Praças Públicas: Espaços de Convivência ou Palcos de Eventos Privados?

Por Silvia Blumberg

Praças Públicas: Espaços de Convivência ou Palcos de Eventos Privados?

Cresci na Zona Norte, com a visão de uma cidade que integra sustentabilidade e convívio em seus espaços públicos. As praças, em meu ideal, são o coração pulsante da comunidade, palcos de educação, cultura e interação social. No entanto, a realidade que observo hoje, especialmente em áreas como a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, levanta sérias questões sobre o uso e apropriação desses espaços.

Ultimamente, temos presenciado a ocupação de praças por empreendedores que, em vez de promoverem a integração e o enriquecimento cultural, transformam esses locais em verdadeiros palcos de shows musicais. O volume ensurdecedor desses eventos, com decibéis que extrapolam qualquer limite aceitável, perturba a vida de centenas de moradores, que se veem privados do direito ao sossego em seus próprios lares, principalmente nos finais de semana.

Essa situação demonstra uma distorção do propósito das áreas públicas e um profundo desrespeito aos cidadãos que nelas residem. Será que as autoridades locais desconhecem os limites de sua atuação ao permitirem tais intervenções? Quais são as contrapartidas oferecidas por esses empreendedores em relação à manutenção e melhoria da praça e do entorno?

É fundamental regularizar esses abusos e considerar o bem-estar daqueles que contribuem com os IPTUs mais elevados da cidade, garantindo-lhes o mínimo de segurança e paz. Ipanema tem potencial para se tornar um polo de inovação e criatividade, com oficinas de arte, apresentações musicais intimistas, feiras de arte e artesanato, exposições e outras atividades culturais que enriqueçam a vida da comunidade, sem, no entanto, impor um bombardeio sonoro à vizinhança.

Infelizmente, presenciamos mais um domingo marcado pelo excesso de ruído, com a complacência das autoridades locais, que autorizam a "festança" até as 22h. A diversidade de ritmos musicais não atenua o problema: a imposição sonora é constante, sem oferecer aos moradores qualquer opção.

Estamos vivendo uma verdadeira "ditadura do barulho"! Até quando, senhor prefeito?

Por Ultima Hora em 28/09/2025
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