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No Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, realizou-se uma cerimônia especial em homenagem aos veteranos brasileiros da Segunda Guerra Mundial.
O evento contou com a presença do Comandante Francisco César Monteiro Gondar, Comodoro da Marinha Mercante e conselheiro da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, que destacou aspectos fundamentais da participação brasileira no conflito global.
Gondar enfatizou que a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi precipitada pelo afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães.
Esse evento traumático levou o presidente Getúlio Vargas a mobilizar recursos humanos de todo o território nacional, reunindo soldados e pracinhas dos mais distantes rincões do país para formar uma força expedicionária de 25.000 homens destinada a lutar nos campos da Itália.
Durante a cerimônia, foi apresentada a Medalha José Moreira Pequeno, oficializada pela Associação dos Ex-Combatentes em homenagem a um capitão mercante cujo heroísmo marcou a história naval brasileira.
O capitão Pequeno comandava um navio que foi torpedeado no Atlântico Norte e, mesmo gravemente ferido e enfrentando sua própria condição de saúde debilitada, demonstrou coragem excepcional ao orientar sua tripulação para um porto seguro.
A história do comandante Pequeno exemplifica o heroísmo dos marinheiros mercantes brasileiros durante o conflito. Mesmo diante da morte iminente, ele manteve a liderança e orientou a navegação dos escaleres, direcionando os sobreviventes em busca de terra firme.
Sua dedicação ao dever e aos homens sob seu comando, mesmo nas circunstâncias mais adversas, tornou-se símbolo da bravura da Marinha Mercante brasileira.
O evento também celebrou a criação da Medalha Humanitária pela Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz (ABFIP), da qual Gondar também é conselheiro.
Esta condecoração reconhece tanto militares que participaram de missões de paz quanto civis que prestaram serviços humanitários em áreas socioculturais e socioambientais, ampliando o reconhecimento para além do contexto militar tradicional.
As missões de paz brasileiras abrangem uma extensa gama de operações internacionais, incluindo participações no Suez, Nicarágua, Líbano e Haiti.
A Medalha Humanitária será concedida não apenas a militares que serviram diretamente nessas missões, mas também a pessoas que contribuíram indiretamente para esforços humanitários, reconhecendo o papel fundamental dos civis em situações de emergência e reconstrução.
A cerimônia incluiu a condecoração de cinco pessoas com a Medalha José Moreira Pequeno, entre elas dois desembargadores e três indivíduos que não haviam recebido a honraria durante o lançamento original da medalha.
Essa iniciativa demonstra o compromisso contínuo em reconhecer contribuições significativas para a história militar e humanitária brasileira.
Gondar expressou gratidão especial ao diretor-geral da Justiça Federal, Dr. Teófilo, por ceder o espaço histórico para a realização da cerimônia.
A escolha do Centro Cultural da Justiça Federal como local do evento adiciona solenidade e significado institucional às homenagens prestadas aos veteranos e colaboradores humanitários.
O contexto histórico da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial foi detalhadamente explicado por Gondar, que destacou a mudança de postura do presidente Vargas durante o conflito.
Inicialmente, Vargas mantinha simpatias pelo Eixo, sendo caracterizado como "germanófilo" devido à sua admiração pela Alemanha nazista e pelo fascismo italiano.
A transformação da posição brasileira no conflito resultou de uma combinação de fatores diplomáticos e militares.
O ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, desempenhou papel crucial ao defender consistentemente o alinhamento com os Aliados, contrapondo-se às tendências pró-Eixo iniciais do governo Vargas.
O bombardeio de Pearl Harbor pelos japoneses em dezembro de 1941 criou uma situação que obrigou o Brasil a definir claramente sua posição no conflito mundial.
Como signatário da Convenção Pan-Americana e do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), o Brasil tinha compromissos de solidariedade com qualquer estado americano atacado, forçando o alinhamento definitivo com os Aliados.
A participação da Marinha Mercante brasileira na Segunda Guerra Mundial representa um capítulo frequentemente negligenciado da história militar nacional. Os navios mercantes eram alvos prioritários dos submarinos alemães, que buscavam interromper as linhas de suprimento aliadas.
O afundamento desses navios não apenas causou perdas humanas significativas, mas também impactou diretamente a economia e o moral nacional.
O reconhecimento dos veteranos da Segunda Guerra Mundial através de cerimônias como esta mantém viva a memória de um período crucial da história brasileira.
A participação do país no conflito mundial marcou sua emergência como ator relevante no cenário internacional e demonstrou a capacidade de mobilização nacional em momentos críticos.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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Por Robson Talber
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