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Sob liderança de Waldireni Chelala, instituição planeja eventos em seis países e consolida-se como maior polo cultural do Brasil
A Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI) encerra 2025 comemorando seus 115 anos de existência com uma programação que marca definitivamente sua trajetória centenária. Sob a presidência de Waldireni Morais Chelala, a instituição realizou duas cerimônias emblemáticas que demonstram sua relevância no cenário cultural brasileiro: a entrega da medalha Zico na Fundação Zico e a solenidade do Dia da Justiça na sede da OAB-RJ.
Estes eventos não apenas celebraram personalidades importantes da sociedade brasileira, mas também sinalizaram o início de uma nova fase expansionista da academia, que já confirma presença em seis países durante 2026. A presença de figuras como o ator Humberto Martins e a lotação completa da OAB em plena terça-feira às 14h evidenciam o prestígio e a relevância que a ABRASCI conquistou ao longo de mais de um século de atividades ininterruptas.
Waldireni Chelala, que assume a presidência há um ano e oito meses após três décadas como membro da academia, representa uma nova geração de liderança que combina tradição com visão internacional.
Sua gestão tem se caracterizado pela ampliação significativa do alcance da ABRASCI, transformando uma instituição tradicionalmente nacional em uma embaixadora da cultura brasileira no exterior.
Durante sua administração, a academia já realizou dois eventos em Orlando e confirmou programação para Portugal, África e diversas capitais brasileiras, incluindo Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, sede oficial da instituição. Esta estratégia de internacionalização representa um marco histórico para uma academia que, desde sua fundação em 1910, sempre priorizou a preservação e divulgação da cultura nacional, mas agora expande seus horizontes para projetar o Brasil culturalmente no cenário mundial.
Trajetória histórica de resistência e renovação
A história da ABRASCI é um reflexo da própria evolução cultural brasileira ao longo do século XX e início do XXI. Fundada em 1910 como Academia Brasileira de História, a instituição enfrentou períodos de grandes desafios, especialmente durante suas primeiras décadas, quando sodalícios culturais encontravam dificuldades para estabelecer bases sólidas no país.
Sob a liderança pioneira de Afrânio de Mello Franco, acompanhado por intelectuais como Alberto Rangel, Basílio de Magalhães e Ramalho Ortigão, a academia deu seus primeiros passos em um cenário cultural ainda em formação. A persistência destes fundadores estabeleceu os alicerces que permitiriam à instituição atravessar mais de um século mantendo sua relevância e adaptando-se às transformações sociais e culturais do Brasil. O período inicial, marcado por condições adversas, forjou o caráter resiliente que caracteriza a ABRASCI até os dias atuais.
O ano de 1958 marcou uma fase de renovação fundamental com a entrada do desembargador Carlos Xavier Paes Barreto, Othon Costa e Vieira Souto, que somaram esforços para manter vivos os trabalhos de difusão da história pátria. Esta diretoria foi responsável por consolidar a academia como uma instituição de referência nacional, desenvolvendo inúmeras atividades que contribuíram significativamente para a preservação da memória histórica brasileira.
A gestão de Othon Costa foi particularmente marcante, estabelecendo protocolos e metodologias que influenciariam as décadas seguintes. Em 1961, uma nova e importante diretoria foi eleita, com Carlos Xavier Paes Barreto assumindo a presidência, Lemos Britto como primeiro vice-presidente e Othon Costa como segundo vice-presidente, configuração que demonstrava a maturidade institucional alcançada pela academia.
Este período consolidou a ABRASCI como organização instituída para o fim precípuo de promover a pesquisa, o estudo e a divulgação da história, geografia e ciências correlatas.
Era de ouro e grandes personalidades
O ano de 1975 representa um divisor de águas na história da ABRASCI com a entrada de Marco Antônio Rangel Pestana de Campos Salles, que arregimentou grandes nomes da historiografia brasileira. A parceria estabelecida com intelectuais do calibre de Dante de Laytano, Affonso Arinos de Mello Franco, José Honório Rodrigues e Luís da Câmara Cascudo elevou a academia a um patamar de excelência acadêmica raramente alcançado por instituições similares.
Esta constelação de talentos, complementada pela colaboração especial de Fábio Bonifácio Olinda de Andrada e Francisco Martins Marques do Instituto Histórico e Cultural Pero Vaz de Caminha, transformou a ABRASCI em um verdadeiro centro de produção intelectual.
