Prefeitura do Rio ignora Mundial de Clubes com Flamengo, Botafogo e Fluminense, mas destina R$ 450 mil para torneio de juízes com verba pública

Paes deixa de investir na promoção da cidade no Mundial de Clubes, mas financia campeonato de futebol entre juízes. Contradição levanta críticas sobre prioridades da gestão.

Prefeitura do Rio ignora Mundial de Clubes com Flamengo, Botafogo e Fluminense, mas destina R$ 450 mil para torneio de juízes com verba pública

Por Antônio Sá VIA Diário do rRio

Segundo divulgado por O Globo e Veja Rio, uma contradição salta aos olhos de quem acompanha as ações recentes da Prefeitura do Rio de Janeiro. De um lado, temos o Governo do Estado do Rio de Janeiro e a União investindo recursos para aproveitar o Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, realizado nos Estados Unidos, como uma vitrine para divulgar a imagem do Rio no exterior. Cada um dos três grandes clubes cariocas – Flamengo, Fluminense e Botafogo – recebeu do governo do Estado do Rio de Janeiro R$ 1 milhão para organizar suas “casas” nos EUA, com o objetivo de promover o Estado e, por consequência, a cidade, durante aquele Campeonato Mundial.

Do outro lado, surpreendentemente, a Prefeitura do Rio não seguiu esse mesmo caminho. Apesar de vivermos uma oportunidade histórica — somos a única cidade no mundo com três clubes participando ao mesmo tempo do Mundial de Clubes —, o Executivo municipal simplesmente ignorou essa chance de promover a marca “Rio de Janeiro” em território americano. Nenhum apoio, nenhuma parceria, nenhuma iniciativa.

Mas se a Prefeitura alegadamente não vê interesse público ou prioridade em investir em visibilidade internacional da cidade por meio do futebol — um dos nossos patrimônios culturais mais exportáveis —, por que então considerou importante patrocinar com R$ 450 mil um campeonato de futebol promovido por magistrados do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro?

Sim, conforme publicado no Diário Oficial do Município e destacado por Veja Rio, a Subsecretaria de Esportes autorizou a celebração de contrato de patrocínio com a AMAERJ (Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro) para a realização do Campeonato Nacional de Futebol da AMB/AMAERJ, que acontecerá entre 20 e 24 de agosto, com a presença de juízes de todo o país. Nada contra o campeonato em si — o esporte une e promove saúde. Mas onde estão os critérios de prioridade e interesse público?

Como entender que um campeonato nacional, entre magistrados brasileiros — por mais respeitáveis que sejam —, realizado dentro do próprio território fluminense, receba incentivo da Prefeitura, enquanto uma ação internacional, com repercussão midiática e turística para o Rio, seja solenemente ignorada?

A impressão que fica é de que, para a atual gestão, vale mais agradar o Judiciário local do que investir na imagem internacional da cidade. Afinal, juízes decidem ações que muitas vezes envolvem o interesse direto do Município. Seria esse patrocínio um gesto despretensioso ou um movimento sutil de aproximação estratégica?

É difícil não questionar: qual critério justifica o silêncio da Prefeitura diante do Mundial de Clubes e, ao mesmo tempo, seu entusiasmo com um torneio restrito a juízes?

Fica a reflexão: enquanto o mundo olha para o Rio com curiosidade e expectativa por sermos a cidade dos três clubes no Mundial, nossa Prefeitura preferiu olhar para dentro — e, curiosamente, para dentro do Tribunal de Justiça.

Porque, no fim das contas, talvez a bola que mais interessa a alguns não seja a que corre nos gramados, mas a que quica silenciosa nas salas de audiência judicial.

Ah, alguns chegaram a sugerir que a ausência de patrocínio às casas dos clubes Botafogo, Flamengo e Fluminense nos Estados Unidos teria sido uma retaliação do senhor Prefeito, já que o seu time de coração, o Vasco da Gama, não está participando do Campeonato Mundial de Clubes. Mas, sinceramente, não acredito que o chefe do Executivo municipal — ainda que costume agir como se fosse o imperador do Rio de Janeiro — teria uma atitude tão mesquinha e infantil com o uso dos recursos públicos.

Por Ultima Hora em 28/06/2025
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