, apresenta sua visão inovadora do "Terceiro Milenismo" enquanto contribui com o projeto social que busca transformar vidas através da solidariedade.

Reconhecido por criar a maior tela do mundo, o painel "Cosmoband" (Bandeirante Cósmico) de 6.000m² no Núcleo Bandeirante, Borges revela que está prestes a superar seu próprio recorde com um novo projeto de 7.000m². "O que esses meninos estão fazendo hoje, eu já fazia há 40, 50 anos atrás", comenta o artista, referindo-se aos grafiteiros contemporâneos como Cobra, a quem admira pelo talento.

Pioneiro da intervenção urbana no Brasil, Borges defende que a arte precisa romper com o elitismo das galerias e alcançar o público nas ruas. "A intervenção urbana tem essa proposta de quebrar o processo elitista de galerias de arte, onde só uma pequena minoria comparece, e levar arte ao público", explica.

O "Terceiro Milenismo", conceito que norteia sua obra atual, reflete sobre o momento presente e os desafios contemporâneos. "Nós já estamos na terceira década do terceiro milênio do século XXI, e ainda tem gente pedindo carona para o destoque. Eles ainda não perceberam que o futuro é agora, já chegou", provoca o artista, que se prepara para uma exposição em Dubai no final do ano.

Borges abraça as novas tecnologias em seu processo criativo, trabalhando com arte digital e virtual. Uma das obras que será apresentada em Dubai é uma reflexão sobre a estação lunar, simbolizando a evolução tecnológica humana. No entanto, o artista questiona nossa pretensão de sermos evoluídos: "Nós terráqueos achamos que somos evoluídos, mas não somos. A incidência de OVNIs mostra que existem planetas mais avançados, com tecnologia muito superior à nossa."

Para além da técnica, sua arte carrega uma profunda reflexão filosófica sobre a condição humana. "Nós somos o único animal desse planeta que tem a espinha ereta, o que significa que temos uma antena que nos liga diretamente ao universo", reflete, criticando a mesquinhez das disputas políticas e materiais que dividem a sociedade.

Ao disponibilizar suas obras para o Instituto Brasil Te Ama, com parte da renda revertida para projetos sociais, Pedro Borges demonstra que, mesmo após cinco décadas, sua arte continua sendo instrumento de transformação social. "A arte é um instrumento social que, na medida em que interfere em espaços públicos ou privados, ou na vida das pessoas, pode provocar mudanças", conclui o artista.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 25/05/2025
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