Durante as presidências de Dante de Laytano e Marco Antônio Rangel Pestana de Campos Salles, a academia experimentou seu maior impulso, projetando-se nacionalmente com uma programação significativa que contou com participação de governos estaduais e federais.
Este período de expansão levou a ABRASCI a visitar praticamente todos os estados brasileiros, estabelecendo uma rede nacional de contatos e parcerias que perdura até hoje. Simultaneamente, a academia começou a prestigiar e promover eventos no exterior, realizando solenidades em vários países da África e Europa, antecipando em décadas a atual estratégia de internacionalização.
A qualidade dos trabalhos desenvolvidos e o prestígio dos acadêmicos envolvidos garantiram à instituição reconhecimento internacional, abrindo portas que hoje facilitam a expansão global planejada pela atual gestão. Esta fase dourada estabeleceu padrões de excelência e metodologias de trabalho que continuam sendo referência para as atividades contemporâneas da academia.
O legado deste período inclui não apenas a produção intelectual, mas também a criação de uma cultura institucional que valoriza tanto a tradição quanto a inovação.
Transformação e modernização institucional
A partir de 1987, a ABRASCI passou por uma transformação fundamental com a fusão com o Instituto Histórico e Cultural Pero Vaz de Caminha, tornando-se a Academia Brasileira de Arte, Cultura e História, com sede na histórica Casa da Fazenda do Morumbi. Esta mudança representou muito mais que uma simples alteração de nome ou endereço; significou uma ampliação conceitual que permitiu à academia abranger novos segmentos do conhecimento e da cultura.
A escolha da Casa da Fazenda do Morumbi como sede foi particularmente simbólica e estratégica, considerando que se tratava de um patrimônio histórico de 1813 que havia ficado abandonado por três décadas.
Durante 20 anos, a ABRASCI transformou este espaço no maior polo cultural do Brasil, demonstrando sua capacidade de preservação patrimonial e gestão cultural. Para Waldireni Chelala, que acompanhou toda a restauração da casa, este período representa o marco maior de sua trajetória de 30 anos na academia.
Posteriormente, a academia ampliou ainda mais seus segmentos de abrangência, incluindo os colegiados de Ciências e Literatura, configuração que originou a atual denominação ABRASCI. Esta evolução reflete a compreensão de que o conhecimento contemporâneo exige abordagens interdisciplinares e que as fronteiras entre diferentes áreas do saber são cada vez mais fluidas.
Ao longo dos anos, a ABRASCI realizou diversas atividades para preservar a memória histórica, manter tradições culturais e cívicas e contribuir para a sociedade brasileira, participando de restaurações, comemorações, publicações e eventos nacionais e internacionais.
A instituição desenvolveu uma metodologia própria que combina rigor acadêmico com relevância social, garantindo que suas atividades tenham impacto real na preservação e divulgação da cultura brasileira. Esta abordagem holística permitiu à academia manter-se relevante em um mundo em constante transformação.
Legado de preservação e projeção cultural
A ABRASCI construiu ao longo de sua história um impressionante legado de preservação patrimonial e projeção cultural que a distingue entre as instituições culturais brasileiras. Participou ativamente da restauração da Casa da Fazenda do Morumbi, do tombamento e restauração da Casa do Marechal Deodoro em parceria com o governo de Alagoas, e da organização das comemorações pelo bicentenário do nascimento de D. Pedro I.
Estes projetos demonstram a capacidade da academia de articular recursos públicos e privados em prol da preservação da memória nacional. O traslado da espada do General Osório, de posse de sua família no Rio Grande do Sul, para a Fundação Osório em Petrópolis, exemplifica o trabalho meticuloso de resgate e preservação de objetos históricos.
Igualmente significativo foi o traslado dos despojos de D. Pedro I, de Portugal para o Brasil, até o Museu do Ipiranga, operação que envolveu complexa coordenação internacional e demonstrou o prestígio da academia junto a autoridades estrangeiras.
A produção editorial da ABRASCI constitui outro pilar fundamental de seu legado, com mais de mil publicações que incluem artigos, periódicos e livros que expressam a relevância de sua contribuição histórica e artística à nação.
Esta produção não apenas documenta o trabalho dos acadêmicos, mas também serve como fonte de pesquisa para estudiosos e interessados na cultura brasileira. As incursões internacionais da academia incluem seminários e cursos na área de história realizados em todos os países da África Portuguesa e na África do Sul, onde promoveu um seminário sobre Mahatma Gandhi.
