Atletas brasileiros revelam bastidores da patinação de alto rendimento no Rio de Janeiro

Yago Martellotte, quarto colocado no Mundial, e outros talentos nacionais expõem custos elevados e desafios logísticos que marcam a modalidade no país

A patinação artística brasileira vive um momento de crescimento expressivo, com atletas conquistando posições de destaque em competições internacionais e colocando o país entre os cinco melhores do mundo na modalidade.

Em entrevista exclusiva realizada na sede da Federação de Hóquei e Patinação do Estado do Rio de Janeiro (FHPERJ), jovens talentos como Yago Martellotte, Suzana Bosso, Lucas Carmona e Arthur Bastos revelaram os bastidores de uma carreira que exige dedicação integral e investimentos significativos.

O destaque fica por conta de Yago Martellotte, que alcançou o impressionante quarto lugar no Campeonato Mundial, além de conquistar o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro e na semifinal da Copa Mundial, e o terceiro lugar no Pan-Americano.

Sob a orientação da diretora técnica Alessandra Castro e da treinadora Bruna Bordalo, da Rio Patinação, os atletas contam ainda com o suporte do treinador italiano Patrick Venerucci, formando uma equipe técnica de alto nível.

O custo para manter-se competitivo na patinação artística representa um dos maiores desafios enfrentados pelos atletas brasileiros. Yago Martellotte foi direto ao abordar a questão financeira: "Além dos patins, que teoricamente é o mais caro, é você realmente se manter no esporte".

Segundo o atleta, os gastos vão muito além do equipamento profissional e incluem acompanhamento nutricional, suporte psicológico e preparação física em academias especializadas. "Quando você junta na ponta do lápis todas as coisas juntas, dá meio que um valor exorbitante", revelou Martellotte, destacando que esta é "a grande questão" pela qual os atletas buscam constantemente apoio financeiro.

A realidade econômica da modalidade contrasta com os resultados expressivos obtidos pelos brasileiros, evidenciando a necessidade de maior investimento no esporte.

A importância do trabalho em equipe emerge como fator fundamental para o sucesso dos patinadores brasileiros. Suzana Bosso enfatizou como o suporte técnico e emocional influencia diretamente o desempenho: "Influencia muito na questão psicológica e física também".

A atleta destacou que ter uma equipe completa, incluindo profissionais de nutrição e psicologia, além do apoio de colegas e técnicos, faz toda a diferença durante as competições. Lucas Carmona reforçou esta perspectiva, afirmando que "a equipe é uma parte muito importante do nosso esporte, porque é sempre a equipe que vai te apoiar, mesmo que você não acredite em você".

Esta estrutura de apoio tem sido crucial para posicionar o Brasil entre as cinco melhores nações do mundo na patinação artística, um feito notável considerando os desafios estruturais enfrentados pelo esporte no país.

O problema da distância e locomoção representa outro obstáculo significativo para muitos atletas brasileiros. Arthur Bastos exemplifica esta realidade ao revelar sua rotina de deslocamento de São Gonçalo até o centro de treinamento em Jacarepaguá.

"Eu moro lá em São Gonçalo e comecei a patinar lá em Niterói, porque nós temos várias unidades espalhadas aqui pelo Rio de Janeiro", explicou o atleta. Apesar das dificuldades logísticas, Arthur mantém sua dedicação ao esporte e destaca a importância da Rio Patinação na formação de novos talentos.

A escola possui múltiplas unidades distribuídas pelo estado, facilitando o acesso inicial à modalidade, embora o treinamento de alto rendimento ainda exija deslocamentos mais longos até centros especializados.

Para quem deseja ingressar na patinação artística, os atletas são unânimes em recomendar a busca por escolas especializadas. Arthur Bastos aconselha: "Procurar uma escola, porque, como eu disse, temos várias unidades espalhadas aqui pelo Rio de Janeiro".

A Rio Patinação, fundada em 2011, tem desempenhado papel fundamental neste processo, oferecendo desde aulas iniciais até treinamento de elite para atletas da seleção brasileira.

A estrutura técnica da escola, liderada por Alessandra Castro e Bruna Bordalo, conta ainda com a colaboração internacional do treinador italiano Patrick Venerucci, proporcionando aos atletas brasileiros acesso a metodologias de treinamento de padrão mundial.

Este investimento em formação técnica tem sido essencial para os resultados conquistados pelos atletas brasileiros em competições nacionais e internacionais.

Por Robson Talber @robsontalber repórter Miguel Lemos @djportugues

Por Ultima Hora em 24/07/2025
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