Presidente do Sinagências Fábio Rosa Denuncia 'Demolição' do Serviço Público em Nova Reforma Administrativa

Presidente do Sinagências alerta para enfraquecimento das agências reguladoras e convoca mobilização

Presidente do Sinagências Fábio Rosa Denuncia 'Demolição' do Serviço Público em Nova Reforma Administrativa

Fábio Rosa ironiza: defensores da privatização deveriam proteger agências

O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Reguladoras (Sinagências), Fábio Rosa, denunciou em entrevista exclusiva ao Jornal da República que a nova reforma administrativa em discussão na Câmara dos Deputados representa uma "verdadeira demolição do serviço público". Durante manifestação na entrada da reunião do Colégio de Líderes, o dirigente sindical alertou para os riscos de enfraquecimento das agências reguladoras e convocou os servidores para mobilização contra a proposta.

Rosa destacou que as agências reguladoras já enfrentam grave crise operacional, com falta de pessoal e cortes orçamentários significativos. Segundo o dirigente, apenas em 2025 foram contingenciados R$ 445 milhões do orçamento das agências, comprometendo sua capacidade de regulação e fiscalização. "O parlamento, em vez de criar as condições para que o serviço público funcione a contento, tenta diminuir a nossa capacidade operacional", criticou o sindicalista.

O presidente do Sinagências alertou que o enfraquecimento das agências reguladoras pode trazer prejuízos graves para a sociedade e a economia brasileira. Rosa ironizou que deputados defensores da privatização deveriam estar presentes para defender as agências, já que são elas que garantem a regulamentação adequada dos setores privatizados. A crítica evidencia a contradição entre discursos pró-mercado e ações que enfraquecem os órgãos responsáveis pela regulação.

Questionado sobre o combate aos supersalários, bandeira defendida pelo relator Pedro Paulo, Rosa demonstrou apoio à medida, mas denunciou o que considera uso político da questão. O dirigente revelou que apenas 0,3% dos servidores públicos das três esferas e poderes recebem supersalários, sendo a maioria concentrada no Judiciário e entre militares. "Eles querem pegar esse 0,3% para reduzir direito de quem tá trabalhando na saúde, na educação, na regulação", protestou.

O sindicalista desconstruiu o estereótipo do servidor público como "marajá", relatando a realidade precária enfrentada por muitos funcionários. Rosa contou que, em suas visitas pelo país, encontra repartições onde servidores precisam levar papel higiênico de casa. "A realidade do servidor público hoje, ela é muito dura", afirmou, criticando quase 40 anos de discurso equivocado contra o funcionalismo público.

A crítica mais contundente de Rosa direcionou-se aos parlamentares que, segundo ele, cortam recursos essenciais enquanto aumentam os próprios privilégios. O dirigente defendeu que o combate aos supersalários deve atingir todos os poderes, incluindo os benefícios parlamentares, para ter credibilidade. Esta posição alinha o Sinagências com outros movimentos sindicais que questionam a seletividade no combate aos privilégios.

Rosa enfatizou que o enfraquecimento do serviço público prejudica toda a população, não apenas os servidores. O dirigente lembrou que cada servidor é usuário de outros serviços públicos, criando uma rede de interdependência que beneficia toda a sociedade. "Serviço público enfraquecido não é o servidor que perde. Quem perde é a população e isso nós não podemos aceitar", declarou.

O presidente do Sinagências convocou os servidores para mobilização nas ruas, seguindo o exemplo da resistência bem-sucedida contra a PEC 32. Rosa classificou a proposta atual não como reforma, mas como "demolição" do serviço público, sinalizando que a categoria está preparada para resistência organizada. A convocação indica que os sindicatos estão articulando uma frente ampla contra as mudanças propostas.

A manifestação do Sinagências revela a tensão crescente entre governo e servidores públicos, especialmente nas agências reguladoras, consideradas estratégicas para o funcionamento da economia. O posicionamento de Rosa evidencia que a categoria não aceitará passivamente mudanças que considerem prejudiciais ao interesse público, preparando-se para nova batalha política no Congresso Nacional.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 18/07/2025
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