Na Europa, a ABRASCI realizou grandes feitos especialmente em Portugal, Espanha, Itália e Inglaterra, com destaque para a participação nas comemorações do sesquicentenário do Barão de Langsdorff na Academia de Ciências de Stalingrado. Nas artes, a academia promove numerosos salões em Portugal, França e Alemanha, além de diversas cidades dos Estados Unidos e capitais da América do Sul.
Parcerias estratégicas e reconhecimento institucional
A solidez institucional da ABRASCI reflete-se na qualidade e diversidade de suas parcerias estratégicas, que abrangem desde instituições culturais tradicionais até órgãos governamentais e organizações do terceiro setor. Entre as parcerias de destaque encontram-se o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, o Clube dos Pioneiros de Brasília, o Memorial Juscelino Kubitschek de Oliveira e a Fundação Cafu, demonstrando a capacidade da academia de dialogar com diferentes segmentos da sociedade.
A parceria com o Sistema S (SENAI, SESC, SENAC, SEBRAE, SESCOOP, SEST, SENAT e SENAR) evidencia o reconhecimento da ABRASCI como instituição capaz de contribuir para a formação e desenvolvimento profissional. Estas alianças não apenas ampliam o alcance das atividades da academia, mas também garantem sustentabilidade financeira e operacional para seus projetos.
A diversidade de parceiros reflete a abrangência temática da ABRASCI e sua capacidade de adaptar-se às demandas contemporâneas da sociedade brasileira.
As parcerias com entidades oficiais incluem o Ministério da Cultura, os governos de São Paulo e do Distrito Federal, o Senado Federal, a 2ª Circunscrição Judiciária Militar de São Paulo e o 1º Batalhão de Polícia de Choque, além de inúmeras prefeituras municipais. Esta rede de relacionamentos institucionais demonstra o reconhecimento oficial da ABRASCI como entidade de utilidade pública e sua capacidade de contribuir para políticas culturais e educacionais.
O respaldo governamental facilita a realização de eventos de grande porte e garante legitimidade às iniciativas da academia. A cerimônia realizada na OAB-RJ, que lotou o auditório em plena terça-feira, exemplifica como a academia consegue mobilizar diferentes setores da sociedade em torno de seus eventos. Esta capacidade de articulação social e política constitui um dos principais ativos da ABRASCI e explica sua longevidade e relevância no cenário cultural brasileiro.
Perspectivas futuras e expansão global
O ano de 2026 promete ser histórico para a ABRASCI, com uma agenda internacional ambiciosa que consolidará a academia como embaixadora da cultura brasileira no exterior. Os eventos confirmados para Orlando, Portugal e África representam apenas o início de uma estratégia de longo prazo que visa estabelecer a presença permanente da academia em diferentes continentes.
Esta expansão não é meramente quantitativa, mas reflete uma compreensão sofisticada de que a cultura brasileira precisa ser conhecida e valorizada internacionalmente para fortalecer a imagem do país no cenário global.
A experiência acumulada em mais de um século de atividades, combinada com a visão estratégica da atual gestão, posiciona a ABRASCI de forma única para liderar este processo de internacionalização da cultura brasileira. A programação nacional também será intensificada, com eventos confirmados para Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, garantindo que a expansão internacional não comprometa o trabalho de base no território nacional.
Waldireni Chelala demonstra confiança de que 2026 será um ano de muitas realizações, enfatizando sua abertura para receber ideias e contribuições dos novos acadêmicos. Esta postura colaborativa reflete uma compreensão moderna de liderança institucional, onde o presidente funciona mais como um facilitador e articulador do que como um dirigente autoritário.
A presidente expressa sua expectativa de que os novos membros venham para somar à academia, reconhecendo que a renovação dos quadros é fundamental para manter a vitalidade institucional. A ABRASCI continua recebendo profissionais de diversas áreas - fisioterapeutas, advogados, médicos - demonstrando sua capacidade de atrair talentos de diferentes segmentos da sociedade.
Esta diversidade profissional enriquece os debates e amplia as perspectivas de atuação da academia, garantindo sua relevância em um mundo cada vez mais complexo e interdisciplinar.

Por Ralph Lichotti ,Robson Talber @robsontalber Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial
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