Pré-candidato a Senador Crivella afirma que Garotinho e André Português farão 'aula de democracia' ao respeitar pesquisa e dar as mãos no final

Republicanos oferece modelo que 30 partidos brasileiros deveriam copiar, segundo Crivella

Deputado federal destaca lição de alternância de poder e critica fragmentação partidária ao comentar disputa interna controlada

A democracia interna como exemplo institucional

Marcelo Crivella, deputado federal pelo Republicanos e ex-prefeito do Rio de Janeiro, utiliza o palco do lançamento da pré-candidatura de Anthony William Garotinho Matiolli para fazer afirmação que transcende a campanha: o Republicanos está oferecendo "aula de democracia para o Brasil". O modelo que Crivella descreve funciona sobre regra clara: dois pré-candidatos do partido — Garotinho e André Português — disputam reconhecimento através de pesquisas de opinião, e aquele que apresentar melhor desempenho nas sondagens receberá apoio incondicional do outro para a disputa estadual.

A declaração ocorre em contexto onde fragmentação partidária brasileira é patologia reconhecida. O Brasil possui atualmente mais de trinta partidos com representação no Congresso Nacional e dezenas adicionais registrados sem assento legislativo. Essa pulverização resulta de lógica oposta àquela que Crivella descreve: candidatos desistidos de negociação intrapartidária saem e fundam novos partidos, levando com eles votos, recursos e estrutura. O Republicanos, segundo Crivella, rejeita essa dinâmica.

O valor da alternância de poder como princípio democrático

Crivella enfatiza que "uma das coisas mais importantes para a sociedade é a alternância do poder", princípio que fundamenta democracias maduras. A alternância previne cristalização de poder em elites permanentes, força renovação de lideranças, e oferece à população oportunidade periódica de escolha entre projetos distintos. Quando um partido consegue estruturar disputas internas respeitando pesquisas e comprometendo-se com resultado — ao invés de fragmentar-se em facções irreconciliáveis — fortalece capacidade democrática de toda sociedade.

O modelo que Garotinho e André Português implementam pressupõe que ambos os pré-candidatos acreditam mais em viabilidade da democracia interna que em vantagem pessoal de manipulação de processo. Isso funciona apenas quando há confiança institucional, quando pesquisas são percebidas como legítimas, quando derrota em sondagem não é interpretada como injustiça mas como resultado que merece respeito. A presença de Crivella no evento validando essa dinâmica indica que liderança republicana institucional compactua com compromisso.

A crítica velada à fragmentação de partidos tradicionais

O comentário de Crivella sobre "centenas, não, dezenas de partidos" é crítica indireta a partidos historicamente maiores que Republicanos — PT, PSDB, MDB, PSD — que frequentemente enfrentam cisões internas convertidas em novos registros partidários. Quando um candidato não consegue apoio para disputa interna, sai do partido. Quando uma ala ideológica sente-se marginalizada, funda partido próprio. O resultado é fragmentação que prejudica toda a política brasileira ao dispersar recursos, fragmentar voto e dificultar governabilidade.

O Republicanos, porém, estrutura-se diferente. Não é partido com décadas de tradição que tolera dissidência. É organização criada em 2015, com liderança centralizada, com agenda clara de expansão evangélica e pragmatismo político. Crivella sugere que essa estrutura mais rígida, paradoxalmente, permite maior democracia interna porque não há espaço para múltiplas tendências internas lutarem por hegemonia — o resultado é que divergências são processadas através de mecanismo único — pesquisa — e não através de fragmentação.

O significado de "dar as mãos" no final

A promessa de que Garotinho e André Português "vão dar as mãos" no final da pré-campanha funciona como símbolo de unidade. Não é apenas que o derrotado em pesquisa apoiará o vencedor — muitos partidos oferecem isso nominalmente. É que ambos apresentarão-se juntos, lado a lado, oferecendo à população imagem de coesão. O derrotado não desaparece de campanha. Permanece visível, legitimando resultado das pesquisas, reforçando mensagem de que o Republicanos escolheu o melhor candidato através de processo transparente.

Esse modelo contrasta com dinâmica de muitos partidos onde derrota em disputa interna converte-se em rancor, afastamento, e potencial sabotagem da candidatura do vencedor. Crivella, ao destacar esse aspecto, valida Republicanos não como partido monolítico, mas como organização que respeita divergência interna e consegue processá-la sem ruptura.

O significado de Crivella estar presente e elogiando

A presença de Marcelo Crivella no evento não é casual. Crivella foi prefeito do Rio de Janeiro de 2017 a 2021, eleito pelo PRB (partido que se converteu em Republicanos). Sua passagem pela prefeitura foi marcada por controvérsias — investigações por desvio de recursos públicos, conflitos com mídia, acusações de autoritarismo. Contudo, permanece figura de força dentro de Republicanos. Sua decisão de comparecer e elogiar publicamente o modelo democrático do partido sugere que hierarquia republicana está unificada em torno de candidatura de Garotinho e modelo de seleção através de pesquisas.

O elogio oferecido por Crivella não é trivial em contexto político onde poder executivo frequentemente interfere em processos internos de partidos aliados. Se o governador Tarcísio de Freitas (SP, também Republicanos) ou lideranças federais do partido tivessem preferência por André Português, a presença visível de Crivella legitimando Garotinho seria impossível. A coesão que ele descreve não é apenas entre Garotinho e Português, mas entre toda a estrutura republicana do Rio de Janeiro.

O teste de credibilidade que vem adiante

O modelo que Crivella descreve será testado nos próximos meses. As pesquisas dirão qual pré-candidato tem melhor desempenho eleitoral. Quando esse resultado for anunciado, ambos os candidatos — e toda a estrutura do partido — enfrentarão momento crítico: honrar compromisso de respeitar pesquisa ou encontrar argumentos para contestá-lo. Se a pesquisa indicar André Português com vantagem, Garotinho será pressionado por apoiadores a questionar metodologia, financiamento do levantamento, ou legitimidade da sondagem.

Crivella, ao elogiar o modelo antes de resultados concretos, está oferecendo promessa de que Republicanos honrará compromisso. Sua credibilidade pessoal como deputado federal e ex-prefeito está em jogo. Se o partido contestar resultado das pesquisas quando o resultado lhe desfavoreça, Crivella será visto como tendo mentido ao jornal. Isso cria incentivo institucional para que o Republicanos realmente respeite o processo.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes

Câmara dos Deputados — Marcelo Crivella (Republicanos-RJ)

Republicanos — Estatuto e Estrutura Organizacional

TSE — Registro de Candidaturas 2026 — Estado do Rio de Janeiro

Instituto Datafolha — Pesquisas Eleitorais Rio de Janeiro 2026

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Por Ultima Hora em 18/05/2026
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