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Mais de 50 barracas de comida são impedidas de funcionar no mesmo fim de semana em que feira vira patrimônio cultural
A tradicional Feira da Glória viveu um domingo de tensão e revolta após agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP) e da Subprefeitura do Centro impedirem a montagem de mais de 50 barracas de comida na Avenida Augusto Severo. O episódio gerou indignação entre os feirantes, que relatam prejuízos individuais que chegam a R$ 6 mil, em um fim de semana que deveria ser de celebração pelo reconhecimento da feira como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
A interdição ocorreu de forma abrupta e sem aviso prévio, segundo relatos unânimes dos comerciantes afetados. As barracas impedidas de funcionar estavam posicionadas na calçada, próximo a canteiros, jardins e um ponto de ônibus, área que a SEOP considera como extrapolação do "traçado autorizado para a feira livre". Para os feirantes, que atuam no local há anos, a medida representa uma mudança arbitrária de critérios que nunca foram claramente estabelecidos.
Guilherme Brainer, responsável pela barraca Risoto do Seu Zé e que atua há dois anos na feira, expressou sua frustração com a situação. "Fiz uma produção de milhares de reais, está tudo preparado, e não vou conseguir montar minha barraca. Disseram que não ia ter, de forma arbitrária. Tentamos há anos regularizar tudo, mas nunca conseguimos. Só queremos trabalhar honestamente", desabafou o empreendedor, evidenciando a falta de diálogo entre poder público e comerciantes.
O caso mais dramático é o de Mubarak Hassan, refugiado nigeriano que comanda a Cozinha da Latifa junto com sua mãe. O empreendedor acordou às 2h da manhã para preparar toda a produção do dia, investindo tempo e recursos significativos. "Achei que seria mais um dia de trabalho. Fiz muita comida, acordei às 2h da manhã para preparar tudo. Chegar aqui e ser impedido de montar a barraca foi um baque. Só o meu prejuízo vai passar de R$ 6 mil", relatou Hassan, demonstrando o impacto financeiro devastador da medida.
A ação da prefeitura teria sido motivada por reclamações de moradores sobre o crescimento desordenado da feira nas últimas semanas. Entre as queixas estão carros estacionados irregularmente, mesas e cadeiras ocupando áreas de circulação e até obstrução de pontos de ônibus. A SEOP justificou a operação como parte do "ordenamento urbano" para manter "a organização do espaço público e a harmonia entre feirantes, pedestres e usuários da via", mas a falta de comunicação prévia gerou revolta entre os comerciantes que dependem da feira para sobreviver.
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