Prefeito Gilmar Bellini leva pautas urgentes de Boa Vista do Incra à XXVI Marcha dos Prefeitos em Brasília

Em meio a secas históricas e crise no agronegócio, gestor cobra renegociação de dívidas, crédito emergencial e políticas de adaptação climática para municípios rurais do RS, buscando assegurar a sobrevivência da agricultura familiar

O prefeito Gilmar Bellini, de Boa Vista do Incra (RS), integra a delegação gaúcha na XXVI Marcha dos Prefeitos, evento que reúne mais de 1.000 gestores municipais em Brasília até esta sexta-feira (24/05). A agenda prioritária reflete a grave situação enfrentada pela região, marcada por desafios climáticos e econômicos:

  1. Crise climática no RS:

    • Quatro anos consecutivos de seca severa (2020-2023) na região, com perdas acumuladas de safras de grãos como soja e milho, e redução de até 40% na renda agrícola familiar. Essa persistência climática tem exaurido a capacidade de recuperação dos produtores.
    • Dificuldade crônica de acesso a fundos federais e linhas de crédito para pequenos municípios (população de Boa Vista do Incra: 2.500 habitantes), que frequentemente carecem da estrutura burocrática e da representatividade política para competir por recursos com grandes centros.
  2. Pautas Prioritárias Apresentadas:

    • Renegociação de dívidas rurais: Proposta de revisão e alongamento de prazos de financiamentos junto a bancos públicos (como Banco do Brasil e Badesul), nos moldes do programa PROAGRO Plus. O objetivo é evitar a inadimplência generalizada e falências em massa de pequenos e médios produtores, permitindo que reestruturem suas finanças sem perder suas terras ou acesso a novos créditos.
    • Linhas de crédito emergenciais: Solicitação de taxas subsidiadas e condições facilitadas para custeio da próxima safra e recuperação de infraestrutura hídrica (como açudes, poços artesianos e sistemas de irrigação). A urgência reside em garantir que os agricultores tenham capital de giro para o plantio e acesso à água, elementos cruciais para a sobrevivência das lavouras.
    • Fundo de Resiliência Climática: Criação de verba específica e de acesso simplificado para municípios afetados por eventos extremos (seca, enchentes, granizo). Este fundo seria vital para financiar projetos de adaptação (como sistemas de captação de água da chuva, variedades de culturas mais resistentes) e recuperação rápida de infraestruturas danificadas, minimizando o impacto de futuras crises.
  3. Dados que Justificam as Reivindicações:

    • Impacto econômico: Queda estimada de 30% no PIB agrícola da região em 2024, resultando em menor arrecadação municipal, redução do comércio local e aumento do desemprego no setor primário.
    • Êxodo rural: Aumento de 15% na migração de jovens e famílias para cidades vizinhas em busca de emprego e melhores condições de vida, esvaziando o campo e comprometendo a sucessão familiar na agricultura.

Fala do Prefeito

Em entrevista exclusiva, Bellini destacou a necessidade de uma abordagem estratégica e de longo prazo:

"Não podemos tratar a seca como um problema pontual ou um desastre isolado. Precisamos de políticas perenes que garantam água, crédito e tecnologia aos nossos agricultores de forma estrutural. Estamos aqui para cobrar o Pacto Federativo na prática: os pequenos municípios não podem ficar à mercê da burocracia e da falta de sensibilidade para suas realidades específicas. A crise climática é uma realidade que exige respostas coordenadas e eficazes de todos os níveis de governo."

Próximos Passos

  • Pressão por respostas: A comissão de prefeitos do RS busca reunião com os ministérios da Agricultura e Pecuária (MAPA), da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e da Fazenda até o fim da semana. O objetivo é obter compromissos concretos para a implementação das pautas apresentadas, seja via portarias, decretos ou projetos de lei.
  • Apoio parlamentar: Deputados gaúchos articulam a destinação de uma emenda parlamentar de R$ 50 milhões para projetos de irrigação na região. Esses recursos seriam fundamentais para a construção de pequenas barragens, perfuração de poços e aquisição de equipamentos de irrigação por gotejamento ou aspersão, aumentando a resiliência hídrica das propriedades rurais.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 24/05/2025
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